Calafrio é o primeiro livro da série “Os Lobos de Mercy Falls”, escrito por Maggie Stiefvater e publicado no Brasil em 2015 pela editora Agir Now

Sobre o Livro

Grace foi atacada por uma matilha de lobos quando criança e acabou sendo salva por um misterioso lobo de olhos amarelos, olhos esses que nunca saíram de sua memória. Anos depois do ataque, Grace passa a receber a visita silenciosa desse lobo que a salvou, sempre vendo-o no limite da floresta que fica ao redor de sua casa. Ele aparece no inverno e some durante o verão e ela nunca consegue se aproximar antes que ele fuja para a floresta de novo.

“Ele me olhou fixamente por um minuto inteiro, sem se mover, sem piscar. E então, pela primeira vez em seis anos, fechou os olhos. Aquilo ia contra qualquer instinto natural que um lobo poderia possuir. Uma vida toda de olhar fixo, e agora ele estava congelado numa dor quase humana, os olhos brilhantes fechados, cabeça e cauda baixas. Era a coisa mais triste que eu já tinha visto.”

Sam é o lobo que salvou Grace de ser atacada e sua vida dupla estende-se em observa-la quando é lobo e manter-se distante quando vira humano. Mas há algo estranho acontecendo com a sua transformação e entre sua matilha e tudo só piora quando um jovem da cidade é supostamente atacado por um lobo num parque aberto, fazendo com que toda a cidade passe a perseguir e caçar os lobos da floresta.

Grace sabe que, com a caçada, seu lobo de olhos amarelos está em perigo e mais do que nunca ela quer encontra-lo para que ele fique a salvo e para que ela possa entender o que a liga tão fortemente a ele. Afinal, por que ele a salvou quando ela foi atacada quando criança? Qual o mistério que o liga a ela e o faz observá-la todo o inverno por seis anos? E, agora, com essa caçada aos lobos, como a matilha de Sam irá conseguir resolver os problemas internos que já estavam deteriorando suas relações?


Minha Opinião

Calafrio é um livro que li muito mais pelo nome da Maggie Stiefvater, do que pela história. Como a Maggie se tornou uma das minhas autoras favoritas dos últimos tempos, decidi que queria ler outros de seus livros depois de conhecer A Saga dos Corvos e acreditei que Calafrio seria uma ótima opção. Eu tinha uma leve noção de que a história não seria como as que ela escreve hoje, Os Lobos de Mercy Falls é muito mais um romance com elementos sobrenaturais do que uma trama que realmente invista em um enredo de fantasia, então mantive as expectativas sob controle e o resultado final acabou sendo tão positivo que em poucas páginas o livro já tinha conquistado completamente a minha experiência de leitura.

“Você é lindo e triste”, eu disse finalmente, sem olhar para ele quando o fiz. “Assim como seus olhos. Você é como uma música que ouvi quando criança, mas esqueci que sabia até ouvi-la novamente.”

Por ter sido um dos primeiros livros da autora, Calafrio realmente é bem mais objetivo em escrita do que é comum para leitores de obras mais recentes da Maggie Stiefvater e o fato de ser um romance sobrenatural talvez faça com que a história não agrade muitas pessoas, o gênero já teve muito espaço há alguns anos, mas acabou perdendo o encanto com o tempo. Contudo, Calafrio ainda consegue trazer uma narrativa com os primórdios dos detalhes mais subjetivos que a escrita da Maggie terá em livros seguintes e apresenta um casal que foge de alguns estereótipos do gênero e possui uma relação extremamente sensível e sutil em seu desenvolvimento.

O livro traz ótimas descrições e trabalha bastante com foco nos pensamentos dos personagens, dando muito mais atenção o fluxo de pensamento de cada narração. Os diálogos também soam naturais e trabalham para tornar concreto o que os personagens já estavam pensando, mas toda a graça da história está no modo como os protagonistas refletem e pensam dentro de suas cabeças, quase como se eles conversassem com o leitor enquanto sentem e refletem sobre o que sentiram.

O foco no elemento sobrenatural também segue uma linha bem subjetiva, o que é uma recordação presente do modo como a Maggie geralmente conduz a fantasia em suas narrativas. A magia está lá, mas é tão integrada as pequenas coisas do cotidiano que é quase como se fosse real. Algo parecido acontece aqui, os lobos estão presentes, seus problemas têm foco definido e são questões tratadas com precisão, mas é bem mais algo sutil do que realmente uma fantasia sobrenatural no centro de sua forma.

Os personagens também são ótimos e é relativamente fácil se apegar a eles já no início. Seus problemas, pensamentos e questões são delineados já nos primeiros capítulos, permitindo que o leitor envolva-se com seus dramas e torça por eles. O desenvolvimento crescente do casal principal também é um dos elementos com mais graça da história e que para fãs de romance vai ser um motivo a mais para dar uma chance.

Acredito que o livro talvez não seja marcante por faltar uma trama que empolgue verdadeiramente, mas seus personagens, tanto protagonistas como secundários fazem valer a pena a leitura. Calafrio pode não ser uma história grandiosa, mas é um livro divertido e que provoca sentimentos no leitor, trazendo uma trama em menor escala, um ótimo núcleo de histórias individuais e relações entre os pares. Se você gosta ou sente saudade de romances sobrenaturais, Calafrio é um livro que traz esse aspecto de um jeito mais subjetivo e ainda bastante agradável e cabe como uma dica perfeita para essa categoria.

CALAFRIO

Autor: Maggie Stiefvater

Tradução: Celina Portocarrero

Editora: Agir Now

Ano de publicação: 2015

O frio. Grace passou anos a observar os lobos no bosque próximo à sua casa. Um deles, um belo lobo de olhos amarelos, a observa também. Ele parece familiar, mas ela não sabe por quê. O calor. Sam vive duas vidas. Como lobo, ele é um companheiro silencioso da garota que ama. E, por um curto período a cada ano, ele é humano, nunca corajoso o bastante para falar com Grace… até agora. O calafrio. Para Grace e Sam, o amor sempre foi mantido a distância. Mas uma vez revelado, não pode ser negado. Sam precisa lutar para continuar humano, e Grace precisa lutar para ficar ao seu lado — mesmo que isso signifique enfrentar os traumas do passado, a fragilidade do presente e as impossibilidades do futuro.

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