Este livro sobre cristianismo do autor renomado C. S. Lewis tem edição pela Thomas Nelson Brasil de 2017.

Sobre o Livro

Em formato de cartas, C. S. Lewis nos traz uma ficção das nossas crenças, dentro do cristianismo, no mundo sombrio que reina embaixo de nós. Maldanado é um diabo assim como todos os demais que deseja ensinar a seu aprendiz e sobrinho, Vermelindo, as complexidades do ser humano e como deve ser feito para corrompê-lo do cristianismo e trazê-lo para o lado do mau.

É claro que uma guerra é diversão garantida. O medo e o sofrimento imediatos dos humanos são um refresco legítimo e prazeroso para os nossos muitos trabalhadores que pegam no pesado.”

Satirizando da forma mais humorística possível, C. S. Lewis nos apresenta como seria a indústria do mau ao estar sempre tentando corromper as pessoas, mesmo as mais crentes. E depois que vem a Segunda Guerra Mundial, um abalo sísmico da indústria do mau tende a compreender a guerra com um pensamento peculiar.

Maldanado dirá te tudo, revelando sua experiência na área, para que Vermelindo seja bem-sucedido em converter seu paciente, um ser humano qualquer, ao lado do mau. Mas para isso, Vermelindo precisará enfrentar os obstáculos que o cristianismo impõe contra o mau.

Minha Opinião

O nome pode assustar muitos por julgar ser algo inadequado. Porém, aqueles que desconhecem C. S. Lewis deve saber que, além de autor reconhecido por escrever As Crônicas de Nárnia, é também admirado pelas suas obras sobre o cristianismo como em Cristianismo Puro e Simples. O fato do título chamar muita a tenção pouco diz respeito ao satanismo, como muitos devem achar. Ao contrário, diz respeito aos nossos defeitos como seres humanos, ateus ou não.

É pelo título que chama muitas pessoas. E assim me chamou também. Através das cartas, entendemos de forma inversa do nosso habitual, os defeitos que carregamos, a questão da ambiguidade, da desolação, da indecisão, do medo e do receio. Pontos muito interessantes abordados como este podemos perceber ser repetidos em obras não necessariamente abordando a religião como no caso do conto A Igreja do Diabo de Machado de Assis, nome que deve também chamar muita a atenção dos leitores. É através dessas sátiras que podemos compreender nossos defeitos e pecados.

Os seres humanos vivem no tempo, mas o nosso Inimigo os destinou à eternidade.”

Este livro foi publicado tempos depois da Segunda Guerra Mundial e por tanto é necessário termos o bom senso de discernir o pecado e o pecador do século passado com o pecado e pecador deste século. Religião no mundo de hoje possui muitos pontos polêmicos que precisam ser discutidos da forma mais justa e humana possível. Neste livro em específico, podemos ver questões que estamos superando conforme avançamos ao longo das décadas. Lewis dedica uma boa parte de seu livro a tratar sobre sexualidade, de uma forma mais generalizada e pouco científica, baseando-se na religião e na crença do que na ciência e na concepção do mundo atual.

É normal encontrarmos detalhes como esse que podem nos deixar incomodados. Fiquei impressionado pelo autor falar tanto sobre isso em um livro que poderia abranger muitas outras coisas. Se tratando de sexualidade, Lewis não se refere a questão da homossexualidade, coisa que, se intencionalmente mencionada por ele em seus trechos, foi tão indireta e quase imperceptível. Ao se referir sobre sexualidade, Lewis aborta sobre a questão do relacionamento de um homem e uma mulher, os problemas, as questões, os benefícios e os pecados ao redor disso. Lewis assim nos releva a típica mentalidade de sua época e por tanto, ao lerem este livro ou se já tiver lido, não permita que o que é dito seja posto como algo a ser seguido dentro do cristianismo. Deve haver um senso da nossa atualidade para romper com os preconceitos do passado, deixando que as qualidades que ele aponta sobre o cristianismo ainda permaneça como algo positivo.

É uma leitura que poderia agradar à muitos, mas mesmo assim deve-se entender que este livro foi escrito para cristãos. Sendo assim, esta obra exclui completamente a questão da existência de outras religiões colocando-as no mesmo patamar que os não crentes, ou seja, na vulnerabilidade de que o mau possa atingi-los. Na verdade, Lewis se equivoca pois o mau pode atingir a todos, não importando a religião ou se tiver alguma. E é preciso saber que a religião de um não o permite ter menos fé que a religião de outro e muito menos este ser mais vulnerável ao mau do que o outro (mesmo este não possuindo alguma fé religiosa). É por isto que mais uma vez é interessante que o leitor tenha um bom senso crítico com o que for ler e saber distinguir os defeitos do passado e as superações da nossa sociedade no presente.

E como não se surpreender! De fato, Lewis satiriza com o bom humor os problemas humanos que nos fazem imperfeitos. São críticas muito construtivas e é interessante entendê-las e encará-las como desafios a serem superados. Podemos ser bons humanos quando cada vez mais nos enriquecemos ao compreender nossos defeitos. E Lewis se permite ir além das críticas à nossa espécie ao também questionar o cristianismo e a Igreja em pontos essenciais.

Um dos nossos grandes aliados no presente é a própria Igreja. Não me entenda mal.”

A ideia também de criar um personagem irônico como Maldanado nos tira bons momentos pois sempre queremos saber o que ele está por dizer sobre os feitos e erros de Vermelindo para converter seu paciente em uma pessoa má. É uma leitura rápida e as cartas são bem curtas. E no final do livro há um texto extra escrito tempos depois em que Maldanado fala algumas coisas interessantes para fechar com boas críticas este livro.

Não sou religioso e muito pouco conheço as diversas obras cristãs que rodeiam o mundo. Vejo erros severos neste livro, assim como todos deveriam ver, já que somos uma sociedade que superou muitos preconceitos, apesar de ainda uma parcela cultivar alguns deles. Apesar disso, é uma leitura que vale a pena ser lida, principalmente para aqueles que simpatizam por Lewis ou até pelo cristianismo. Uma única mensagem que todos podem aprender com estas cartas é a simples intolerância pelo mau. Não importa sua religião, sua fé ou sua crença (se tiver alguma). O importante é não caminharmos para o mau e sempre fazermos o bem.

​CARTAS DE UM DIABO A SEU APRENDIZ

Autor: C. S. Lewis

Tradução: Gabriele Greggersen

Editora: Thomas Nelson Brasil

Ano de publicação: 2017

Irônica, astuta, irreverente. Assim pode ser descrita esta obra-prima de C.S. Lewis, dedicada a seu amigo J.R.R. Tolkien. Um clássico da literatura cristã, este retrato satírico da vida humana, feito pelo ponto de vista do diabo, tem divertido milhões de leitores desde sua primeira publicação, na década de 1940; agora com novo projeto gráfico e tradução atual.Cartas de um diabo a seu aprendiz é a correspondência ao mesmo tempo cômica, séria e original entre um diabo e seu sobrinho aprendiz. Revelando uma personalidade mais espirituosa, Lewis apresenta nesta obra a mais envolvente narrativa já escrita sobre tentações ― e a superação delas.

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