Crianças do Éden é o primeiro livro de uma trilogia distópica do autor Joey Graceffa, publicado em 2019 pelo selo Galera da editora Record.


SOBRE O LIVRO

Destruída por uma falha causada no ecossistema, a Terra que conhecemos não existe mais. A cobiça sem fim do homem levou todos os animais, plantas e quase 100% da população à extinção. Contudo, uma pequena parte da população foi salva por um cientista que criou o EcoPanoptiocon, uma espécie de inteligência artificial, que armazena o máximo possível da tecnologia que existia na Terra, gerando o Éden. Um paraíso para abrigar os sobreviventes dessa catástrofe enquanto a Terra é restaurada.

Porém, para que a segurança seja possível para todos que restaram, e nunca falte recursos básicos de sobrevivência, uma taxa populacional teve que ser aplicada, visando que um casal poderia ter apenas um único filho, e caso um segundo filho fosse concebido, o Governo tem autoridade para capturá-lo e matá-lo.

“Tenho que estar pronta para o glorioso dia em que finalmente emergirei na luz. Se esse dia chegar. Mamãe e papai sempre me garantem que vai, sim, algum dia. Mas após 16 anos de garantias esse algum dia ainda não chegou.”

Rowan é uma segunda filha. Vive às sombras de suas própria casa há 16 anos e nunca viu o mundo lá fora. Apenas tem ideia de como as coisas são através dos livros que lê, do que estuda e das conversas das únicas pessoas que conhece na vida, seu pai, sua mãe e seu irmão. Mas, o desejo de conhecer fora dos portões de sua casa é tanto que um dia ela decide fugir de casa e, a partir daí, sua vida começa a tomar outro rumo.


MINHA OPINIÃO

Rowan não tem uma vida muito animada. Passa a maior parte dos seus dias sozinha em casa, apenas estudando e fazendo exercícios. A melhor parte do dia é quando Ash, seu irmão gêmeo chega da escola e lhe conta sobre seu dia e principalmente sobre Lark, a menina por quem está apaixonado. Rowan adora essas conversas porque é o único momento na vida que ela se sente próxima do mundo. Mas mesmo em sua própria casa, as vezes, ela precisa se esconder, para nunca ser vista por ninguém, pois só assim ela estará em segurança.

No entanto, ela deseja muito mais do que ver Éden pelos muros de sua casa, e em uma atitude impulsiva e corajosa, ela salta para o outro lado do muro em busca de algo mais para si. Mas, essa atitude sem pensar leva Rowan a correr contra o tempo para tentar salvar sua vida. E, a partir de então descobrimos em uma jornada sem fim que Éden talvez seja muito mais perigosa do que segura.

É realmente assustador pensar que o que levou à destruição da Terra está tão próximo da nossa realidade. Tudo o que o livro descreve como causadores são fatores que convivemos diariamente e que parecem tão bobos, mas que em forma de história funcionaram muito bem. Porém, por mais que seja um motivo plausível e próximo de nós, não é mencionado de que ano estamos falando ou de quanto tempo isso aconteceu à Terra.

“Éramos os únicos animais com cérebros inteligentes e dedos ágeis o bastante para criar energia nuclear, para ferrar a Terra e envenenar os oceanos e espalhar resíduos tóxicos que destruiriam a atmosfera. Nós, seres humanos inteligentes que somos, alteramos o DNA das plantações para criar uma variação de soja aperfeiçoada que seria capaz de sobreviver a qualquer coisa e continuar alimentando o mundo – até nosso experimento provar-se tão forte e agressivo que tomou conta das florestas tropicais. Criamos e mantivemos seres vivos em cativeiro para mais tarde tornarem-se alimento, forçando-os a viver prisioneiros, caminhando sobre as próprias fezes. Nós os enchemos de antibióticos – e fizemos o mesmo com nossas crianças – e depois ficamos surpresos quando as bactérias sofreram mutações e se transformaram em superbactérias.”

Toda a história do livro se passa em poucos dias, menos de uma semana, e muita coisa acontece nesse meio tempo. Depois que Rowan precisa fugir dos camisas verdes (policiais de Éden), é uma fuga sem fim, causando ferimentos e sem momentos para descanso. E quando você acha que as coisas vão se acalmar um pouco, uma nova onda de adrenalina começa. E confesso que esse ritmo sem fôlego me incomodou um pouco. Em determinado momento Rowan torce o pé, e precisa de apenas algumas horas para estar totalmente curada, assim como um ferimento à bala em outro personagem. Talvez se o autor tivesse ido com mais calma na narrativa, esses “deslizes” não teriam sido perceptíveis.

Apesar de ter uma ideia muito interessante para a causa desse mundo distópico, o livro segue um padrão como outros do gênero. Uma turma de rebeldes que luta para mudar o Governo, um protagonista que descobre segredos obscuros sobre si mesmo e o mundo em que vive, e o desnecessário triangulo amoro. Mesmo começando original, aos poucos o livro cai em um paradigma deixando o enredo um pouco entediante.

Crianças do Éden é o primeiro romance de Joey Graceffa, e mesmo tendo bastante detalhes que me incomodaram, e sendo cliche em vários aspectos, é um bom livro de estreia e me deixou entusiasmada para o próximo volume, visto que muitas perguntas ficaram sem respostas, concluindo em um final repleto de descobertas e cheio de tensão. Um clima ideal para uma sequência que tem tudo para ser incrível.

CRIANÇAS DO ÉDEN

Autor: Joey Graceffa

Tradução: Glenda D’ Oliveira

Editora: Record

Ano de publicação: 2019

Em uma Terra envenenada e morta pelo homem, onde todos os animais e a maioria das plantas foram destruídos, o Éden é o último refúgio para o que restou da raça humana. Mas as medidas de controle populacional garantem que a existência de Rowan seja ilegal. A garota não pode frequentar a escola, fazer amigos, ou mesmo ser vista em público. Cada dia em que continua viva é um risco para sua família.

Cansada de viver escondida, Rowan decide pular os muros que a escondem, e, embora descubra ser fácil permanecer invisível quando não se existe legalmente, a noite de aventura pode acabar em tragédia. Cabe a Rowan usar toda sua habilidade para sobreviver em um mundo que a renega.

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