Atenção!

Esse livro aborda assuntos delicados como doenças (aids), suicídio, preconceito, luto e assassinato, podendo ser gatilho para algumas pessoas.

Gostaria Que Você Estivesse Aqui, do autor nacional Fernando Scheller, foi o livro de maio do clube de assinaturas TAG Inéditos em parceria com a editora HarperCollins Brasil.

Sobre o Livro

Revolução musical, instabilidade política e epidemia de AIDS representa o cenário do Rio de Janeiro no início dos anos 80, e é nesse cenário que a vida de César, Selma, Inácio, Baby e Rosalvo acontecem e se cruzam, ao longo de 10 anos.

Tudo que Inácio quer é ficar com Baby, mas ela precisa sair em busca de descobrir se deve viver em prol daquilo que querem dela, ou de acordo com o que ela deseja. Nesse interim, ele conhece César, e os dois constroem uma amizade muito forte.

Selma é mãe de César, e além de lidar com o fim de seu casamento, precisará enfrentar o diagnóstico trágico que seu filho recebe e sua preocupação constante advinda dele. Já Rosalvo, porteiro do prédio onde mora César e Selma, está no Rio de Janeiro em busca de vingança pela sua filha trans, a qual foi assassinada.

“Quando a vida varre tudo o que é relevante, a única alternativa é se agarrar ao trivial”.


Minha Opinião

A amizade de César e Inácio foi, de longe, a história que mais me conquistou. A trajetória da amizade deles e o quanto ela se tornou forte foi gostoso demais de acompanhar e achei essa relação bem construída, especialmente em comparação com as outras histórias. Apesar disso, os acontecimentos não me impactaram tanto quando poderiam, principalmente em uma parte que poderia ter sido muito emocionante. Não posso negar que derramei algumas lágrimas sim, mas poderia ter sido muito mais significativo.

Acredito que isso aconteceu por haver vários protagonistas, e a história ser contada a partir do ponto de vista de cada um mesmo em terceira pessoa, dividindo o foco do livro e entregando apenas um pouco de cada e, em minha opinião, foi onde o autor errou. Ao tentar inserir várias histórias e temáticas de discussão em cada uma delas, Fernando Scheller não conseguiu se aprofundar nem nos assuntos, nem nas histórias dos personagens, tornando tudo muito raso.

Inácio foi um dos protagonistas que mais gostei, como já comentei, e a relação dele com Baby seria muito interessante para aprofunda-lo, mas para mim dividir a história em dois pontos de vista, ao invés de contribuir para a construção só prejudicou, entre outros problemas na construção.

Em primeiro lugar, o relacionamento dos dois é apresentado bem no início do livro, onde o autor mostra que eles têm uma relação amorosa e se gostam. E foi basicamente isso o desenvolvimento do casal. No ponto de vista de Baby, é apresentando apenas o dilema da personagem com sua mãe e a vontade de conhecer seus reais desejos, porém a personagem tem poucas passagens e sua “aventura” é muito mal apresentada ao leitor, se mostrando um tema que o autor tenta discutir e não discute nada.

Dessa maneira, o envolvimento amoroso de Inácio e Baby acontece nos capítulos iniciais que apontei, e durante a trajetória do livro ele é deixado de lado. Fernando Scheller deixa a conhecimento que eles se amam, e esse amor atravessa anos, mas é difícil me convencer disso com quase ou nenhum desenvolvimento.

“Há mesmo abismos entre o amor e o afeto”.

Já no ponto de vista da Selma, por se tratar da mãe de César, há bastante passagens em relação ao seu filho e também dele em relação ao pai, seu ex-marido, e claro, pelos olhos dela, o que pra mim agregou na história do César. Contudo, os dilemas da vida pessoal dela, como trabalho, estudo e novos relacionamentos foram poucos interessante para mim.

Na minha concepção, a história de Rosalvo ficou muito deslocada no contexto do livro. A única relação dele com o resto dos personagens é o fato dele ser porteiro do prédio onde mora Selma e César, e há pouquíssimas interações entre ele e essas personagens, a qual não me pareceu agregar muito em suas narrativas individuais.

A trama e os acontecimentos que envolvem o personagem foram os mais confusos para mim. Houve muita falta de explicação de alguns pontos da história, sobretudo como ele chegou à conclusão em relação ao culpado pela morte da filha.

Em algumas outras vezes, inclusive com outros personagens, também tive dificuldade de compreender algumas passagens, mesmo que pequenas. Havia coisas que precisavam ser pegas nas entrelinhas, o que me deixou ainda mais confusa em alguns pontos, visto que a narrativa de Fernando Scheller não se mostrou totalmente clara até quando os fatos eram apresentados.

O desfecho que o personagem leva me deixou muito receosa. Envolve um assunto delicado, que pode ser gatilho de inúmeras pessoas e por essa razão acredito que o autor tenha lidado mal com a temática e, nesse caso, ele não tentou discutir o assunto no livro, foi apenas um acontecimento.

A principal complicação em relação ao assunto que envolve esse desfecho é o fato de Fernando Scheller não ter desenvolvido nenhuma construção para ele, como os sentimentos do personagem que o levou a fazer o que fez, o que pode tornar a questão do gatilho pior ainda.

Entendo que é necessário levar em consideração toda a trajetória do personagem, a qual foi apresentada, no entanto ainda acho que a forma que o autor colocou não foi a mais adequada.

“Uma vez que se está no topo, não existe nenhuma alternativa que não seja a queda”.

Por achar a história de Rosalvo deslocada e a mesma não ter nenhuma ligação direta com os outros personagens, não me faria falta se ela não existisse no livro, juntamente com o destaque na vida pessoal de Selma e o ponto de vista de Baby.

Em minha concepção, já que o autor escreveu em terceira pessoa, não havia necessidade de ter narrado através de pontos de vista, e sim priorizar os principais assuntos do livro, e todo o restante em segundo plano, como uma forma de complementar e aprofundar o enredo.

Acredito que por não ter interesse na maioria dos personagens e mais no que envolvia César e Inácio, o livro não funcionou para mim, assim como alguns outros motivos que apontei, mas sem dúvidas pode funcionar para outras pessoas.

GOSTARIA QUE VOCÊ ESTIVESSE AQUI

Autor: Fernando Scheller

Editora: TAG Experiências Literárias / HarperCollins Brasil

Ano de publicação: 2021

Nos início dos anos 1980, o Rio de Janeiro está prestes a virar palco de uma revolução musical e comportamental. O tempo é de instabilidade política, o tráfico se expande nas favelas e a epidemia de AIDS é um balde de água fria em quem acredita que a era de Aquário se aproxima. E é nesse cenário que, ao longo de dez anos, as vidas de Inácio, Baby, César, Selma e Rosalvo se entrelaçam. Inácio passou no vestibular para ser engenheiro como o pai, e sua única ambição é ficar com Baby. Os planos caem por terra quando conhece César, produtor musical gay que o leva a uma mudança de carreira. Baby tenta decifrar o delicado equilíbrio entre atender o que a sociedade espera dela e construir uma vida com seus próprios meios. Mãe de César, Selma enfrenta o fim do casamento e um trágico diagnóstico para o filho. O paraibano Rosalvo constrói nova vida na Rocinha e se torna porteiro do edifício de Selma e César, enquanto tenta descobrir o assassino de Eloá, sua filha trans.

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