Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia O Século do escritor inglês Ken Follet. Foi publicado no Brasil em 2012 pela editora Arqueiro.

Sobre o Livro

Dando continuidade a trilogia de sucesso do autor que se passa durante o século XX, ainda acompanhamos vivamente as cinco famílias que foram vividas no livro anterior em A Queda de Gigantes, já resenhado aqui. Prosseguindo com a trama, Ken Follett nos apresenta neste livro o mundo pré, durante e pós Segunda Guerra Mundial.

Começando em 1933, quando Hitler já assumira o poder na Alemanha, seguimos os herdeiros da família Von Ulrich assim como sua rede de amigos na Alemanha. Ao mesmo tempo veremos como as outras quatro famílias (a inglesa, galesa, americana e russa) sobreviviam com os problemas que cada país proporcionavam.

[…] Do segundo carro saltou um homem usando um impermeável de cor clara e um chapéu de feltro preto. Tinha um bigode estreito debaixo do nariz. Lloyd entendeu que estava olhando para o novo chanceler, Adolf Hitler.”

O cenário deste livro é a história da Segunda Guerra Mundial em si: a cada página se verá a ascensão do nazismo e do fascismo; a perseguição aos judeus; os bombardeios em Londres; as grandes batalhas no ocidente europeu e no pacífico; a guerra civil espanhola; as intrigas políticas soviéticas e americanas; a criação da Organização das Nações Unidas; e para o ponto final da história, em seus últimos capítulos, o início da era nuclear.

Com toda a riqueza em detalhes e a grande quantidade de personagens únicos e inseparáveis, Ken Follett promete ao leitor que tanto este quanto seus outros livros são meras aulas de história para serem imaginadas em nossas cabeças.


Minha Opinião

O segundo livro da trilogia se tornou muito diferente ao primeiro. Depois de ter lido Inverno do Mundo e comparado com o primeiro, pude perceber o quão o ser humano se tornou uma máquina letal em um espaço de nem meio século. E esta diferença é muito perceptível entre as páginas destes dois livros.

Ela saiu pela porta da frente.
Foi então que olhou para cima.
O céu estava repleto de aviões.”

Com esta continuação, o final do primeiro livro foi um preparo para conhecermos os novos personagens a viverem a conturbada Segunda Guerra. O foco que Ken Follett faz é nos próprios filhos e filhas dos mesmos personagens que acompanhamos no primeiro livro. Isto de certa forma nos desvinculou dos personagens que nós amamos e odiamos e passamos a conhecer uma nova geração. Traz uma sensação de angústia de saber isso pois perdemos contatos com personagens incríveis como Billy Williams. Por outro lado, o autor nos reconforta com os novos.

– Mas a raça ariana com certeza é superior… nós dominamos o mundo! – disse Erik.”

A medida que os anos avançam na história, vemos os antigos personagens do primeiro livro envelhecerem ainda mais. O avanço do tempo nos dá um sinal que todo leitor teme: no terceiro livro, não viverão para sempre. Isto por que, dando continuidade com a história, o terceiro livro se passa na Guerra Fria, ou seja, mais de uma geração depois dos acontecimentos em A Queda de Gigantes.

A quantidade de personagens só aumenta. E quanto mais aumenta, mais conhecemos personagens únicos como a Carla von Ulrich, que conhece o lado mais cruel do ser humano, enquanto a vemos tentar sobreviver ao nazismo. Daisy é outra mulher que, ou amamos ou odiamos ou os dois juntos. Sempre estaremos questionando seus atos. Woody Dewar é o típico rapaz a conhecer o lado adulto da vida: a vida amorosa, os preconceitos, os problemas políticos e o estilo de vida americano. E tanto Lloyd Williams, Woody e Erik von Ulrich assistirão de perto, com armas na mão, a terrível e devastadora guerra.

Ken Follett manteve a mesma proporção de críticas à sociedade da época em seu livro: o estilo de vida de cada país; o feminismo cada vez mais ascendente junto com os direitos das mulheres; a homossexualidade, o racismo e o antissemitismo em xeque e muitos outros pontos muito bem colocados pelo autor. Há muitos personagens feministas, machistas, homofóbicos, racistas, liberais, conservadores, progressistas, comunistas e fascistas para preencher os diálogos e encher a trama. A história é tão bem escrita, que é capaz de te deixar mágoas caso finalize este livro rapidamente.

– Nós estávamos indo bem em meados da década de 1920. […] Tínhamos um governo democrático e uma economia em crescimento. Mas tudo ruiu com o Crash de Wall Street, em 1929. Agora estamos mergulhados na Depressão.”

A forma como narra, as tramas contadas e os diálogos que o autor cria, convida ainda mais a novos leitores a conhecerem suas páginas de puro conteúdo histórico. Ainda pode ver semelhanças com George R. R. Martin tanto ao tamanho da história, conteúdo e público alvo. O diferencial é que um usa o real e o outro o imaginário. Um é simplista e o outro rebuscado. Mas ambos conseguem aprofundar o leitor na complexidade de suas histórias.

INVERNO DO MUNDO

Autor: Ken Follett

Tradução: Fernanda Abreu

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2012

Depois do sucesso de Queda de gigantes, Ken Follett dá sequência à trilogia histórica “O Século” com um magnífico épico sobre o heroísmo da Segunda Guerra Mundial e o despertar da era nuclear. Inverno do mundo retoma a história do ponto exato em que termina o primeiro livro. As cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa – que tiveram seus destinos entrelaçados no alvorecer do século XX embarcam agora no turbilhão social, político e econômico que começa com a ascensão do Terceiro Reich. A nova geração terá de enfrentar o drama da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial, culminando com a explosão das bombas atômicas. A vida de Carla von Ulrich, filha de pai alemão e mãe inglesa, sofre uma reviravolta com a subida dos nazistas ao poder, o que a leva a cometer um ato de extrema coragem. Woody e Chuck Dewar, dois irmãos americanos cada qual com seu segredo, seguem caminhos distintos que levam a eventos decisivos – um em Washington, o outro nas selvas sangrentas do Pacífico. Em meio ao horror da Guerra Civil Espanhola, o universitário inglês Lloyd Williams descobre que tanto o comunismo quanto o fascismo têm de ser combatidos com o mesmo fervor. A jovem e ambiciosa americana Daisy Peshkov só se preocupa com status e popularidade até a guerra transformar sua vida mais de uma vez. Enquanto isso, na URSS, seu primo Volodya consegue um cargo na inteligência do Exército Vermelho que irá afetar não apenas o conflito em curso, como também o que está por vir.

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