Nosso cinema nacional tem ganhado bastante espaço nos últimos períodos nas telas da televisão brasileira e também no mundo. Já tivemos um período onde o cinema nacional andava em muito descredito por conta das más produções ou roteirizações que se tinham, com apenas pouquíssimos destaques como Tropa de Elite e Minha Mãe é uma Peça.  

Ainda bem que isso isso tem mudado e por isso que hoje venho aqui conversar com vocês sobre uma produção que reflete uma grande realidade Brasileira. Não Vamos Pagar Nada, foi lançado em 2020 e acabou antecipando a realidade que hoje estaríamos vivendo com os preços absurdos da alimentação, transporte, o altíssimo desemprego e um dos nossos maiores inimigos: A FOME.  

A história começa quando Antônia (Samantha Schmütz) vai ao mercadinho do bairro fazer as compras da semana, e ao chegar lá (assim como muitos de nós), se depara não somente com o aumento dos preços, como também com o descaso por partes dos funcionários que estavam ali tratando todos de maneira descuidada e fria com a desculpa de “só estar seguindo ordens”.   

Revoltadíssima com a situação,  Antônia usa de sua voz e acaba incitando a revolta das demais mulheres no mercado, que também não estavam nada felizes com a situação, e em um acaso acabam por usar daeforça (e de muita coragem) e aos gritos de NÃO VAMOS PAGAR NADA, acabam com tudo que tem no mercado. 

Tudo iria ser muito mais muito bom, se Joao (Edmilson Filho) marido da Antônia, não fosse um homem extremamente rígido em sua “boa moral” que de forma alguma iria aprovar a atitude da mulher. E a história ainda apresenta Margarida (Flávia Reis) a melhor amiga de Antônia que junto da “best”, decidem esconder parte da comida debaixo da cama, armário e criam também uma “barriga falsa” em Margarida, com o plano indo de mal a pior por causa não só de João e sua bussola moral, como da polícia que já estavam nas ruas e invadindo as casas atrás da “ladras” do mercadinho.

A história não é original (no sentido de ser somente produzida para as telonas), mas sim uma adaptação da peça criada por Dario Fo (A Morte Acidental de um Anarquista) e com o roteiro de Renato Fagundes (Pai em Dobro), que retratam o vivenciado em seus respectivos países: o poder aquisitivo baixo da população de baixa renda em confronto com o desejo por mais e mais dos empresários e da sociedade elitista.

O longa traz de uma maneira bem teatral, aquilo que muitas das vezes é a realidade dos brasileiros. Assim como apresenta os problemas dos brasileiros, o filme também mostra o poder do “bom jeitinho brasileiro” para resolver os problemas. Temos os conjuntos habitacionais, os bicheiros, a milícia, violência familiar, os gatos, o problema da saudade coletiva, da justiça etc. Tudo muito bem inserido e trabalhado que nada mais é do que: A REALIDADE.  

E por se tratar de uma comédia, temos piadas que funcionam muito bem, outras que se estende muito além da validade, ou também da graça, como por exemplo a farsa da gravidez de Margarete, que se estendem demais na trama, e sinceramente cansa um pouco e vai perdendo o fator cômico da situação (chegando a ser “cringe” em alguns momentos).

Porém, o surpreendente (além de tudo que já citado), é que mesmo sendo uma comédia, o roteiro não se limita a isso. A trama ainda trabalha com referências singelas a clássicos do terror (como a conhecidíssima cena de O Iluminado) que acrescentam ainda mais a essa “tragédia brasileira”.    

As atuações desse filme não são “as melhores”, já que muitos dos atores parecer estarem descolocados com a trama e com a interpretação dos seus personagens, mas Samantha Schmutz, como sempre, faz um excelente trabalho ao se entregar de corpo e alma a sua personagem, que aqui é uma mulher criativa e escandalosa, mas que com seu jeitinho conquista todo mundo. Isso graças a também trabalhar junto com o seu diretor de Vai que Cola, João Fonseca, que consegue assim como no programa de televisão, explorar o máximo de Samantha, do humor e da vida brasileira. 

No final, eu digo pra você que Não Vamos Pagar Nada, cumpre muito bem com o seu papel de ser um filme com uma crítica social muito bem construída, de expor e trabalhar a realidade brasileira que no final ao inteligentemente se utilizar da música de Caetano Veloso (Gente), cutuca muitas verdades encobertas na nossa realidade, afinal na vida (e principalmente na nossa vida hoje), temos pessoas que nasceram para brilhar e não para morrer de fome.

Se você gosta de filmes como “Até que a sorte nos separe” ou “Minha mãe é uma peça” que são grandes exemplos da leva boa de filmes brasileiros, deve com toda a certeza conferir Não Vamos Pagar Nada. Ele está disponível na plataforma do Telecine Play, então corre lá ver e depois vem aqui discutir os pontos que para você também foram muitíssimo relevantes.  

NÃO VAMOS PAGAR NADA

Diretor: João Fonseca

Elenco: Samantha Schmutz, Edmilson Filhos, Criolo, Leandro Soares, Flavia Reis, Fernando Caruso e mais

Ano de lançamento: 2020

Antônia, indignada com o aumento dos preços no único mercado do bairro, faz um escândalo e acaba causando confusão ao saquear o local e se recusar a pagar. Agora, ela precisa de muito jogo de cintura para justificar suas atitudes ao m

Relacionados

Destaques

Insta
gram

Parceiros