Nightflyers é uma novela escrita nos anos 1970 por George R. R. Martin, sendo lançada em 2019 pela editora Suma.

SOBRE O LIVRO

Nove tripulantes embarcam na nave Nightflyers rumo a uma missão histórica: encontrar e fazer contato com uma antiga e silenciosa raça alienígena, os Volcryn. Dentro da nave, eles descobrem que ela é totalmente automatizada, exceto por seu dono/piloto, o misterioso Royd Eris, que só se apresenta aos internos através de um holograma ultra avançado.

“Enquanto Jesus de Nazaré morria pendurado na cruz, os volcryn passaram a um ano-padrão de sua agonia, seguindo espaço afora.”

Porém os mistérios acerca desta missão apenas haviam começado. Thale, o telepata dentre eles, logo no início sente a ameaça de uma presença alienígena, algo perigoso e que está na nave, mas os demais não lhe dão ouvidos. Enquanto os dias vão passando, o atrito entre cada um deles aumenta, o desconforto da viagem se torna maior e a desconfiança dos motivos de Royd não se apresentar fisicamente também ficam mais implícitos.

Até que uma desgraça acontece e cada vez mais os tripulantes começam a se sentir em perigo onde quer que estejam. Conforme tentam sobreviver e solucionar o mistério, mais mortes vão acontecendo, enquanto a Nightflyers parte rumo ao desconhecido em busca do contato com outra forma de vida.


MINHA OPINIÃO

Logo que o livro foi anunciado eu fiquei super interessado. Ultimamente eu tenho gostado da miscigenação de histórias de ficção científica e terror, e aqui estava mais uma oportunidade de ler algo desse tipo. Mas também havia o receio de não gostar, já que minhas duas leituras do autor (A Morte da Luz e Caçador em Fuga) não foram lá grandes coisas. Pra piorar, a série baseada no livro (disponível na Netflix) foi um tremendo fracasso.

Mas resolvi encarar o desafio e agora posso dizer que ele foi positivo. Talvez seja o formato da história, curta, uma novela, ou mesmo a ambientação e amadurecimento do autor ao trabalhar ficção científica tenham feito ela ser uma experiência melhor. Não sei. O fato é que gostei da trama, da forma como ela foi conduzida e as facetas que ela trabalha.

Ao embarcar nessa história já ficamos sabendo que ela não se passa em nosso tempo, muito menos em nosso planeta. Aqui os seres humanos já se espalharam pelo universo, depois de terem desenvolvido a tecnologia de empuxo, que permite que se viaje pelo espaço muito mais rápido do que a mais rápida viagem hoje existente. Um dos planetas colonizados pelos humanos foi Avalon, e é dele que a tripulação parte.

“Lendas damoosh dizem que os volcryn são refugiados de uma guerra inimaginável no cerne da galáxia, nos princípios do tempo. Eles abandonaram os mundos e as estrelas nos quais haviam evoluído, buscando a verdadeira paz no vazio entre elas.”

Entre eles, há um telepata poderoso, classificado de nível um, uma psíquico-analista (telepata de nível três) e uma humana geneticamente aprimorada, o que faz dela a ser humano mais resistente fisicamente entre todos. Demais personagens são detalhados ao longo da narrativa e cada um tem suas peculiaridades. Um que chama atenção é o misterioso Royd Eris, o piloto da nave. Ele só aparece sob a forma de um holograma, o que já me fez ficar questionando as razões disso, ou mesmo se de fato ele existia, já que a história diz que a nave é completamente automatizada.

Aqui é bem perceptível a escrita do Martin, não só pela criatividade em descrever os personagens de formas distintas, mas também por criar tecnologias diferentes e únicas, tais como a joia sussurrante (esse conceito ele criou no seu primeiro livro de carreira, A Morte da Luz, bem como o universo dessa história também). Além disso, há outras características inerente do autor, como falar de sexo como algo normal e corriqueiro entre seus personagens.

A trama começa devagar e sem muita novidade, mas aos poucos vai crescendo em expectativa e obscuridade, aumentando a tensão da leitura. Os atritos entre os tripulantes vai beirando a loucura ao ponto de nos perguntarmos se tudo o que vem acontecendo na nave não é meramente ocasionado pelos próprios passageiros. Perto do final, vem a explicação do que está acontecendo, que agrada de forma convincente. É algo relativamente simples e até mesmo diferente do que se espera, mas aceitável. Em relação aos volcryn, a explicação é muito interessante e nos deixa com sentimento de tristeza e insignificância.

“O capitão Royd é perfeito, um homem estranho para uma missão estranha. Ninguém aqui adora um mistério?”

Antes de finalizar, devo comentar sobre esta edição, que está um espetáculo. A cada cinco ou seis páginas, há uma ilustração lindíssima que detalha os eventos que estão sendo narrados. O ilustrador Julio Zartos fez um trabalho estupendo; dá até vontade de colocar os desenhos em molduras e pendurar na parede. Além disso, a capa é maravilhosa e com cores muito bonitas, a diagramação é super confortável e é capa dura, o que dá um toque todo especial. Parabéns à editora Suma pelo capricho.

Nightflyers pode não ser um livro incrível, mas é uma história bem feita, enxuta e fácil de se ler. Para mim, é a melhor leitura dentre as três que já fiz. Isso é muito positivo, pois me deixa mais confiante para futuramente ler outras obras dele. Uma pena mesmo é a série ter sido uma tragédia e não ter aproveito a boa história que tinha em mãos. Mas como a própria trama do livro nos mostra, nem tudo pode ser salvo…

 
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NIGHTFLYERS

Autor: George R. R. Martin

Tradutor: Alexandre Martins

Editora: Suma

Ano de publicação: 2019

Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.

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