O Doente Imaginário foi escrito em 1672 e é a última peça de Molière. A obra pode ser lida nessa edição de 2011 da Editora 34.

Sobre o Livro

O Sr. Argan é um velho egoísta, rabugento, hipocondríaco e, muito de vez em quando, simpático. A governanta da casa, Toinette, cuja tem certo carinho pelo patrão, tem certeza de que ele é completamente saudável, já ele, tem certeza do contrário. O Sr. Rabugento tem um médico e um farmacêutico que se aproveitam da situação feito pilantras, eles não ousam contrariar seu paciente, dando corda e fazendo-o acreditar que, de fato, é um doente incurável.

O Sr. Argan é o típico sujeito capaz de insistir no casamento da sua filha, Angélique, com o filho de seu médico, que também é um médico, só para economizar em suas consultas. Um pai que faz isso com sua filha, ainda por esta razão estúpida, e sabendo que ela é perdidamente apaixonada por outra pessoa, é o completo repúdio em pessoa. A ironia é que sua segunda esposa, Béline, só tem olhos para a fortuna do marido, e enquanto anseia pelo dia em que lhe passará o golpe, fica tramando o que precisa fazer para ter êxito no plano.

“Os suspiros de amor podem parecer muito verdadeiros, mas já vi grandes atores interpretando esse papel… de cordeiros apaixonados que depois se revelam lobos dissimulados!”

O azar de Béline, é que o Sr. Argan tem uma governanta bem atenta e filhas que vivem tentando alerta-lo da víbora que é aquela madrasta, então ele decide dar certa atenção ao aviso e, estando a um passo a frente da esposa, bola um plano para pegá-la com a boca na botija. E tudo acontece da forma mais hilária possível.


Minha Opinião

Se você prestou atenção na primeira fase da matéria, viu que eu mencionei que essa foi a última peça escrita por Molière, o que é uma pena, visto que ele era um autor sensacional, mas tal fato é tão curioso quanto trágico! Molière já estava bem doente quando escreveu “O Doente Imaginário”, e em 1973, quando estava no palco interpretando o personagem principal, sofreu um colapso que ocasionou seu falecimento horas depois. Coincidência?

Obviamente, por conta disso, esta é uma de suas peças mais famosas, também não é à toa, pois o texto tem, sim, o seu devido valor! Hoje em dia é quase uma proeza de caráter ler a obra completa de algum autor, e posso dizer que estou me pondo à prova com Molière. Todas as peças que li do autor até o momento, com destaque especial para a minha favorita, Escola de Mulheres, são incríveis! São peças simples, com histórias mirabolantes e mensagens sublimes que te deixam reflexivo por dias.

“Não há nada pior do que a situação em que me encontro, tendo que enfrentar mil obstáculos para encontrar meu grande amor.”

É muito engraçado ver o poder da simplicidade na literatura, porque normalmente se dá mais valor e se espera mais de obras complexas (consequentemente a queda é mais dolorosa se a obra é ruim), então quando você para pra ler Molière, por exemplo, inicia sem muita expectativa e, quando se dá conta, está boquiaberto com tamanha genialidade de suas reviravoltas.

A história de “O Doente Imaginário” se foca na observação do caráter daqueles personagens e a forma como lidam, e a forma como observamos eles lidarem, com as diversas situações que se apresentam. É quase como responder uma pergunta: quem seria você na história de Molière? De que lado você estaria? Claro que em voz alta a gente sempre responde, por questões éticas e morais, que estamos do lado do bem, mas internamente sabemos que nem sempre. Ou será que você, após ver o Sr. Argan se fingindo de morto para ver quem verdadeiramente se importava com ele, não pensaria “mas que boa ideia…” e ao mesmo tempo diria em voz alta “mas que absurdo…“?!…

O autor prega essas peças que acabam sendo divertidas e ricas tanto pela história, quanto pela reflexão, e tudo fica ainda mais legal nessa edição da Editora 34, com tradução e adaptação de Marilia Toledo e ilustrações de Laerte. Mas, contrapondo o lado positivo, há sempre o negativo… Tem uma série de coisas nessa edição que eu não gostei, quais foram feitas com a justificativa de buscar uma maior identificação com os leitores de hoje, já que o texto tem mais de 300 anos. No entanto, há diversas maneiras de fazer isso e eu não acredito que reduzindo uma obra, alterando nome de personagens e excluindo outros seja a melhor opção.

Fora isso, esta acaba sendo uma boa edição para se introduzir ao universo do autor. E se posso dar um conselho a você, não deixe de ler o texto integral, pois se você gostar desse, a certeza que irá amar o original é absoluta!

O DOENTE IMAGINÁRIO

Autor: Molière

Tradução: Marilia Toledo

Editora: Editora34

Ano de publicação: 2010

A divertida intriga criada por Molière (1622-1673) tem por base o conflito entre a autenticidade e a hipocrisia. No centro da trama está o hipocondríaco Argan, figura ao mesmo tempo simpática e detestável, que ao sentir que está sendo passado para trás, começa a pregar peças em seus familiares para descobrir o que eles verdadeiramente pensam a seu respeito.

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