Existe uma crescente muito boa em Hollywood, que vem com o passar do tempo aumentando cada vez mais, que é o investimento em adaptação literárias dos romances adolescentes.
Vimos isso lá trás com Twilight, de Stephenie Meyer, A Culpa é das Estrelas, de John Green e agora com isso se segue com O Sol Também é Uma Estrela (The Sun is Also a Star), da escritora Nicola Yoon. O filme conta com direção de Ry Russo-Young, que também dirigiu a série Everything Sucks e o longa Antes Que Eu Vá.
A história segue apresentando ao público o tradicional romance clichê que todos amam, tendo como condutor uma emocionante história cheia de coincidências e encontros do destino. O filme conquista muita a afeição dos apaixonados por romance e histórias arrebatadoras do amor, mas acaba afastando as pessoas que preferem um toque a mais de realismos e vida real.
O que não se pode negar nessa história é que mesmo possuindo alguns defeitos a história nos entrega algo que não é muito comum de vermos, com protagonismo em histórias de romance, que é a representatividade, que hoje é muito visível e essencial, ao apresentar uma protagonista negra e um asiático como seu interesse romântico nessa história indispensável.

No filme então acompanhamos Natasha Kingsley (Yara Shahidi) e sua família que após anos morando em Nova York, acabam ficando com data marcada para serem deportados para seu país de origem, a Jamaica – discussão também muito relevante para o momento atual que os EUA vive. Natasha então indo contra as expectativas família (que já aceitaram seu destino) continua mantendo a esperança de que as coisas ainda podem mudar e ela não vai precisar deixar sua terra natal e por isso, vai usar de todas as suas forças e oportunidades para mudar sua situação. Em contra partida temos Daniel Bae (Charles Melton) que se prepara para a entrevista que definirá sua entrada na faculdade de Medicina (não por ser uma grande aspiração, mas para dar orgulho para sua família).
Os dois nunca se viram e muito menos imaginam o efeito que um terá na vida do outro, até que um momento tudo muda e o “destino” entrelaça o caminho dos dois, entregando a nós uma belíssima história de amor. Desde a frase “deus ex-machina” na jaqueta de um, o caderno de poesia do outro e até mesmo compromissos no mesmo local, os protagonista acabam por se verem MUITO para só ser coincidência “normal” para eles, embora isso confirme para Daniel de que na verdade tudo faz parte de um plano maior e que eles tem a missão de ficarem juntos; mas as vezes nem tudo sai dentro do planejado.

Um ponto que eu acho importante ressaltar nessa história é que algumas atitudes consideradas “românticas” pelo protagonista não podem só ser encaradas dessa forma. Vendo o filme podemos identificar facilmente justificativas para as inúmeras vezes em que Daniel ignora “os nãos” de Natasha ou até mesmo, as vezes em que ele a segue antes mesmo dela demostrar qualquer interesse na companhia dele, mas por mais que achamos isso justificável e vemos as “intenções aparentes” do personagem, isso na vida real é bem perigoso e se caracteriza como “stalker” ou só “abusivo” mesmo. Então vale se atentar a isso e se estiver passando por algo parecido peça ajuda.
Mas acaba que por se tratar de uma história de ficção, o casal se acerta e esses detalhes (que em um olhar realista vai sim incomodar) deixam de ter efeito na história e tudo o que queremos é ver onde esse amor jovem e clichê vai ir. Yara Shahidi e Charles Melton contribuem e muito para que o romance ganhe força para nos convencer e de uma grande atuação que se faz necessária por conta do roteiro, que não tem grande impacto.
Extremamente decidida, focada e de uma personalidade forte, Natasha é do tipo realista que foca mais em saber por onde anda do que se pautar pela ideia do amor, já Daniel é o menino romântico que acredita em almas gêmeas ligadas para sempre e amores à primeira vista (convencido e decidido que as “coincidências” ocorridas com eles dizem que eles são o futuro um do outro). E dentro desse aspecto que digo que essa história nos entrega um clichêzão de que “opostos se atraem” e vão ficar juntos e isso aqui funciona – e como funciona.

Como se não bastasse o longa ir contra a visão dos típicos romances hollywoodianos da supremacia branca, ele faz grandes críticas que são super importantes a serem discutidas na sociedade hoje, sobre a quebra de determinados estereótipos e o preconceito com cabelos crespos e volumosos (já que a família asiática de Daniel trabalha produzindo e vendendo produtos para cabelos afros). O Sol Também é Uma Estrela entrega para os telespectadores uma história que a gente precisava e não sabia.
O roteiro pode ter defeitos, o romance pode ser só um grande clichê, mas essa história prova que veio para marcar. Se você não se encanta pelo romance açucarado que o filme tem, você é conquistado pela mensagem central que o filme deseja passar: tudo realmente acontece da maneira que tem que acontecer, a gente só tem que acreditar.

No final é realmente impressionante pensar que começamos questionando essas “atitudes do destino” e terminamos torcendo para que o destino realmente cumpra seu papel e tudo termine bem. Então, não perca tempo e vá assistir O Sol Também é Uma Estrela que está disponível no Telecine Play e torce para que o destino te entregue uma história tão tocante quando a deles.
Ps. A autora do livro vive um romance igual o da protagonista, ela sendo uma mulher negra é também casada com um escritor Daniel Yoon que é asiático. Corre logo assistir esse filme pra conferir !


O SOL TAMBÉM É UMA ESTRELA
Diretor: Ry Russo-Youngr
Elenco: Yara Shahid, Charles Melton, John Leguizamo, Camrus Johnson e mais
Ano de lançamento: 2019
Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 24 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela por acaso encontra Daniel (Charles Melton), que a salva de ser atropelada. Decidido a convencê-la que o encontro de ambos foi obra do destino, Daniel a desafia a passar um dia com ele, no qual tem a missão de fazê-la se apaixonar.

















