O Vilarejo do autor carioca Raphael Montes, é um compilado de contos publicado pela Suma em 2015.

Sobre o Livro

Sete contos com a temática de terror são reunidos neste pequeno livro. Passando-se em um vilarejo remoto na Europa e durante um período de guerras, os moradores do pacato vilarejo são vítimas em um ambiente brutal e assustador.

Além de passarem fome e frio intenso pela neve, terão que lidar com as inúmeras notícias de vizinhos antes vivos e agora mortos e as conturbadas relações de morador a morador que vão se reduzindo a medida que cada um morre.

O luto sentou-se à mesa. Ninguém chora os mortos. Não podem desperdiçar energia lamentando a partida dos que não suportaram o frio e a fome.”

Nesta obra gótica do autor carioca, a leitura dos contos não possuem ordem. Podem ser lidos de forma como convir. Mas o final sempre será levado ao mesmo: à uma conclusão de arrepiar os pelos.


Minha Opinião

Durante a leitura do livro, pude perceber que os personagens se conectam entre si, ampliando ainda mais nosso conhecimento acerca dos moradores desse pacato vilarejo. Isso torna o livro mais atrativo e interessante já que você se sente lendo um romance do que um compilado de sete contos. Apesar de no próprio prefácio confirmar que não há necessidade de ler os contos na ordem, acredito que, por uma experiência melhor, que se faça a leitura do segundo ao sexto conto, depois o primeiro e, por último, do sétimo, e encerrar o livro com o posfácio. Ou que leia na ordem do livro, como fiz. De qualquer forma, o final desta história é o que nos faz se arrepiar.

Raphael Montes surpreende qualquer fan seu com seus suspenses criminais. Desta vez, ao inspirar nas obras de Stephen King, pôde muito bem trazer seu lado como contador de histórias góticas. É uma leitura rápida e dinâmica para tirar qualquer leitor do tédio. Além dessas qualidades, foi uma experiência diferente depois de o autor brincar com esse relacionamento entre estes contos.

É irônico que, na ficção, um homicídio surja como solução para seus problemas.”

A construção dos personagens se dá de forma indefinida. Muitas das vezes o autor nos apresenta um personagem com tais características mas após certas cenas, nós o julgamos por conta própria. Além dessa forma peculiar, ele insere uma crítica ao racismo interessante que valerá o contexto histórico em uma Europa em conflito.

O livro possui algumas cenas que realmente ao imaginá-las o estômago tende a rejeitá-las. Mas nada se compara ao desfecho que ocorre. Esta edição da Suma, é acompanhada por diversas ilustrações que irão contribuir com a experiência da obra. Recomendo que não veja as ilustrações antes que esteja fazendo a leitura pois contêm spoilers e prejudicará sua experiência.

– Tinha pele escura, como se o fogo do inferno o tivesse queimado por séculos e séculos. Os dentes eram tortos e estavam manchados de sangue.”

Já até podemos considerar Raphael Montes como o Stephen King brasileiro em suas obras góticas, ou o Rei do Crime como em Agatha Christie com sua rápida e evolutiva narração. Podemos comparar também com Karin Slaughter pelas cenas brutais descritas. Uma de suas mais recentes obras, Uma Mulher no Escuro resenhado aqui, é só um exemplo do potencial de Raphael Montes em trazer ao mundo suas habilidades de um contador de histórias brasileiro.

O VILAREJO

Autor: Raphael Montes

Editora: Suma

Ano de publicação: 2015

Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

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