Oblivion Song: Canção do Silêncio é o primeiro volume da série de quadrinhos criado por Robert Kirkman e ilustrado por Lorenzo De Felici e Annalisa Leoni. É um lançamento de 2019 pela editora Intrínseca.

SOBRE O LIVRO

Repentinamente, 300 mil pessoas desaparecem da Filadélfia, e no lugar delas, surge um outro cenário: plantas estranhas, animais mortíferos e uma realidade quase que alienígena. Isso aconteceu há muitos a nos atrás, mas pouco se sabe dos motivos reais. Após anos investigando o acontecido, o governo conseguiu descobrir para onde as pessoas foram: uma espécie de Terra paralela, com uma paisagem monstruosa e perigosa. Um programa de resgate foi executado e algumas poucas pessoas foram trazidas de volta. Mas quando voltavam, estava diferentes, atormentadas. Algumas não resistiam. Assim o programa foi cancelado.

“A brisa, as criaturas ao longe, os insetos… tudo se misturava. E nunca ouvi nada parecido desde então… era como música.”

Nathan Cole é um cientista que trabalhou pro governo e nunca aceitou o fim dos programas. De modo pouco legal e obscuro, ele e mais alguns amigos continuam a visitar Oblivion a procura de novos sobreviventes. Mas há um motivo maior para ele continuar voltando lá. Além de procurar novas pessoas, ele procura uma em específico. Tudo muda quando ele consegue trazer dois novos sobreviventes e novamente a sociedade americana discute sobre a esperança de salvar os “abduzidos”.

Entretanto, o governo não vê os projetos de Nathan Cole com bons olhos e decide interceptar. Mas antes que isso aconteça, e sem saber, Nathan parte para mais uma missão em Oblivion. Mas desta vez ele não vai voltar tão cedo. Passando por paisagens distópicas e com monstros saídos de um grande pesadelo, Nathan vai descobrir que aquele lugar pode ser muito mais do que a vista permite imaginar.


MINHA OPINIÃO

Oblivion Song é a minha mais nova queridinha do momento. A ideia desta HQ é sensacional e possui todos os elementos que eu poderia gostar em uma boa história que mistura suspense com distopia e ação: monstros à la Lovecraft, uma paisagem apocalíptica, rixas entre pessoas e viagens por portais dimensionais.

Na HQ somos levados juntamente com os personagens para o perturbador mundo chamado de “Oblivion”. Todas as pessoas que desapareceram de forma misteriosa 10 anos antes foram parar lá. Nem todo mundo ainda foi encontrado, mas algumas já haviam sido resgatadas, outras Nathan conseguiu encontrar. Mas é cada vez mais difícil para ele conseguir encontrá-las. É como se não quisessem ser achadas. E isso preocupa o personagem.

“Eu quero que as pessoas vejam esses nomes riscados! E se perguntem: ‘por que não encontraram minha mãe?’ ou ‘por que nem estão mais tentando’?”

A trama aborda vários conceitos, dentre eles a culpa, a esperança, o temor e, principalmente, o impacto psicológico e social. Para as pessoas que ficaram, muitas perguntas permaneceram sem respostas: o que aconteceu naquele dia? Os desaparecidos estão todos vivos? O que há além das criaturas em Oblivion? Isso não só desperta a esperança de reencontrar entes perdidos, como também torna mais evidente a dor da perda, muitos deles se culpando por não estarem por perto ou juntos de seus familiares na hora que o evento aconteceu.

Da mesma forma, para os que já foram resgatados, há um impacto psicológico muito forte para lidar. Ficar dez anos no outro mundo, sob constante pressão e medo de morrer, e do nada, voltar ao nosso mundo, não é uma tarefa fácil. Muitos deles continuam tendo pesadelos, se assustando com os sons, entrando em pânico ao ver um animal grande. Eles tentam se reencaixar no mundo que já foi seu, mas não é tão fácil quanto parece.

É possível ver, nesta HQ, que Robert Kirkam trabalha várias camadas de seus personagens. Ele não utiliza de esteriótipos para dar personalidade a eles ou nos convencer de que tal personagem é ou não bom. Pelo contrário, ele nos mostra que todos são bons e maus ao mesmo tempo, mas em devidas circunstâncias.

“Acabei de salvar a vida de duas pessoas! E tem outros lá, sozinhos, esquecidos. Está disposto a dizer para o povo americano que essas pessoas não importam?”

Nathan, por exemplo, é ambicioso e quer ajudar a sociedade de toda as formas ao tentar salvar mais pessoas. Desse modo ele dá conforto e uma esperança aos familiares dos desaparecidos. Mas ao mesmo tempo, ele quebra leis, guarda profundos segredos e mente para sua esposa para cumprir o seu objetivo. Muitos desses segredos podem por a vida dos amigos em risco. Então isso não o torna uma má pessoa? Bem, depende de como cada leitor interpretará.

Os ilustradores fizeram um trabalho excelente ao diferenciar, tanto pelo traço como também pelas cores, as duas dimensões. Quando estamos na Terra normal, as cores são mais vivas e diversificadas. Já quando estamos em Oblivion, as cores tendem a serem mais escuras, pesadas e monocromáticas. Isso ajuda o leitor a se situar dentro das indas e vindas da trama.

“Thomas… ele merece saber. Eles merecem saber. Essa decisão não cabe a nós!”

Além disso, o traço também está muito bonito. As criaturas são assustadoras, a paisagem apocalíptica também é fascinante, sem contar que através disso conseguimos ver que esse mundo, apesar de ser grotesco, não tem tantas diferenças assim com o nosso. Quanto ao roteiro, por ser dividido em camadas, como comentei antes, torna a experiência de leitura muito gratificante e relaxante. Vale super a pena.

Essa HQ pode ser lida rapidamente em pouco mais de meia hora, dependendo do seu ritmo. Eu li em dois dias, pois não queria abandonar ela tão cedo. E desde que terminei, estou ansioso pelo próximo volume, que promete ainda mais revelações e choques emocionais. Até lá, dá pra fazer uma releitura desta hehe.

A Tamirez também leu a HQ e fez uma resenha em vídeo, que pode ser assistida abaixo:

 
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OBLIVION SONG: CANÇÃO DO SILÊNCIO

Autor: Robert Kirkman, Lorenzo De Felici & Annalisa Leoni

Tradutor: Fernando Scheibe

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2019

nos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram transportados para Oblivion, uma nova dimensão aterrorizante que surgiu de forma inexplicável e destruiu áreas da cidade. Os desaparecidos tentam sobreviver enfrentando seres monstruosos em um ambiente inóspito e atordoante, marcado por raros momentos de calmaria. O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas depois de dez anos as buscas foram encerradas. Mesmo lamentando a perda de entes queridos, a vida seguiu seu curso para grande parte da cidade, e monumentos, memoriais e museus foram erguidos em homenagem aos que se foram. No entanto, se depender do cientista Nathan Cole, ninguém vai ficar para trás. Nathan desenvolveu uma tecnologia extremamente instável que lhe permite visitar Oblivion todos os dias. Ele arrisca a própria vida em viagens solitárias, perigosas e muitas vezes infrutíferas na tentativa de resgatar sobreviventes. Cada vez que volta de lá, se mostra mais determinado. Mas o que Nathan procura? Por que não consegue resistir ao chamado de Oblivion, à canção silenciosa de um mundo prestes a ruir e a levá-lo junto?

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