Píppi Meialonga é uma obra bastante famosa da literatura infantil, escrita por Astrid Lindgren e publicada originalmente em 1945. A edição lida foi a da Companhia das Letrinhas, publicada em 2001.

Sobre o livro

Pippilotta Comilança Veneziana Bala-de-Goma Filhefraim Meialonga, mais conhecida como Píppi Meialonga, é uma garotinha que viveu muitas aventuras a bordo com seu pai, um capitão de navio. Píppi, que já era órfã de mãe, acabou perdendo seu pai também após ele ter caído do seu navio durante uma tempestade. A garotinha tinha uma forte intuição de que seu pai não estava morto, acreditava que ele tinha conseguido nadar até alguma ilha cheia de canibais e se tornado o rei deles. Porém, ainda assim, se encontrou completamente sozinha aos 9 anos de idade.

“Meu pai é rei dos canibais. Não é qualquer criança que tem um pai como o meu! E assim que meu pai vai conseguir construir um navio novo, vem me buscar e eu vou virar princesa dos canibais. Vai ser o máximo!”

Há anos, o pai de Píppi tinha comprado uma casa velha, chamada Vila Vilekula. A intenção era morar lá com a filha quando se aposentasse, mas devido aos percalços da vida, a garotinha acabou indo morar lá sozinha. Quer dizer, não sozinha. Lhe faziam companhia o seu cavalo e o seu macaco, chamado sr. Nilson. Píppi jamais se sentiu triste ou com medo por ser sozinha, muito pelo contrário, adorava a liberdade que tinha, e com a herança generosa do pai, se virava muito bem.

Depois de uns dias morando na Vila Vilekula, Píppi fez amizade com seus vizinhos, Tom e Aninha, que rapidamente ficaram encantados com aquela menina que tinha cabelo cor de cenoura presos por duas tranças espichadas para o lado, usando vestidos que ela mesma fazia, meias compridas e sapatos maiores que seus próprios pés. E sempre andando com o sr. Nilson no ombro. Juntos, os três começaram a explorar a redondeza e a vivenciar várias aventuras, e claro, Píppi vivia surpreendendo seus amigos com a sua força sobrenatural e com o seu jeito destemido de viver a vida.


Minha Opinião

Eu já conhecia e já queria ler essa história há muito tempo, principalmente depois que eu conheci histórias como “Pollyanna”, “Heidi” e afins, mas confesso que fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando um pouco, e não por ser ruim, mas por ter um nível bem mais infantil do que eu estava esperando. Conforme fui avançando na leitura, rapidamente minha expectativa foi sendo vencida por essa história tão cativante, bizarrinha e clássica do surrealismo.

Embora a história tenha essa pegada infantil e surreal, é muito fácil gostar de Píppi. Ela, com toda a sua independência e responsabilidade, acaba conquistando. Sabe ser adulta e criança ao mesmo tempo, mas acaba se metendo em algumas quase-enrascadas por confiar na sua força descomunal, que existe, mas não fica livre das suas ingenuidades. Não tem muito o que exigir ou questionar a respeito de sua personalidade, pois só tem 9 anos, mas nem por isso um adulto que lê essa história concorda ou acha graça de todas as suas aventuras, já a mente de uma criança… com certeza entraria em fascínio.

Píppi, sem saber, ensina muito sobre a vida. Ela vê e dá valor as pequenas coisas, não cria e não entende quem cria caso por coisas tão banais, vive questionando o conceito de “o que é ser inteligente”, é um poço de generosidade, não se apega a bens materiais, quebra alguns paradigmas, por mais banais que sejam, é uma garotinha empoderada, entre diversas outras coisas que lhe enriquecem.

“- Por que você estava andando de costas?

– Por que eu estava andando de costas? – Repetiu Píppi. Por acaso nós não vivemos num país livre? Por acaso cada um não faz o que tem vontade de fazer?”

Essa edição da Companhia das Letrinhas, infelizmente esgotada no momento, é uma graça. O livro é menor do que os de tamanho habitual, tem uma diagramação confortável para ler, além de ser uma leitura super leve e fluída. Essa edição também está recheada de ilustrações maravilhosas, do ilustrador de livros infantis, Michael Chesworth, que inclusive já ilustrou essa mesma história para editoras de outros países.

“Píppi Meialonga” não é um livro solo, na verdade é o primeiro volume de uma trilogia, sendo os próximos “Píppi a Bordo” e “Píppi nos Mares do Sul”. Recomendo muito para todos os leitores que adoram crianças e seus jeitinhos peculiares de lidar com as diversas e inimagináveis situações da vida, provando que muitas vezes são mais maduros que muitos adultos por aí.

PÍPPI MEIALONGA

Autor: Astrid Lindgren

Tradução: Maria de Macedo

Editora: Companhia das Letrinhas

Ano de publicação: 2001

Píppi é uma menina de nove anos incrivelmente forte. Não tem pai nem mãe e mora sozinha, mas feliz da vida. Seus companheiros são um cavalo e um macaquinho. Ela mesma faz suas roupas – bem esquisitas – e sua comida – biscoitos, panquecas e sanduíches. Destemida e sapeca, lembra a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Píppi tem sempre uma resposta na ponta da língua e demonstra grande confiança em si mesma. É, enfim, uma menina que realiza sonhos de liberdade e aventura.

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