Pollyanna Moça é a continuação do livro Pollyanna, escrito pela inconfundível Eleanor H. Porter. Fora publicado originalmente em 1915 e lido na edição de 2016, publicado pela editora Autêntica.

Sobre o Livro

Pollyanna, agora na sua fase de juventude, continua sendo uma menina muito encantadora e adorada por todos. Depois que precisou viajar devido a um tratamento médico que precisou fazer, a sua fama de anjo e o seu Jogo do Contente ultrapassaram os limites da cidade pequena onde vivia, Beldingsville.  Por conta disso, quando uma das enfermeiras que cuidou de Pollyanna em seu tratamento descobre que o Dr. Chilton e Miss Polly viajarão para a Alemanha a trabalho e estão cogitando em mandar a sobrinha para um colégio interno, imediatamente ela escreve uma carta para Miss Polly, pedindo para que ela deixasse Pollyanna passar essa temporada na casa de sua irmã, em Boston. Assim, a menina não precisaria ir para um colégio interno e, ainda, acabaria com o amargor do coração de sua irmã, Sra. Carrew.

De início, Miss Polly achou isso uma ideia absurda e fora de cogitação. Seu medo era que Pollyanna se tornasse uma menina arrogante devido a sua “capacidade” de conseguir despertar o melhor nas pessoas, pois, quando pequena, fazia isso sem saber que estava fazendo e agora temia que as pessoas que a usam como antídoto a estragassem. Mas a negação desse pedido durou até que outra carta fora recebida, dessa vez, do médico que curou Pollyanna, onde pedia, carinhosamente, que Chilton e Polly aceitassem o pedido da enfermeira, pois ela e sua irmã eram suas amigas de infância e de extrema confiança. Sendo assim, a tia super protetora não teve outra opção senão aceitar o pedido de alguém tão respeitável com quem ela se sentiria em dívida pelo resto da vida por conta do que fez por Pollyanna.

“Para uma mulher que espera que alguém lhe diga que é preciso enfrentar um dia de cada vez já que as coisas são muito ruins, é, no mínimo, difícil reagir quando ouve uma criança lhe dizer que, porque as coisas são muito boas, é uma sorte não ter de viver mais do que um dia de cada vez.”

Quando a menina chega em Boston, parece reviver com a Sra. Carrew o mesmo pesadelo que vivera quando fora morar com sua tia Polly, só que pior, no entanto, claro, ela sempre encontrava inúmeros motivos para não se chatear e sim, ficar contente com as coisas que lhe estavam acontecendo. Não demorou muito para que a energia que Pollyanna irradiava fosse contagiando tudo a seu redor, quase como se fosse a luz que faltava na vida das pessoas para que estas conseguissem olhar para seus problemas e suas dores com mais clareza, a fim de conseguirem resolver suas questões particulares e suas rabugices. Mas quando será que a Pollyanna, agora uma mulher com suas próprias questões, anseios, desejos e amores, iria começar a focar a sua atenção e vontade de viver, na sua própria vida?


Minha Opinião

Quando eu li o primeiro livro, Pollyanna, em meados da história já me peguei pensando: como seria a Pollyanna jovem/adulta? Enquanto isso, eu não fazia a menor ideia de que existia um segundo livro. E, pra ser sincera, não lembro exatamente como e quando foi que o descobri, mas não demorou muito, pois assim que eu finalizei a leitura fui pesquisar coisas sobre a autora, adaptações do cinema, e coisas que normalmente todo leitor acaba fazendo após terminar uma leitura da qual gostou muito. E eu nem preciso dizer que fiquei absurdamente feliz quando descobri a continuação, né?!

Sendo assim, também não demorou muito para que eu fosse a livraria mais próxima comprar esse livro de uma vez, que fora rapidamente devorado. Eu achei o primeiro livro muito melhor, afinal de contas, é onde o leitor conhece a Pollyanna e se introduz no mundinho quase particular dela. Porém, isso não significa que o segundo seja inferior, nada disso; ele faz jus ao primeiro!

“É chato quando as pessoas precisam de nós o tempo todo, não é? Porque, várias vezes, a gente não pode fazer o que realmente está com vontade de fazer. Por outro lado, podemos ficar contentes também, pois é legal as pessoas precisarem de nós, não é mesmo?”

Quando eu havia feito a leitura apenas do primeiro, ficava me perguntando e imaginando como seria aquela pequena e grande otimista adulta. Será que ao conhecer às pessoas e o mundo fora daquela realidade interiorana decepcionaria e a tornaria uma pessimista, ou que a desgraça extrema externa seria o bastante para que ela pelo menos parasse com aquele jogo do contente?  Será que ela se daria conta de tudo que fizera de bom quando pequena e se tornaria uma garota arrogante e exibida, tornando-se o próprio oposto do que já fora um dia? Ou será que, mesmo crescida, encontraria nas coisas ruins alguma coisa positiva, tornando-se uma adulta demasiada cega para algumas realidades, ingenua, bitolada…?

“Olhava nos olhos das pessoas que encontrava e sorria. Em seguida, ficava desapontada, mas não surpreendida por não receber um sorriso de volta. Já estava acostumada a isso. Mas sorria assim mesmo, esperançosa: quem sabe alguém, alguma hora, corresponderia ao seu sorriso?”

Todos esses questionamentos, essas pseudo teorias orbitando em volta da minha cabeça, foram sanados da melhor forma possível após realizar a leitura. Pollyanna não se tornou uma adulta amargurada, tampouco permaneceu com aquela ingenuidade infantil ou bitolada. Conforme fora crescendo e tendo mais noção de mundo, foi vendo suas opiniões se formarem e tendo que lidar com o fato de que nem sempre é possível ter o lado bom em tudo, como por exemplo, lidar com a pobreza e necessidade alheia. Para ela não era possível encontrar nada positivo em pessoas passando fome, mas sabendo disso ela se prometia que se tiver como algum dia, fara algo a respeito, mas que nunca seria o bastante porque ela não conseguiria salvar o mundo de suas doenças.

Aqueles que só leram ao primeiro livro podem pensar que o jeito que Pollyanna age é muito exagerado, praticamente irreal e impossível, mas, não esqueçam: estamos julgando com um olhar adulto e que por trás desse olhar existe uma bagagem de vida que nos tornou quem somos e, infelizmente, muitas vezes nos entregamos ao pessimismo. Muitos não percebem que Pollyanna é uma criança que se forçou a jogar o jogo do contente, se forçou a ser otimista, mas que mesmo assim encontra percalços no meio do caminho que quase a desestabilizam, mas que ela, sem muito se deixar levar pelo mal estar, já arranja um jeito de dar a volta por cima. Porém, mesmo assim, mesmo sabendo disso, pode parecer muito fictício para tentarmos aplicar o Jogo do Contente em nosso dia a dia, mas isso só porque é mais fácil reclamar.

E com a leitura do segundo livro pode-se tirar uma conclusão de que Pollyana, ou o tal jogo do contente, é uma utopia e nada mais que isso. Obviamente que se formos levar ao pé da letra, podemos acabar nos desviando da mensagem que o livro quer passar, mas se formos além das páginas e nos permitirmos refletir e repensar certos hábitos, veremos que é possível, sim, levar a vida com mais leveza. Claro que nem sempre será um mar de rosas, todos nós temos os nossos dias cinzas, nossos dias ranzinzas, mas é justamente nesses dias que precisamos nos policiar; são os piores dias, os piores momentos, os piores sentimentos, que mais precisam da nossa atenção, e nem sempre, necessariamente, para melhorar a vida de outrem mas, sim, a nossa. Irradiamos ódio no mesmo tanto que irradiamos amor, e se temos a opção de sermos melhores, por que não sermos?

A edição em si está uma graça. Páginas levemente amareladas, folhas grossas, diagramação boa. Capítulos que introduzem o que dirão e sempre tem uma primeira letra super caprichada, como é possível ver na foto acima. Tudo contribui para uma leitura fluida, emocionante, envolvente, leve, divertida e, claro, cheia de aprendizados! Recomendo essa leitura a todos, mas principalmente àquelas e àqueles que querem buscar serem o melhor que puderem para si, para os próximos e para o mundo!

POLLYANA MOÇA

Autor: Eleanor H. Porter

Tradução: Márcia Soares Guimarães

Editora: Autêntica

Ano de publicação: 1915

Pollyanna agora é uma encantadora adolescente, amada por todos os que conviveram com ela e aprenderam o Jogo do Contente. Sua fama de pessoa especial ultrapassa os limites de Beldingsville. Quando recebe um convite para passar uma temporada em Boston, novas experiências vêm enriquecer sua vida. Ela passa a conviver com pessoas interessantes, faz amizades, ensina e aprende muito, e ajuda pessoas necessitadas que vai encontrando em seu caminho. É nesse livro, também, que Pollyanna descobre o amor e experimenta a inquietação, as dúvidas e as emoções pelas quais passam as pessoas apaixonadas.

Relacionados

Destaques

Insta
gram

[jr_instagram id='3']

Parceiros