Quando ela desaparecer é um livro do autor Victor Bonini. Seu lançamento é de 2019 pela Faro Editorial

Sobre o Livro

Kika tem 16 anos e enfrentar situações difíceis já faz parte do seu cotidiano. Ainda criança teve uma grande perda. Há dois anos enfrentou a morte de perto e mesmo contra todas as expectativas, sobreviveu. Mas infelizmente foi vista pela última vez há dois meses, durante uma excursão do colégio. A jovem desapareceu misteriosamente e os indícios são que algo gravíssimo aconteceu.

“Queríamos ao menos o corpo da Kika – a nossa Laura Palmer, a desaparecida da série Twin Peaks -, um corpo, com sorte, para que a mãe pudesse organizar o velório e dizer: Adeus.”

Em uma alucinante corrida contra o tempo as provas que vão surgindo indicam que a lista de suspeitos só cresce… E a situação que já era alarmante, afinal tudo está acontecendo em uma região tranquila e que não é conhecida pela violência, acaba ficando ainda pior. Isso porque o desaparecimento de Kika não é o único crime que precisará de atenção, afinal, a morte começou a dar as caras por ali.Cadê a Kika? Cadê justiça?


Minha Opinião

Lá em 2015 passeando pela Bienal do Rio, parei com um grupo de amigas para saber mais sobre a obra de um rapaz todo sorridente. O livro, que havia acabado de ser lançado, era o Colega de Quarto, o primeiro suspense policial do Bonini publicado por aqui. Na obra a gente conhece o detetive particular Conrado Bardelli, que acabaria por ser peça chave também de seu segundo livro O Casamento e deste último, que mal foi lançado e já teve ação realizada por fãs nas redes sociais, tamanho apreço pela escrita do autor. Ele, aliás, que também é repórter, utiliza de todo seu conhecimento jornalístico muito claramente aqui.

Contudo, Quando ela Desaparecer é diferente dos livros anteriores. Embora o detetive Bardelli esteja por ali usando de todo o seu poder de escuta e dedução para desembaraçar os nós da narrativa e chegar ao necessário desfecho, a história não é narrada por ele. Utilizando um formato que lembra arquivos de investigação, com recortes de jornais, mapas, transcrições de conversas, imagens de e-mails e mensagens de texto trocadas entre os envolvidos; a obra é um Livro-Reportagem escrito anos depois das tragédias, por Sarah Meireles, uma jovem que sentiu na pele o resultado do sumiço de Kika e que é uma das personagens desta história.

Sem dúvidas este formato chama atenção, e o fato do autor ter utilizado fotos e referências a lugares reais enriquece a história e deixa a trama com cara de ‘tudo isso aconteceu de verdade’. São anos de acontecimentos reunidos e apresentados ao leitor, que passeia pela vida dos personagens principais da obra desde o ano de 2009 até o presente, quando Sarah entrega para nós o resultado de seu trabalho. Todos os documentos recolhidos são apresentados ao leitor obedecendo a ordem em que foram surgindo, de modo que a sensação é de que estamos vivendo tudo em tempo real; tendo nossas opiniões sobre o caso, nosso julgamento aos envolvidos e a sensação sobre como tudo vai terminar completamente contaminadas pelo ponto de vista de outras pessoas.

O autor brinca com nossos sentimentos aqui, ora nos fazendo acreditar em alguém e temer pela sua segurança, ora torcendo para que a mesma pessoa encontre um fim terrível. O Bonini entra na nossa cabeça e nos faz ver a mesma situação de tantas maneiras diferentes que chega um momento em que a gente já não sabe o que é certo. O que é real. Ele se utiliza de personagens tão perfeitamente construídos para nos mostrar que nada é exatamente o que parece, que a verdade nem sempre é um bálsamo para acalentar a dor e que podemos acabar com a vida de alguém com simples ato de fazer um comentário sem fundamentação alguma.

“Naqueles dias, foi tudo muito confuso, com informações sobrepostas umas às outras, como se assistíssemos a uma peça com cenas fora de ordem. É isso que você vai sentir nestas páginas, leitor.

Quando ela desaparecer fala sobre o desaparecimento de uma jovem, mas vai muito além. Aborda temas como o poder das Fake News e sua repercussão; fala sobre questões emocionais e comportamentais e sobre o quanto direcionam nossa existência; trata de maneira muito crua sobre abusos – de diversos tipos –, violência e sexualidade. É um livro forte, para leitores que querem uma obra angustiante, frenética; capaz de virar sua percepção pelo avesso e de fazer questionar cada hipótese levantada. Os capítulos curtos aliados à escrita fluida e criativa tornam a experiência de leitura ainda mais empolgante. Eu particularmente devorei o livro em poucas horas e ao terminá-lo me tornei ainda mais fã do autor. Por trás de todo aquele sorriso e simpatia, e mesmo tendo criado um investigador tão especial e amorzinho como o Bardelli,  Bonini prova mais uma vez que tem uma mente capaz de dar vida aos personagens mais detestáveis, maquiavélicos e psicologicamente avariados que eu já tive a chance de ver por aqui. Ele cria histórias incríveis, e esta é minha favorita até agora.

Vale lembrar que embora este seja o terceiro livro publicado, mesmo que eles sigam uma ordem cronológica e que todos tenham a participação do investigador Conrado, cada um pode ser lido de maneira independente, fora de ordem. De todo modo são histórias que valem muito a pena conhecer, e livros que são um presente para qualquer leitor tanto pela qualidade do texto quanto pelas primorosas edições da Faro. A diferenciação vem desde a gramatura do papel, e se estende aos detalhes gráficos inseridos em cada obra. Sem dúvidas um presente para os fãs de livros.

QUANDO ELA DESAPARECER

Autor: Victor Bonini

Editora: Faro Editorial

Ano de publicação: 2019

“QUAL A ARMA MAIS LETAL DO MUNDO?
OS SEGREDOS DAS PESSOAS.”
Uma garota de dezesseis anos desaparece durante uma excursão escolar. Mas não se trata de qualquer garota. Dois anos atrás, ela esteve à beira da morte, e quando foi encontrada, ninguém acreditou que sobreviveria.
Agora, há dois meses desaparecida, não restam dúvidas de que esteja morta. Rastros de sangue e um colar arrancado são as únicas pistas. Pressionados, os policiais estão desesperados por respostas, mas ninguém na longa lista de suspeitos parece ter forte motivação para cometer um crime.
Até que o caso vira de cabeça para baixo e segredos muito bem enterrados emergem para revelar o lado cruel de um lugar aparentemente tranquilo. No meio de tantos possíveis culpados, os inocentes é que estão mais aflitos… porque alguns deles começaram a morrer.

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