Fazia muito tempo que uma comédia romântica não chamava atenção ao ponto de ir parar nos cinemas (e realmente atrair público). Apesar de ter sido uma das pessoas que deixou para assistir no conforto do meu lar, também cedi ao charme clichê de Todos Menos Você, longa de Will Gluck, com roteiro do diretor e Ilana Wolpert, e estreado por Sidney Sweeney e Glen Powell.

Essa história que beira o absurdo é inspirada na comédia shakespeariana Much do About Nothing, e acompanha Bea e Ben, dois conhecidos que compartilham uma noite mágica e doce quando se conhecem, apenas para terminar a manhã seguinte se odiando. Mas qual a surpresa dos dois quando, meses depois, a irmã de Bea e uma amiga próxima de Ben ficam noivas e levam família e amigos para o casamento na Austrália.
Para ser breve, porque esse não é o objetivo desse texto, minha opinião sobre Todos Menos Você é que é um filme muito divertido e traz uma química excelente entre o casal, mas se atrapalha e tropeça ao tentar dar check em clichês demais. O efeito gerado é o esperado: o público ri, pensa “mais essa agora” e continua; mas nesse salto entre clichês alguns pontos da trama vão muito rápido a ponto de comprometer um pouco a narrativa.
Isso dito, esse repentino respiro no gênero da comédia romântica me fez pensar em outras histórias de depois de 2015 que valem muito a pena que quem gostou de Todos Menos Você precisa conhecer, sem necessariamente voltar aos “clássicos”. Então, passemos à lista:
O PLANO IMPERFEITO (2018)

Nesse longa da Netflix com direção de Claire Scanlon, acompanhamos Harper (Zoey Deutch) e Charlie (Glen Powell), dois jovens assistentes cujos chefes são linha dura e estão enlouquecendo-os. Para se livrar das constantes demandas, os dois se juntam e bolam o plano de bancar o cupido: fazer seus chefes se apaixonarem.
Se você curtiu a dinâmica do casal fazendo planos às escondidas e, bom, da atuação de Glen Powell, em Todos Menos Você, O Plano Imperfeito precisa entrar na sua lista. Engraçadíssimo, com o bônus de ter a dinâmica de dois casais improváveis, e um romance principal que vai se desenhando aos poucos no melhor estilo “tá na cara que vocês gostam um do outro”, essa história tem muito do charme das comédias românticas dos anos 90 e 2000, mas moderniza os elementos na medida certa.
VERMELHO, BRANCO E SANGUE AZUL (2019)

O romance de Casey McQuiston (publicado aqui no Brasil pela Editora Seguinte no mesmo ano) abalou o mercado literário a nível global, e já ganhou até adaptação pelo Prime Video, mas como ainda não assisti, a recomedação é do livro mesmo. A premissa é surreal por si só: o caso de amor entre o filho da presidente dos Estados Unidos e o príncipe da Inglaterra.
Esse é um dos meus livros favoritos na vida, e sempre sinto que preciso dizer que apesar da trama ser absurda, os personagens e suas relações são muito reais, e a história equilibra diversos aspectos de forma excepcional. Então se você gostou da cumplicidade criada entre Bea e Ben, do papel dos amigos na história, e do senso de humor de Todos Menos Você, esse romance é perfeito para você.
CASAMENTO AUSTRALIANO (2019)

O filme de Warner Blair acompanha o casal Lauren (Miranda Tapsell) e Ned (Gwilym Lee) no seu noivado breve e cheio de surpresas. Com apenas 10 dias para se casar, os dois viajam para a terra natal de Lauren, apenas para descobrir que a mãe da noiva desapareceu. Assim começa uma aventura pela Austrália, com obstáculos, risadas e emoções.
De todas nessa lista, Casamento Australiano com certeza é a mais séria das histórias. À parte das cenas icônicas do casal em sua viagem inesperada e da organização do casamento sendo feita pelo pai da noiva, suas madrinhas e a chefe de Lauren, temos uma narrativa sensível sobre família, responsabilidade afetiva e ancestralidade (a mãe de Lauren é indígena). Mas se você está procurando cenas marcantes com um panorama de viagem como Todos Menos Você, essa é uma excelente opção para assistir no final de semana.
UMA PITADA DE SORTE (2022)

Para encerrar com mais um livro, o romance sáfico das autoras G. B. Baldassari se passa na Buenos Aires de 2007. Aqui conhecemos a Amélia, uma cozinheira que conquista seu trabalho dos sonhos e está se apaixonando por uma mulher que só conhece via e-mails… mas que talvez possa ser alguém mais próxima do que ela poderia imaginar.
Ok, esse romance se passa nos anos 2000, então é roubar um pouco. Mas Amélia e Bea são muito parecidas enquanto protagonistas doces e atrapalhadas, que só querem o melhor para os outros, além de que a conexão entre Amélia e Julieta tem aquele tom de inevitável que nos deixa com um sorriso bobo. Esse romance é perfeito para ler de uma vez só, dando risadinhas e com um quentinho no coração.

















