Publicado pela primeira vez em 1954, o clássico de William Golding teve sua edição pela Alfaguara em 2014.

Sobre o Livro

O que aconteceria se crianças e adolescentes tivessem que sobreviver, sozinhos e sem adultos, em uma ilha inabitada e selvagem?

Um acidente na qual não conhecemos faz com que crianças e pré-adolescentes caiam em uma ilha desconhecida no meio de um oceano também desconhecido. Sem contato com o exterior e passando por necessidades como fome, sede, frio e da ausência de familiares, os sobreviventes terão que se virar como adultos para sobreviver até o resgate chegar. E se chegar.

“- Estamos numa ilha. A gente subiu até o alto da montanha e viu água à toda volta. Nada de casas, nem fumaça, nem pegadas, nem barcos, nem ninguém. A gente está numa ilha deserta sem mais nenhum habitante.”

O que crianças e pré-adolescentes são capazes de fazer? Eles terão que se organizar para que possam enfim sobreviver. Mas coisas acontecem e opiniões diferentes são formadas criando discordâncias entre eles e os dividindo em grupos. E isso os colocará em xeque. Ou irão unidos esperar por ajuda ou entrarão em conflito uns com os outros para defender seus posicionamentos. O resultado disso poderá ser vistos nos capítulos de Senhor das Moscas.

Minha Opinião

Além de ser considerado um clássico contemporâneo, é também um dos livros de referência nessa temática de sobrevivência, naufrágio e acidentes aéreos. Também é considerado uma referência fictícia para os voltados na área de direito e sociologia por estar o tempo todo discutindo as diferentes ordenanças sociais.

O tempo todo acompanhamos diversos sobreviventes. Primeiro começamos com Ralph, um dos mais velhos entre os sobreviventes. Percebemos o quanto ele cresce como responsável e se torna um líder de referência para organizar um monte de crianças assustadas e com saudades dos pais.

“- Acho que precisamos de um chefe para resolver as coisas.
[…]
– Vamos votar.
– Isso mesmo!
– Escolher um chefe!
Vamos fazer uma eleição”

Depois vemos outros personagens se inserindo na histórica quando cada vez mais surgem opiniões diferentes acerca de uma fogueira que Ralph tanto fala para deixar acesa o tempo todo para que o resgate chegasse logo.

E quanto mais discordâncias são criadas, mais as chances de estarem unidos se torna um sonho distante. E assim começa a surgir alternativas de se organizarem. Enquanto Ralph demonstra ser mais duro, outros vão querer mais liberdade para fazer o que quiserem. E há quem os ofereçam isso.

Apesar de ser um clássico contemporâneo, há diversos questionamentos que devem ser feitos e levantados nesta obra. O primeiro deles é como aquele acidente aconteceu? E por que as crianças não se conheciam? Podemos também perceber um detalhe grosseiro na história. Não existem personagens femininas quanto mais uma justificativa para os sobreviventes pararem ali.

“- A gente precisa de regras!, exclamou, animado. Muitas regras! E quando alguém deixar de cumprir a regra…
– Pimba!
– Legal!
– Pam!
– Catapum!”

Não é um livro para te surpreender, mas é um livro para entender a visão do autor sobre as reações e relações humanas. A transformação do homem em um selvagem e das discordâncias entre alguns que podem dividir um grupo em pequenos grupos. E é nessa perspectiva que o livro sai ganhando.

E por ter uma temática de sobrevivência em uma ilha, é difícil não lembrar da série Lost e do filme O Náufrago. Chegou até me dar saudades em rever Lost.

Apesar de não ter me surpreendido ou me empolgado, é uma história que pode sim empolgar alguém, principalmente aqueles que não estão acostumados em histórias de sobrevivência como essa. Talvez as seis temporadas de Lost me deixaram anestesiado com histórias assim e por isso esperava mais, mas encontrei uma história simples que mesmo assim não perdeu sua importância literária. E não podemos esquecer que é um livro curto e isso ajuda muito!

SENHOR DAS MOSCAS

Autor: William Golding

Tradução: Sergio Flaksman

Editora: Alfaguara

Ano de publicação: 2014

Publicado originalmente em 1954, Senhor das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial. Adaptado duas vezes para o cinema e traduzido para 35 idiomas, o clássico de William Golding já foi visto como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e mesmo uma visão do apocalipse. Durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos. Liderados por Ralph, eles procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate. Mas aos poucos esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade. Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma reflexão sobre a natureza do mal e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida. A nova tradução para o português mostra como Senhor das Moscas mantém o mesmo impacto desde seu lançamento: um clássico moderno; um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano.

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