Atenção!

Este filme pode conter cenas de violência e não é recomendado para menores de 16 anos.

Vemos com grande frequência conteúdos de entretenimento que retratam o fim do mundo de maneiras trágicas e apocalípticas. Já vimos os mais diversos “fins” que a terra poderia ter, desde ações humanas, virais, sem explicações aparentes, guerras e até ações naturais onde o objetivo final é retratar o fim de tudo e a busca pela sobrevivência.

E é assim que temos a receita completa para a história de The Silence dirigido John R. Leonetti, roteirizado pelos irmãos Carey e Shane Van Dyke que é um filme originalmente produzido e distribuído pela Netfllix.

The Silence logo em seu início nos revela um desastroso acidente que acontece em um lugar isolado, mas que se torna o ponto inicial para todo o drama que o filme ira se basear. O longa começa chamando muito atenção por conta de sua atmosfera, parte de um clima bem alegre e familiar para uma alucinante corrida pela sobrevivência, com muitos acidentes, perdas, etc. Assim como também chama muito atenção pelos nomes que compõem o elenco principal.  

A premissa inicial que o filme traz se parece muito com a de Um Lugar Silencioso (2018), uma vez que a ameaça para a raça humana aqui também é atraída pelo som, a diferença é que o filme ao nos apresentar a personagem Ally (Kiernan Shipka), que possui uma deficiência auditiva (causada por um acidente). Então, ao invés da família ter de se adaptar a linguagem de sinais, que é a única maneira segura de comunicação, ela já faz parte do DNA da família protagonista.

Como a grande maioria dos filmes apocalípticos (como Caixa de Pássaros), o roteiro apresenta muito bem os personagens, suas qualidades, seus defeitos, pontos de força e de fraqueza, afim de se utilizar de cada um deles em um momento oportuno. Nesse filme os roteiristas acertaram em cheio em criar uma família forte, unida, que fariam tudo um pelo outro e ir até as últimas consequências.

Narrada pela jovem protagonista, a história acompanha sua perspectiva de algum tempo antes do ataque, como também, os primeiros dias do ataque. O filme mantém seu clima de suspense e uma aparente imagem de luto humanitário quase que por inteiro, possuindo algumas reviravoltas, o que impulsiona à trama para desenvolver conflitos e soluções bem inteligentes surpreendendo o telespectador.

O elenco de ouro que a direção tem em mãos conta com Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada), a jovem Kiernan Shipka (das séries O Mundo Sombrio de Sabrina e Mad Men), Mirando Otto (da série O Mundo Sombrio de Sabrina ) e John Corbett (Casamento Grego) entregam uma boa atuação e nos convence de seus personagens. Mas percebemos que o roteiro mesmo procurando manter o suspense e um pouco de terror, se perde quando procura focar mais na carnificina que está acontecendo do que na família, nos conflitos pessoais que surgem e na luta por sobreviver. Até mesmo o romance que por um momento aparenta ser algo que iria ser bem trabalhado perde e muito o impacto e a importância para a história.

Existem sim momentos de tensão que movem os nossos sentimentos durante o filme, como a escolha que o pai Hugh (Stanley Tucci) tem de, ou salvar a sua família ou sacrificar o cachorro que estava fazendo muito barulho e colocando todos em perigo, como também o acidente e sacrifício de Glenn (John Corbett) que em busca do bem maior se entrega em prol da família. Também temos a surpreendente aparição de uma cobra em um cano de passagem, que como se a desgraça não fosse pouca, acaba gerando muitos problemas para a família.

Como se não fosse suficiente o fim do mundo, criaturas incontroláveis e carnívoras, temos também a inserção e o surgimento de uma seita que procura meninas em idade fértil e encontram na protagonista de nossa história um alvo a ser conquistado afim de manter a raça humana viva. Mas novamente, o roteiro tinha algo muito bom para trabalhar e não soube como desenvolver. De todos os acontecimentos que se seguem no filme, um culto religioso como esse fica no ar e podem causar algum desconforto e estranhamento.

Nos momentos finais, a história apresenta em forma de corrida e descritiva uma explicação sobre os acontecimentos que se sucedem depois de tantas desgraças, já que aparentemente a história não conseguiu se estende mais do que a sua uma hora e meia e se perdeu no que tinha para apresentar.

Mas o filme acaba valendo a pena por conta do trabalho de atuação e construção de personagens realizados por Stanley Tucci e Kiernan Shipka, que demoram um pouco para convencer o público, mas que apresentam uma família de verdade e um relacionamento de pai e filha que realmente emociona e se torna a ancora que prendem a atenção na história até o seu fim.

Finalizo dizendo que a obra de produção original da Netflix encabeçada por John R. Leonetti vale a pena ser assistida, mas não como objetivo de encontrar uma história de tensão que supere outra obras, mas encontrar sim uma história de laços familiares e sobrevivência.

Afinal, a mensagem que fica é seja os monstros aprisionados que agora voam pelos céus ameaçando a raça humana ou os próprios seres humanos que se tornam armas, o que vale na vida é sempre se manter próximo e fazer o possível e o impossível por aqueles que se ama.  

Se possível não deixe de conferir essa história e de quebrar o silêncio e voltar aqui para também deixar a sua opinião sobre.

THE SILENCE

Diretor: John R. Leonetti

Elenco: Stanley Tucci, Kiernan Shipka, Miranda Otto, Kate Trotter,John Cobertt, Billy MacLellan e mais

Ano de lançamento: 2019

O mundo está sob ataque de criaturas mortais, que caçam guiadas pelo som. Para escapar, uma jovem e sua família deixam a cidade e acabam descobrindo um culto sinistro.

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