Vale do Arco-Íris é o sétimo livro da série Anne de Green Gables, escrito pela autora canadense Lucy Maud Montgomery e publicado originalmente em 1919. Uma das suas tantas verões é a da editora Ciranda Cultural, lançada em 2020.

Sobre o Livro
Os seis filhos de Anne e Gilbert descobriram um encantador bosque perto de casa e resolveram batizá-lo de “Vale do Arco-Íris”, onde passam a ir com frequência para brincarem. Enquanto isso, uma nova família se muda para a Casa Ministerial, causando grande comoção e fofocas no vilarejo. John Meredith é viúvo e foi eleito o novo pastor de Glen St. Mary, ele conquistou a todos com seu sermão de teste, mas é muito avoado e vive com a cabeça nos livros, sem perceber as coisas que acontecem em casa com sua família.
Ele possui quatro filhos: Jerry (Jem) de 12 anos, Faith de 11 anos, Una de 10 anos e Carl de 9 anos. Sem a mãe e com um pai ausente, essas crianças sabem que precisam se virar sozinhas e fazem o melhor que podem, mas em sua inocência acabam por causar algum escândalo no vilarejo (seja por não se vestirem apropriadamente ou por brincarem no cemitério), sendo constantemente injustiçados e incompreendidos. Os Merediths encontram nos Blythes uma amizade verdadeira desde o primeiro dia em que se conhecem, e todos passam a brincar juntos no Vale do Arco-Íris.
– Vamos chamá-lo de Vale do Arco-Íris – disse Walter, extasiado. E assim ele foi chamado dali em diante.
Em um celeiro abandonado, os Merediths descobrem a órfã Mary Vance, uma menina de 12 anos que foi adotada pela senhora Wiley que a maltratava, por isso ela fugiu. Ela é independente, possui uma língua afiada e é cheia de opiniões, mas também sabe que precisa de proteção e uma boa educação, por isso ela aceita a ajuda de seus novos amigos, que estão decididos a fazer o que for necessário para que ela não volte para sua antiga vida.
Minha Opinião
O livro se passa entre os 41 e 43 anos de Anne, mas ela não é mais o foco, tendo se tornado apenas uma personagem de menor destaque e sem relevância para a história, juntamente com seus próprios filhos que também aparecem apenas de vez em quando. O destaque mesmo do livro são as crianças Merediths, passando por suas aventuras, descobertas e aprendizados. O pai delas também vai ter sua própria história contada, bem como duas irmãs do vilarejo que fizeram uma promessa indecorosa uma à outra.
A história continua sendo doce, inocente, cativante e engraçada de um modo geral, e não tinha como ser diferente quando se aborda o crescimento e as descobertas de crianças (os Merediths), mas eu achei uma grande repetição do livro anterior, em que também tinham crianças (os Blythes) descobrindo o mundo, entre atrapalhadas e aprendizados. Então o que me pareceu é que, para não ficar apenas no “mais do mesmo”, a autora trouxe novos personagens para a série para dar um ar de novidade, mesmo que eles vivam as mesmas velhas aventuras que já conhecemos.
Não existe momento, em nossa vivência, em que seja prudente pensar que a vida terminou. Quando imaginamos que a nossa história está finalizada, o destino tem a habilidade de virar a página e nos mostrar que há ainda mais um capítulo.

E não vou negar que é um tanto estranho começar a ler uma série de livros sobre a vida de uma personagem específica (no caso a Anne), para depois de um tempo ela ficar de lado e a série passar a focar em outros personagens que eu não havia escolhido acompanhar inicialmente. Não que os novos personagens não sejam encantadores, mas não foram o motivo que me levou a querer ler o primeiro livro e seguir adiante.
O que resta é focar no fato de que a própria Anne vive em absolutamente todos os personagens, de todos os livros, que tiveram o prazer de conhecê-la e aprender com ela, e por isso tiveram suas vidas mudadas para melhor. Ela sempre romantizou a vida, valorizou cada pequeno momento, glorificou a natureza ao seu redor. É possível enxergar um pouco dessa personalidade mesmo quando ela não está presente, em todos os filhos dela, que continuam esse legado independente de qualquer opinião alheia, exatamente como a própria Anne teria feito.
Então, apesar de um tanto quanto repetitivo, não é nenhum fardo acompanhar crianças descobrindo o mundo e vivendo coisas novas com muita admiração. A gente continua sentindo a mesma sensação de aconchego, tranquilidade e paz de todos os livros anteriores, que é a essência dessa série.
A autora ainda conseguiu trazer uma certa curiosidade para a história com alguns personagens, levando o leitor a se perguntar como certas situações difíceis irão se resolver e sentindo a necessidade de ler o livro até o fim para descobrir. Por isso, é de se admirar um autor consegue causa esse tipo de sensação no leitor.


VALE DO ARCO-ÍRIS
Autor: Lucy Maud Montgomery
Tradução: Rafael Bonaldi
Editora: Ciranda Cultural
Ano de publicação: 2020
Os filhos de Anne e Gilbert já estão crescidos e perseguindo aventuras. Em uma delas descobrem o Vale do Arco-Íris e começam a visitar o local para brincar. Então, novas crianças chegam a Glen St. Mary: os travessos Merediths. Contrariando as expectativas, uma amizade nasce entre as crianças, enquanto o viúvo John Meredith procura por uma esposa. Em um celeiro, está escondida a órfã Mary Vance, que, juntos no Vale do Arco-Íris, traçam um plano para que a nova amiga não volte ao orfanato.

















