Viagem ao Centro da Terra é um livro clássico de aventura e ficção científica do autor francês Jules Verne. Foi relançada em 2016 pela Editora Zahar.

Capa da edição nacional de Viagem ao Centro da Terra, da editora Zahar.

Sobre o livro

Em meados dos anos 1863, o renomado professor de mineralogia Otto Lindenbrock faz uma descoberta surpreendente entre alguns livros velhos: um mapa exploratório descrevendo o que parecia um paraíso intocável dentro do globo. Convencido de que as runas antigas do mapa e que a história possa ser verdadeira, ele e o seu temeroso sobrinho Axel partem para a extraordinária aventura.

” A ciência, meu rapaz, é feita de erros, mas de erros que é bom cometer, pois conduzem à verdade .”

Acompanhados de um guia de pouca conversa, Hans, eles adentram o globo através de uma caverna e vão tomando notas de tudo o que vão encontrando pela frente, desde temperatura, geologia, química e biologia. Mas logo a aventura se mostrará mais desafiadora do que jamais puderam imaginar.

Em meio a túneis sem fins e precipícios mortais, os aventureiros passarão por grandes momentos de aperto e desespero, desde falta de recursos e mantimentos, bem como riscos mortais por todos os lados. Mas tudo valerá a pena para contemplar uma das mais belas vistas de toda a história e um mundo preservado da ação destrutiva do ser humano.


Minha Opinião

Por muito tempo em minha jornada literária ouvi dizer sobre esse tal de Júlio Verne. Apesar de ser descrito como um dos “pais” da ficção científica, nunca me senti atraído por seus livros. Mas isso mudou ano passado, quando então comecei a ficar curioso em relação às histórias do autor. O que teria nelas para serem até hoje marcadas como clássicas? Em busca dessa resposta decidi me aventurar nas extraordinárias viagens vernianas.

De modo rápido e direto, a resposta para a pergunta anterior é: a fantástica imaginação do autor em uma época onde a ciência ainda dava seus primeiros passos, onde o conhecimento do mundo tal como é hoje ainda era prematuro e, sem esquecer, a limitação tecnológica da época.

“Ainda creio numa possibilidade de salvação. Enquanto o coração bater, enquanto a carne palpitar, não admito que um ser dotado de vontade se entregue ao desespero.”

Ler Viagem ao Centro da Terra é uma experiência única e muito satisfatória. Nela encontramos um mundo fantástico de possibilidades, um universo rico de ideias que poderiam sim existir, quem sabe em uma realidade paralela. Mais do que isso, personagens e leitor viajam junto, fazem descobertas juntos e se apaixonam pelos mistérios a cada momento que compartilham.

A expedição realizada pelo professor Otto Lindenbrok é rica em descrições das paisagens, das implicações físicas e psicológicas, bem como explora a fundo os conceitos científicos em vigor na época em que foi escrito, como por exemplo, a complexa discussão se o centro da Terra era quente ou não, se havia um núcleo rochoso ou se o planeta era oco, entre outros detalhes. Junto a isso tudo, as ilustrações originais presente no livro, ainda que em preto e branco, tornam a leitura ainda mais gratificante.

“Eis a conclusão de uma narrativa na qual as pessoas habituadas a não se admirarem com coisa alguma se recusarão a acreditar. Mas eu já estou antecipadamente curado contra a incredulidade humana.”

Os personagens são bem carismáticos e distintos entre si. O professor Otto é nitidamente obsessivo e otimista em relação aos escrito antigos, explorações científicas e estudo dos minerais. Durante todo o percurso que fazem, mesmo diante de situações de vida ou morte, o personagem se mostra feliz em poder tomar conhecimento de coisas que o restante do mundo sequer imaginava existir. Para ele, chegar até aquele lugar e encontrar um mundo belo e vivo dentro do planeta (algo tido como impossível) era por si só motivo suficiente para ter vivido.

Já seu sobrinho Axel é completamente oposto de Otto. Jovem, cauteloso e até mesmo dramático, o personagem se mostra mais ciente dos perigos que a expedição pode trazer a eles. Porém, seus argumentos não são fortes o suficiente para fazer seu tio mudar de ideia. E logo ele também perceberia que não ter ido na expedição seria um grande erro.

“A exploração daquelas remotas minas demandaria imensos sacrifícios. Para que serve, aliás, quando a hulha é espalhada, por assim dizer, pela superfície da Terra em um grande número de regiões? E também, aquelas camadas intactas estariam da mesma forma que eu as via quando soasse a última hora do mundo.”

A construção da narrativa é um detalhe muito bem explorado pelo autor. Tudo começa calmo, sem nenhum problema e até mesmo “sem graça”. Mas conforme a expedição vai sendo realizada, os perigos aumentam, os desafios crescem e as descobertas surpreendem. Quando chega no ápice – que pode ser dito como a explicação do título – tudo é fantástico e envolvente. Quando chega a hora de voltar, não queremos ir embora, queremos desbravar aquele um pouco mais, ficar alguns minutos a mais ali.

Mesmo com a ciência limitada da época, Jules Verne conseguiu unir muito bem a fantasia com conceitos científicos. Em vários momentos os personagens discutem a probabilidade de tudo aquilo ser real, quais seriam as causas geológicas, físicas e químicas, bem como biológicas. E desta forma, o autor nos entregou uma narrativa linda e curiosa, sem deixar de nos convidar a imaginar além do que ele conta. Tendo sido esta uma experiência bem positiva, em breve partirei para a leitura de suas outras fantásticas aventuras.

 

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VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

Autor: Jules Verne

Tradução: Jorge Bastos

Editora: Zahar

Ano de publicação: 2016

Em 1863 o renomado professor Otto Lidenbrock, geólogo e mineralogista, descobre uma mensagem cifrada descrevendo uma viagem ao centro da Terra. É o quanto basta para o impetuoso cientista se lançar na mesma aventura – levando consigo o sobrinho Axel, colega de profissão mas defensor de diferentes teorias científicas, e o impassível Hans, guia que se mostrará indispensável para a empreitada e seu espantoso desfecho! Rios de lava, mares subterrâneos, os primórdios da vida no planeta, fauna e flora pré-históricos, múmias de homens primitivos… Fruto da imaginação e do conhecimento de um dos pais da ficção científica, Viagem ao centro da Terra é uma das obras mais originais e ousadas de seu tempo.

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