Lançada pelo Disney+ entre fevereiro e março de 2021, Wandavision é a primeira série do MCU a integrar a Fase 4 do universo cinematográfico da Marvel.

Estrelada por Elizabeth Olsen e Paul Bettany e com a presença de Teyonah Parris, Kathryn Hahn, Kat Dennings, Josh Stamber e Randall Park no elenco, a série é produzida por Jac Schaeffer, Kevin Feige, Louis D’Esposito, Matt Sharkman, Victoria Alonso e roteirizada por Bobak Esfarjani, Chuck Hayward II, Gretchen Enders, Jac Schaeffer, Mackenzie Dohr, Megan McDonell e Peter Cameron.

Acompanhando Wanda após o final de Vingadores – Ultimato, Wandavision apresenta uma narrativa quase metalinguística que homenageia as principais sitcoms norte-americanas enquanto desenvolve a jornada dos recém casados Wanda e Visão, novos moradores da cidadezinha de Westview, em Nova Jersey.

Vivendo seu próprio conto de fadas, os dois precisam lidar com os desafios do trabalho doméstico e da dinâmica de boa vizinhança com os demais moradores, contando com a ajuda da vizinha enxerida, Agnes, e a interferência esquisita de sinais sonoros cortados, mensagens estranhas passadas nas entrelinhas dos diálogos com os moradores de Westview e a perspectiva de que Wanda pode estar em um processo de luto muito mais pesado e triste do que o que ela própria parece perceber.

Confusa, ferida e desconfiada, Wanda vai precisar proteger a cidade e sua recém formada família de supostas ameaças externas que interferem em seu mundo das maravilhas e, no meio do caminho, vai precisar olhar para dentro dos seus próprios medos para descobrir quem ela verdadeiramente é.


Brilhantemente roteirizada e com atuações sagazes e envolventes, Wandavision se tornou muito facilmente uma das concorrentes a melhores séries de 2021 ao abordar de uma perspectiva mais intimista, profunda e bem original o processo de amadurecimento da personagem Wanda Maximoff em meio as etapas do luto e do trauma. Utilizando da metalinguagem para homenagear sitcoms famosas que fizeram o nome da TV norte-americana dos anos 50 até os anos 90/2000, a série conseguiu inovar em linguagem, em construção de mundo e, principalmente, em aprofundar de forma acertada as reflexões psicológicas acerca de seus personagens.

Como uma fã esporádica de filmes de super-herói – o que quer dizer que conheço alguns dos quadrinhos, mas quase todo o meu aproveitamento desse conteúdo veio por causa dos filmes – eu sempre tive na Wanda a minha personagem favorita por conta da ideia de “magia” que a personagem trazia consigo. Lamentei muito quando Pietro (interpretado por Aaron Taylor Johnson em A Era de Ultron) não prosseguiu no MCU já que a dupla que ele fazia como gêmeo da Elizabeth Olsen era ótima.

Foi em A Era de ultron que os espectadores conhecem o Visão também e dali em diante, tanto Visão quanto Wanda atuam como secundários nos demais filmes e fragmentos do relacionamento amoroso de ambos são repassados nas telas. O pouco tempo de tela dos dois não impediu que eles se tornassem meu casal favorito ao ponto de a cena mais cruel dos filmes de Vingadores – Guerra Infinita para mim ser uma sobre eles.

Logo, quando descobri que Wandavision traria não apenas minha heroína predileta, como meu casal favorito, eu já estava empolgada. Sem entender direito os trailers e me contentando com o que ganharia da produção, quando a série de fato chegou foi um misto tão empolgante de surpresa, risadas e lágrimas que é impossível não dizer que é uma série que ganha facilmente cinco estrelas.

Boa parte do mérito da série está na construção do roteiro que mescla a homenagem aos diferentes seriados da TV estadunidense – como “I Love Lucy”, “A Feiticeira”, “The Office”, “Três é Demais” e tantas outras – com os brilhantes recursos de inserir pistas reais acerca do que está acontecendo no universo Marvel, o que no começo provoca no espectador a confusão e o instiga a tentar descobrir o que está por trás do grande mistério que ronda a série.

As dúvidas acerca da origem daquela realidade claramente idealizada, o porquê de o Visão estar vivo mesmo após o que aconteceu com ele em Vingadores – Ultimato, entender como a Wanda chegou até ali e de onde estão vindo as interferências externas é uma das partes mais divertidas do começo da série.

A partir da metade, com o início do segundo ato, observamos a presença sensacional de personagens como Monica Rambeau e os gêmeos Tommy e Billy, bem como a continuidade da presença de Agnes, a típica vizinha enxerida das comédias. A participação especial de Evan Peters como um dos personagens mais chocantes da temporada também rende momentos incríveis de vulnerabilidade da Wanda, bem como cenas muito engraçadas dele com os gêmeos.

O crescimento de Wanda é acompanhado de perto pela sua fragilidade diante da instabilidade da situação que a cerca e isso só serve para aproximar a personagem do espectador. Visão também cresce no segundo ato, a desconfiança crescente no personagem ao perceber que há algo de suspeito em Westview o conduzem a rumo de independência que o afasta de Wanda na trama, mas esse afastamento é essencial para que ele, junto do espectador, entenda a personagem.

O roteiro é impressionantemente divertido e emocionante ao mesmo tempo. Mesclando comédia na dose certa do que perdurava em cada uma das décadas homenageadas com momentos em que vemos Wanda tendo de enfrentar seus traumas e medos, bem como tornar-se ainda mais forte para proteger sua pequena família, a série acerta em ritmo e encantamento. O trabalho de atuação da Elizabeth Olsen como Wanda foi fenomenal, as cenas de humor adequadas ao estilo da época selecionada e os momentos de dor e luto compartilhados em tela de forma delicada e profunda são dignos de aplausos.

Paul Bettany não fica para trás, sua interpretação de Visão, ora máquina, ora muito humano e protagonizando cenas de humor, raiva e fragilidade bastante memoráveis, o ator sustenta uma grande presença nas telas e torna Visão um dos mais marcantes personagens também. Monica Rambeau é outra presença sensacional na série tanto nas suas participações dentro do universo da sitcom, quanto fora dela, sendo uma das personagens que mais prometem para o futuro da fase 4.

Acompanhar a série semanalmente também fez parte do trunfo de poder aproveitar o intervalo entre um episódio e outro para debater com os amigos, curtindo o momento de expectativa antes do episódio seguinte. Claro, para alguns fãs, talvez a busca insaciável por fazer teorias e querer ver elas concretizadas tenha sido um fator negativo; mas quem soube curtir o momento e aproveitar as semanas para se divertir com as teorias pode ter experimentado aquele gostinho de curtir um entretenimento em coletivo.

Para além da narrativa, outro pedaço especial de Wandavision foram as aberturas especiais de cada década homenageada. Rendendo músicas que não saíram da cabeça dos fãs, cada versão – da animada até a mais anos 90/2000 -, certamente a trilha sonora original foi um dos aspectos mais especiais da série.

E, claro, é impossível falar da série sem bater palmas pro modo como a narrativa inteira trabalhou o luto e a perda de forma sensível, emocionante e necessária. Um dos diálogos mais importantes e marcantes da série é justamente um que traz a perda de um ente querido à tona, demonstrando sensibilidade e sutileza com o tema, mas nunca escondendo o trauma e a dor de quem fica quando uma pessoa amada parte.

Nessa temática, a fala mais forte da série vem na voz de Visão: “O que é o luto se não o amor que perdura?”. A série claramente não tinha como prever a situação da pandemia de 2020, mas ser exibida justamente em 2021, quando ainda estamos vivendo momentos terríveis mundialmente e muitas pessoas vivenciaram ou viram a perda nos olhos dos outros; torna esse diálogo e a jornada da personagem algo ainda mais tocante ao público. Wanda quase passa por todas as fases do luto durante o enredo da trama:  negação, raiva, barganha, depressão e, por fim, a aceitação.

Acompanhar o quanto a personagem cresce, caí e se ergue novamente foi uma das trajetórias mais especiais da série e que não serão facilmente esquecidas. Ao fim de Wandavision, Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate, se torna uma das personagens mais importantes e humanas do MCU.

Em 9 episódios, Wandavision se consagra como uma das mais brilhantes estreias da Marvel na Disney+, prometendo altos caminhos para o futuro dos super-heróis no entretenimento e promovendo debates importantes sobre saúde mental e fragilidade de sentimentos. Com atuações impecáveis, misturando amor e emoção, a série é a recomendação certa não apenas para aqueles que já são fãs desse universo, mas também para quem quer começar e tem interesse em ver uma heroína e sua história ser retratada de forma tão única e especial quanto foi em Wandavision.

WANDAVISION

Diretor: Matt Shakman

Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Kat Dennings, Randall Park

Ano de lançamento: 2021

Após os eventos de “Vingadores: Endgame” (2019), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) se esforçam para levar uma vida normal no subúrbio e esconder seus poderes. Mas a dupla de super-heróis logo começa a suspeitar que nem tudo está tão certo assim. Eles se encontram, na verdade, dentro de uma constante sitcom, que vai desde a década de 50 até os dias de hoje. Conforme o tempo passa, Wanda e Visão perdem o controle da situação, sem saber mais o que é real e o que é ficção. Eles ficam presos em um eterno vai e vem: da Era de Ouro da TV nos EUA, com imagens em preto e branco, ao presente – e vice-versa.

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