A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é uma obra em parceria entre a tia Mary Ann Shaffer e a sobrinha Annie Barrows, publicado em 2008 pela editora Rocco.

Sobre o Livro

Juliet Ashton é uma escritora que não tem muito sucesso em seus livros, mas vive de palestras que dá sobre suas histórias. Há algum tempo ela teve que mudar-se por causa das consequências da guerra, e a maioria de seus livros acabou se perdendo. Um de seus exemplares, escrito por Charles Lamb foi encontrado por Dawsey Adams, que alega ter se divertido muito com a escrita do autor durante a ocupação da guerra. Usando do endereço na contracapa do livro, ele pede encarecidamente através de uma carta, que Juliet encontre outra obra do mesmo autor, pois ele precisa desesperadamente conhecer mais de sua escrita.

A ocupação na Ilha de Guernsey, na Inglaterra, foi um momento difícil para todos os moradores da ilha. Dawsey Adams tem sua história e seus segredos que tenta esclarecer para Juliet através das cartas que passam a trocar. Mas não é fácil explicar a relação entre uma sociedade literária e uma torta de casca de batata, e nem porque um porco tinha que ser um segredo contra os alemães. E a cada nova correspondência, Juliet fica mais e mais empolgada com as histórias dos moradores daquela pequena ilha.

“É isto que amo na leitura: uma pequena coisa o interessa num livro, e essa pequena coisa o leva a outro livro, e um pedacinho que você lê nele o leva a um terceiro. Isso vai em progressão geométrica – sem nenhuma finalidade em vista, e unicamente por prazer.”

página 20.

A guerra também deixou marcas em Juliet Ashton. E desde então ela nunca encontrou de fato o seu lugar. Trocar correspondências com as poucas pessoas que ama é seu passatempo preferido. Apesar de ter um ótimo melhor amigo, que também é seu editor, e até mesmo um bom pretendente, ela não resiste às cartas de Dawsey e de todas as pessoas de Guernsey que igualmente lhe escrevem. Impulsivamente ela embarca em um navio rumo a uma nova história. Ela quer escrever sobre a ocupação em Guernsey, então porque não ir até lá e conhecer de perto tudo o que a guerra fez a essas pessoas?


Minha Opinião

Quando Mary Ann viajou para a Inglaterra para estudar mais a respeito de um novo livro, ela acabou descobrindo por acaso sobre a ocupação alemã na Ilha de Guernsey. A curiosidade falou mais alto e ela viajou para a pequena ilha e ficou fascina com tudo o que viu e descobriu. A ideia de uma nova história então nasceu. Mas A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata só foi ganhar vida anos mais tarde com a ajuda de sua sobrinha Annie Barrows.

“Durante toda a minha vida, pensei que a história terminava quando o herói e a heroína ficavam juntos, em segurança – afinal, o que é bom o suficiente para Jane Austen deveria ser bom o suficiente para qualquer um. Mas é mentira. A história está só começando, e todo dia será uma nova peça do enredo.”

A história se inicia menos de um ano depois do fim da Segunda Guerra Mundial, janeiro de 1946. Ainda é possível ver os traços de tudo o que foi e o que ficou com as ocupações alemãs por toda a Europa. Juliet Ashton ainda guardava marcas da primeira guerra quando perdeu o seu pai e passou a morar com um tio. Logo mais, sua casa também foi destruída. Apesar de poder contar com ótimas pessoas, ela sente que ainda não encontrou o seu lugar e nem um recomeço.

O livro inteiro se passa através de cartas. O que também é o passatempo favorito de Juliet. Quando começa a receber cartas de várias pessoas de uma pequena ilha agradecendo e informando de quem ela, uma pessoa comum, de certa forma foi importante para eles em tempos difíceis, é claro que ela não se conforma só em correspondências. Ao conhecer as pessoas de Guernsey e suas histórias, não somente Juliet fica tocada, mas todos nós.

É sempre difícil ler sobre a guerra e como ela foi terrível para muitas pessoas. Saber que este livro tem base em coisas reais que a autora teve conhecimento é ainda mais assustador. Mas também ainda mais instigante se perguntar se esses personagens foram reais. De fato existiu trabalhadores escravos obrigados a trabalhar sem descanso e sem comida; crianças levadas para longe de seus pais; traidores e os que não cumprem as regras levados para campos de concentração.

Contudo, o interessante não é somente ver mais um vez o quanto a guerra fez mal, inclusive para todos os personagens da Ilha de Guernsey. Mas ver um lado bom disso tudo: Uma sociedade para leitores, criada no desespero, no encontro com oficiais alemãs, e que trouxe muito conforto a todos eles. E como isso fez com que os caminhos de Dawsey e Juliet se cruzassem trazendo para ambas as partes um “final feliz”.

“Nosso clube do livro nas sextas à noite se tornou nosso refúgio. É uma liberdade particular perceber que o mundo se torna cada vez mais escuro à sua volta, mas que só é necessária uma vela para enxergarmos novos mundos se revelando. Foi isso que encontramos na nossa sociedade.”

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata traz personagens únicos e extremamente marcantes. Todos carregam seus fantasmas da guerra, mas juntos eles se ajudam e fazem as coisas mais fáceis. O que torna a história um grande ensinamento para todos nós: em tempos difíceis pense a ajude o próximo, sem que perceba, estará ajudando a si mesmo também.

Apesar do tema difícil de ler, conclui a leitura com aquele quentinho o coração. Ler um livro inteiro através de cartas não é novidade para mim, mas com um enredo cheio de importância senti falta de uma narração corrida em primeira pessoa. O que de maneira alguma estraga todo sentimento que tive com essa leitura, que indico para todos, sem restrições. Inclusive o livro conta com uma adaptação disponível na Netflix. Apesar de possuir o mesmo título e a mesma essência, em conteúdo e principalmente nas características dos personagens os dois são bem diferentes. Mas ainda assim vale a experiência de ambos.

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA

Autor: Mary Ann Shelly e Annie Barrows

Tradução: Léa Viveiros de Castro

Editora: Rocco

Ano de publicação: 2008

A sociedade literária e a torta de casca de batata conta a história de Juliet Ashton, uma escritora em busca de um tema para seu próximo livro. Ela acaba encontrando-o na carta de um desconhecido de Guernsey, Dawsey Adams, que entra em contato com a jornalista para fazer uma consulta bibliográfica. Começa aí uma intensa troca de cartas a partir da qual é possível identificar o gosto literário de cada um e o impacto transformador que a guerra teve na vida de todos. As correspondências despertam o interesse de Juliet sobre a distante localidade e narram o envolvimento dos moradores no clube de leituras – a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata –, além de servirem de ponto de partida para o próximo livro da escritora britânica. O clube, criado antes de existir de fato, foi formado de improviso, como um álibi para proteger seus membros dos alemães. O que nenhum dos integrantes da Sociedade imaginava era que os encontros pudessem aproximar os vizinhos, trazer consolo e esperança e, principalmente, auxiliar a manter, na medida do possível, a mente sã. As reflexões e as discussões a respeito das obras os livraram dos pensamentos sobre as dificuldades que enfrentavam e ainda serviram para aproximar pessoas de classes e interesses tão díspares, de pescador a frenólogo, de dona de casa a enfermeira. Instigada pela força dos depoimentos, a jornalista decide visitar Guernsey, onde a convivência com as pessoas que conheceu por cartas e a descoberta sobre as experiências dos ilhéus lhe dão uma nova perspectiva. A viagem proporciona à escritora mais do que material para seu livro. Guernsey oferece a chance de recomeçar após a Guerra, fazer amizades sinceras e encontrar o amor – em suas diversas formas. O que ela encontra por lá, e as relações que trava, mudam sua vida para sempre. Em 2018 o livro ganha versão para cinema estrelada por Lily James, Michiel Huisman e Mathew Goode.

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