Fernanda Montenegro – Prólogo, Ato, Epílogo: Memórias, é um livro de memórias escrito por Fernanda Montenegro em colaboração com a jornalista Marta Góes. Foi publicado pela Companhia das Letras, em 2019.

Sobre o Livro

Prólogo, Ato, Epílogo acompanha as memórias pessoais, familiares e artísticas de um dos maiores nomes da atuação brasileira. Fernanda Montenegro abre as portas de sua história para a jornalista Marta Góes e por meio de uma narrativa intima, em tom de conversa, o leitor conhece a trajetória que levou a jovem Arlette a se tornar o maior nome artístico do Brasil. 

Foi a primeira vez que pisei num palco. Guardei para sempre na lembrança a sensação de levitar, envolvida numa luz cor-de-rosa e eu me sentindo fora de mim. Mas nem sequer suspeitei de que, um dia, aquele mistério seria o meu ofício. A minha vida.

Por meio de relatos pessoais, cartas e fotos, o livro não só apresenta uma Fernanda Montenegro nos papéis de filha, mãe e artista, como também descreve a visão da atriz sobre momentos importantes do Brasil dentro e fora dos palcos. Um passeio pela história da vida artística brasileira do século XX e um mergulho profundo no que existe por trás da maior atriz brasileira da atualidade.

Quais foram os rumos que transformaram a jovem Arlette em uma estrela mundialmente conhecida? O que a fez se apaixonar pela atuação? Quais as histórias dos bastidores das maiores peças e filmes produzidos no Brasil do século XX? O que esconde-se por trás da atriz que só conhecemos por meio de uma tela? É isso o que o livro busca apresentar: uma Fernanda Montenegro para além dos palcos e mais perto da plateia do que nunca.


Minha Opinião

Não sou acostumada a ler biografias, mas das poucas que li, essa decididamente se tornou a favorita entre elas. O tom narrativo adotado dentro do livro traz uma leveza natural para história, o que torna o livro quase uma conversa direta com a Fernanda Montenegro.

Dividido em partes, o livro inicia pelo “Prólogo”, onde o leitor aprende a história da família de Arlette Pinheiro da Silva, conhece a bisavó, a avó, a tia e a mãe dela; que são figuras femininas essenciais para criar a atriz que conhecemos hoje. Nessa primeira parte, conhecemos a relação de Fernanda com os pais, as irmãs e sua juventude no começo dos anos 30 e 40.  

A narrativa mais intima, colocada em primeira pessoa, ajuda o leitor a se relacionar de imediato com a família de Fernanda, com a história sofrida de seus antepassados imigrantes que chegaram no Brasil em busca de melhorar de vida e acabaram não encontrando isso.

Ao relatar seu contato com as figuras femininas de sua família, Fernanda apresenta uma relação de inspiração capaz de rememorar a nossa própria conexão com as nossas antepassadas mulheres. Há uma tia que fugiu para ser freira e que depois fugiu de ser freira. Há a avó paterna, que foi uma mulher dura, marcada pelo sofrimento da vida e com quem o pai tinha relação conturbada. Há as irmãs, que formaram junto dela um trio inabalável.

“Parece folclore, mas a infância foi uma hora bonita. Não estou romanceando. Tenho quase um século de vida, portanto posso dizer: “Era no tempo do rei”.

Iniciar com essa apresentação familiar torna a figura de Fernanda Montenegro algo próximo. Ela poderia ser uma conhecida da nossa família até. A história dela não difere da de pessoas que conhecemos nos arredores das nossas próprias casas e essa é uma ótima forma de iniciar um livro de memórias. Torna as memórias dela algo próximo das nossas e facilita a entrada do livro na sua segunda parte: o Ato.

O Ato, como o nome indica, mostra Arlette tornando-se Fernanda Montenegro. Há inúmeras histórias sobre os bastidores da rádio, do teatro e da televisão brasileira. Nomes de artistas consagrados, que dividiram os bastidores de teatro com Fernanda e seu marido, o dramaturgo Fernando Torres, surgem aos montes. E junto de cada nome, vem um pedaço da história do Brasil.

Nascida em 1929, aos seus 90 anos, Fernanda Montenegro viveu mais da história do Brasil do que poderíamos listar e isso não fica de fora de suas memórias. Os relatos sobre a vida artística na era Vargas, sobre como era estar nos palcos durante o auge da ditadura militar e como foi o início da retomada artística nos anos 80 são detalhados de forma pessoal, intima e que ajudam a entender o rumo que a arte brasileira tomou hoje.

É fácil emocionar-se com os relatos pessoais da atriz que costumamos ver apenas na tela ou brilhando num palco. Por meio das descrições, Fernanda abre espaço para que o leitor conheça os maiores medos que ela sentiu quando se tornou mãe de Claudio e Fernanda Torres, sobre como foi criar dois filhos em meio a correria de peças e filmes, sobre como foi renovar sua perspectiva artística ao ponto de ela alcançar a inédita e histórica indicação ao Oscar.

“Fernanda Montenegro ganhou o lugar de meu nome artístico. Aos poucos, Arlette voltou para o seu fechado universo familiar. Mais um toque esquizofrênico deste meu viver”

“Me vi refletida no grande espelho do camarim do Teatro Copacabana e disse a mim mesma: “Acho que tenho futuro”

Claro, como é comum de gêneros biográficos, há uma série de nomes, datas e locais que, para uma leitora desacostumada, tal como eu, acabam tornando a leitura maçante em alguns pontos. Não gosto de parar o livro para pesquisar alguma coisa por fora, mas em alguns momentos isso foi necessário para poder ver quem era aquele ator citado e qual era aquela peça especifica. Depende muito do quão acostumado a essas interrupções um leitor pode estar para apreciar ou não a quantidade de informações.

De um modo geral, o livro apresenta de forma delicada e próxima a narrativa de uma das maiores figuras nacionais de todos os tempos. Conhecemos a Fernanda Montenegro dos palcos tanto quanto conhecemos seus maiores temores e suas reflexões. Uma trajetória de 90 anos mostra o quanto a história é feita por cada um de nós e Fernanda encerra o livro provando ser parte da história do Brasil, seja dentro dos palcos ou fora deles.

Se você aprecia conhecer narrativas biográficas de grandes figuras da mídia, se deseja conhecer uma parte da história do teatro e da TV brasileira e se aprecia o trabalho dessa atriz que fez parte das telas de TV de quase todos os brasileiros, então Prólogo, Ato e Epílogo é o livro certo e conduz você a uma experiência de proximidade inédita com um dos maiores nomes da atuação brasileira.

PRÓLOGO,ATO,EPÍLOGO:MEMÓRIAS

Autor: Fernanda Montenegro e Marta Góes

Editora: Companhia das Letras

Ano de publicação: 2019

No marco de seus noventa anos, as memórias de Fernanda Montenegro trazem o frescor de uma artista eternamente genial. Em Prólogo, ato, epílogo, Fernanda Montenegro narra suas memórias numa prosa afetiva, cheia de inteligência e sensibilidade. Com sua voz inconfundível, ela coloca no papel a saga de seus antepassados lavradores portugueses, do lado paterno, e pastores sardos, do lado materno. Lidas hoje, são histórias que podem “parecer um folhetim. Ou uma tragédia” ― gêneros que a atriz domina com maestria. Na turma de jovens que circulavam pela rádio estava Fernando Torres, que ela reencontrou nos ensaios da peça Alegres canções na montanha, quando começaram a namorar. Fernando largou a Panair, Fernanda largou a Berlitz, e o casal se entregou de corpo e alma à arte, paixão de uma vida. Constituíram uma família e realizaram juntos um sem-número de peças, ao lado dos principais nomes do teatro brasileiro. Em páginas de grande emoção, ela relembra os desafios de criar os filhos sobrevivendo como artistas; a busca permanente pela qualidade; a persistência combativa durante os anos de chumbo; a capacidade de constante reinvenção; o padecimento de Fernando; o inesperado sucesso internacional nos anos 1990; a crença na terra que acolheu seus antepassados imigrantes e a devoção por esse país. Fernanda encarna o melhor do Brasil. Não surpreende que alguém que passou a vida memorizando textos tenha desenvolvido notável capacidade de rememorar com sutileza fatos ocorridos décadas atrás. A atriz que há anos encanta multidões em palcos e telas pelo mundo agora se mostra uma contadora de histórias de mão-cheia.

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