Nas Montanhas do Marrocos é uma obra da autora nacional Luisa Bérard, publicado em 2018 pela editora Novo Conceito.

SOBRE O LIVRO

Katherine Hartington, filha do conde de Northwick não sonha em se casar como todas as mulheres do século XVIIII, muito pelo contrário. Ela acredita que o casamento a impedirá de ser livre e independente, características que ela adotou para si ao conviver com sua tia Margareth, a Duquesa de Wolfcastle. Uma mulher extremamente inteligente e que há anos cuida sozinha da administração de Wolfcastle e seus arredores. Se espelhando em sua tia, Katherine galopa duas vezes por semana em seu cavalo para junto da tia para aprender sobre economia e administração, para que um dia ela possa ser tão independente como a tia.

“Vamos ser realistas: qual é o homem que se casaria com uma mulher que aprecia economia e relatórios administrativos? – questionei, sem anteparos. – Não é segredo para ninguém que o sonho de, pelo menos, noventa e nove por cento dos homens, usando números conservadores, é estar ao lado de uma mulher versada em bordado, música e assuntos triviais, a ponto de uma criança de seis anos ser perfeitamente capaz de participar, com desenvoltura, da conversa.”

No entanto, Lady Northwick não aceita essa característica rebelde de sua filha mais nova e insiste a todo momento de que ela precisa sim se casar. Cansada da insistência da mãe, Katherine se vê obrigada a frequentar os bailes de Londres decidindo deixar os pretendentes se aproximarem um pouco mais, e assim, sua mãe pensar que ela está indo bem em sua temporada e que não lhe faltam correspondentes. Um dos interessados acaba se tornando um grande amigo para Katherine, e dessa amizade acaba surgindo um pedido de casamento. Tentando se livrar do maior pesadelo de sua vida, ela embarca em uma viajem a negócios para a Grécia.

Uma viagem com previsão de durar exatamente dois meses, acaba tomando outro rumo. Algo dá totalmente errado e Katherine acaba indo parar no Marrocos. Sem ter escolhas e direitos, ela precisa se vestir de acordo e obedecer as regras. Uma impressão que a primeiro momento causa arrepios e medos extremos irá se tornar a maior experiência que ela poderia ter. Katherine que não acreditava no amor, vai aprender que não está a salva dos seus próprios sentimentos, e que um lugar em que ela jamais imaginou estará lhe reservando muitas surpresas.


MINHA OPINIÃO

Uma protagonista que foge dos padrões da época não é inovador para mim, que gosto tanto de ler romances de época, onde por coincidência (ou não), seguem o mesmo enredo de uma moça que não quer ser mais uma na sociedade, alguém com assuntos fúteis e presa a um homem para ser feliz, e que no final acaba descobrindo o amor. O que acaba por contradizer tudo o que ela acredita. Porém, até chegarmos nesse amor que Katherine vai encontrar, suas características de ser independente são tão fortes que acabam ultrapassando até mesmo modelos atuais, como andar armada para se proteger. O que seria fantástico se ela realmente usasse essa arma, coisa que não acontece.

Por diversas vezes eu fiquei confusa com a personalidade de Katherine. Ela que a primeiro momento nos mostra ser uma protagonista forte, com sonhos de ser livre de casamento, e que tem um amor imensurável por sua tia Margareth. Assim que se habitua no Marrocos e sabe que não poderá sair de lá, é como se ela também se esquecesse as coisas que ela acreditava. Transformando aquela personagem “girl power” em mais uma menina ingênua que coloca o amor de um homem acima de todas as coisas.

Aliás, um amor que infelizmente não me convenceu. A forma como o casal se conhece é totalmente inusitada e que nos faz questionar muito esse “amor à primeira vista”. É claro que passam-se dias até que o casal realmente tenha um momento, mas não é como se víssemos esse tempo passar, e então quando acontece, a impressão é que foi rápido demais; Esse sentimento não me deixou torcer pelo casal.

“Eu não sei o porquê disto, mas todos insistem nesse ponto… Até mesmo a senhora acha que eu tenho de arranjar um marido para ser feliz! Vou repetir pela enésima vez: não pretendo me casar. Farei de tudo para retardar ao máximo esse desfecho. Diversamente da maioria das mulheres, eu necessito de liberdade para ser feliz, e a forma mais fácil de perdê-la será me casando. Por isso, só de pensar na possibilidade de contrair matrimônio sinto terríveis pontadas de dor de cabeça.”

Quando tive contato com a sinopse do livro, eu imaginava um romance de tirar o fôlego, e ao conferir o enredo dessa história que eu tanto aguardava, tive uma decepção grande. Tanto os personagens, como o romance que a história nos apresenta são clichês daqueles que já estamos bastante acostumados, o que muda no meio de todo esse enredo é a ambientação no Marrocos. Que na minha humilde opinião foi o único acerto da autora. Adorei acompanhar a jornada dos personagens por esse país que é tão peculiar. Costumes, características, comidas, danças e até mesmo os famigerados djinns não ficaram de fora, e foi encantador. Porém, não dá para deixar de lado que tudo isso é apenas o palco de nosso espetáculo.

Nas Montanhas do Morrocos possuí uma narrativa bastante detalhista, que em alguns momentos é interessante de acompanhar, principalmente ao mencionar a cultura do Marrocos, porém, em outros, como no inicio da leitura, foram cansativos, o que me custou mais de 150 páginas até que eu conseguisse imergir na história. Por conta disso, acredito que se o livro tivesse um terço a menos de história, seria mais interessante de acompanhar e talvez não tanto decepcionante. Contudo, vale destacar que a capa deste livro está maravilhosa, e retrata muito bem a imagem que tive de Katherine e da ambientação.

Para finalizar meu descontentamento com a história preciso ressaltar que não gostei do final. Além de ser aquele típico final “felizes para sempre”, onde todos os personagens tem que ter um par romântico, uma cena em especial me deixou completamente chocada com a ousadia da autora. Um personagem que apareceu somente na segunda metade da história e teve um final trágico, ou seja, não teve relevância alguma em todo o enredo. E eu fiquei me perguntando o sentido disso. Me senti enganada com Nas Montanhas do Marrocos. Talvez por ter ouvido falar tão bem, acabei ficando com as expectativas muito altas, o que estragou minha experiência de leitura. Ou talvez, o livro realmente não seja tão bom assim. Por tanto, fica aqui minha indicação, mas com ressalvas, não vá esperando um grande romance.

NAS MONTANHAS DO MARROCOS

Autor: Luisa Bérard

Editora: Novo Conceito

Ano de publicação: 2018

Inicialmente ambientado na Inglaterra, nos idos de 1847, Nas montanhas do Marrocos conta a história da bela e impetuosa lady Katherine Hartington, a filha mais nova do conde de Northwick. As relações familiares e a suntuosidade da época vitoriana são o pano de fundo para esta trama, que convida o leitor a conhecer o estilo de vida da aristocracia inglesa e os obstáculos sociais impostos às mulheres – a quem o futuro não poderia reservar nada mais que um casamento promissor. Nesse universo sobressai a figura da poderosa duquesa de Melbourne, que não se amolda a esse papel socialmente preestabelecido e transmite à sobrinha seus conhecimentos sobre o instigante mundo dos negócios, intensificando seu desejo de liberdade. Mas um revés do destino faz Katherine aportar em Tânger em um contexto completamente inesperado. De uma hora para outra, ela se vê obrigada a viver no Marrocos e conhece sua apaixonante cultura e paisagens montanhosas e desérticas. Nesta exótica jornada, a jovem inglesa se depara com o mais importante: o amor. Em meio a tentativas de retorno à Inglaterra, o fascínio pelas areias do Saara, as majestosas cordilheiras marroquinas e um envolvimento ardente que a seduzem para ficar, Katherine se defrontará com novas e impensáveis realidades, sem suspeitar das guinadas que o futuro ainda lhe reserva. Nas montanhas do Marrocos é um romance escrito no melhor estilo dos grandes best-sellers. Com criatividade e originalidade, Luisa Bérard reuniu, na dose certa, personagens memoráveis, sedução, paixão, conflitos e intrigas, demonstrando, com sua ágil narrativa e pesquisa histórica criteriosa, o quanto pode ser ilusória e vazia a liberdade sem amor.

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