Através do Vazio é um livro de suspense espacial do autor S. K. Vaughn. Foi lançado no Brasil pela editora Suma em 2019.

SOBRE O LIVRO

A nave espacial Hawking II está à deriva no espaço. Algo aconteceu e todos os tripulantes sumiram e a nave quase foi destruída. Apenas uma pessoa acorda em meio a este caos: Maryan Knox, a comandante da nave. Aparentemente doente e sem memórias, May somente poderá contar com a ajuda da I.A. da nave, apelidada de Eva.

Enquanto tenta recuperar a memória e entender o que aconteceu na nave, ao mesmo tempo em que alguns sinais de sabotagem vão aparecendo, May cria um forte vínculo com a Inteligência da Nave, e ambas ficam inseparáveis. Juntas, precisam unir conhecimento para concertar a nave e recolocar ela novamente em curso à Terra.

“O amor não conhece barreiras. Ele salta obstáculos, pula cercas, transpõe muralhas para chegar ao destino cheio de esperança.”

É então que as comunicações com o Controle da Missão da Nasa são restabelecidas. Ao mesmo tempo em que isso serve de alívio, também torna a vivência de May mais complicada, já que do outro lado está uma pessoa que ela magoou no passado, e que tem todos os motivos para não querer ajudá-la. Através do espaço May precisará encontrar a paz interior e reconciliar os erros do passado com a nova oportunidade de recomeçar.


MINHA OPINIÃO

Através do Vazio possui uma história ambígua, já que ao mesmo tempo que pode ser considerada um suspense no espaço, ela também trabalha alguns temas como preconceito, igualdade de gênero, perdão e aceitação. Por isso mesmo eu diria que o livro se encaixa muito mais em um drama espacial do que nos outros dois gêneros o qual ele é declarado.

May é uma mulher bem resolvida e dona de si mesma. De personalidade forte, teve uma educação pesada e sempre foi cobrada a buscar o melhor resultado em todas as situações de sua vida. Por este motivo ela cresceu crente de que nada era incapaz de impedi-la, e quando um problema surgisse, ela faria qualquer coisa para superá-lo. Mas ela também enfrenta alguns problemas que há muito já deviam ter sido deixados para trás.

“Acabe seu trabalho. Não deixe seu trabalho acabar com você.”

Alguns de seus colegas a julgam dizendo que só conseguiu chegar no posto de comandante de uma importante missão de exploração espacial por ser mulher e por ser negra. As pessoas não veem nela a sua capacidade e mérito, apenas concluem de forma equívoca que só está onde está por mera conveniência. Ainda que a personagem não se deixe abalar com isso, isso faz com que ela alimente um certo nível de desprezo social. O que também justifica muitas vezes seu comportamento esnobe e arrogante.

Apesar de a história se passar no futuro (2067 mais ou menos), o autor traz à tona esse importante ponto de discussão social. A tecnologia evoluiu, muito tempo se passou, mas a sociedade parece relutante em mudar, em se soltar de antigos pensamentos e convicções. Isso faz com que a história seja coerente com o tempo presente, ainda que seu background seja futurístico.

Outro ponto relevante também é a questão de mostrar como as futuras pesquisas por vida extraterrestre se concentram cada vez mais em Europa. A lua jupiteriana tem desempenhado grande fascínio atualmente, e há uma grande apreensão do que vamos de fato encontrar naquelas águas profundas.

“A amarga verdade era, e sempre foi, que a ciência é escrava do dinheiro”.

O que desaponta um pouco é ainda a ideia da exploração espacial estar preso à uma agência governamental, no caso a Nasa. Atualmente há várias empresas privadas focando nisso, como a Space X e a Blue Origin. Acredito que o autor poderia ter explorado esse lado, nem que fosse de forma parcial, pelo menos. A Space X quer chegar em Marte até 2030. No livro, uma empresa privada em 2067 poderia muito bem nos levar até Júpiter.

Mas aqui vem o “pulo do gato”. Eu gostei bastante da narrativa, achei ela bem construída, utilizando de flashbacks para preencher as lacunas da memória de May e explorar o que aconteceu em seu passado antes da missão, mas senti falta de mais agilidade na história. A maior parte da trama é mesmo focada no passado da May com seu marido, o Dr. Stephen Knox, o homem quem ela magoou muito. Entre uma lembrança ou outra, acompanhamos seus momentos de alegria, de tristeza, de raiva e até mesmo de ruína no casamento.

“Os humanos gostam de acreditar que são lógicos, mas a maneira como vivemos diz exatamente o contrário. Somos mais impulsionados por emoções, que tem uma lógica própria, mas provavelmente não uma lógica que faça muito sentido.”

Dessa forma, o lado suspense e ficção científica fica quase que esquecido. E mesmo quando o suspense volta a assumir seu posto, ele é morno, simples e muitas vezes até óbvio. Isso me deu a impressão que o livro de 370 páginas se parecesse com um de 500, pois é uma trama que não prende, se arrasta bastante e entrega pouco.

Isso não quer dizer que não seja um bom livro. Pelo contrário, ele é muito bom e por muitas vezes me lembrou mesmo a história de Perdido em Marte e também o filmaço Gravidade. Porém, o momento em que eu li pedia uma história mais intensa, mais ágil, e aqui ela é mais lenta, mais pausada. Isso explica também porque levei cerca de 18 dias para ler haha.

No mais, fica minha recomendação para você que quer se aventurar por um drama no espaço, que faz refletir sobre ações passadas, erros que relutamos em nos perdoar e também sobre dar uma nova chance a recomeços.

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Através do Vazio

Autor: S. K. Vaughn

Tradutor: Renato Marques

Editora: Suma

Ano de publicação: 2019

É Natal de 2067. Os acordes de uma música natalina ecoam pelas ruínas de uma espaçonave que flutua pela escuridão. Lá dentro, May desperta lentamente ― a única sobrevivente de um acidente desastroso na primeira viagem tripulada a Europa, a lua de Júpiter. Sozinha no vazio do espaço, em uma nave caindo aos pedaços, May tenta desesperadamente reencontrar o caminho para a Terra. A única pessoa capaz de ajudá-la é Stephen Knox, um cientista brilhante da Nasa… e um homem que ela magoou profundamente antes de partir. Enquanto ela batalha pela própria sobrevivência e sinais de sabotagem começam a vir à tona, a voz de Stephen parece ser a única coisa capaz de atravessar o vazio insondável do espaço e levá-la de volta para casa em segurança.

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