Cecil Gaines nasceu no campo e viveu sua juventude como escravo de brancos no sul dos Estados Unidos ainda em um início de século XX conturbado pelo racismo desenfreado. Com o passar do tempo ele aprende a como ser um escravo doméstico, servindo banquetes, limpando talheres e seguindo a rotina de um escravo de residência e se afastando do trabalho no campo.

Após sair do sul dos Estados Unidos, Cecil busca um novo rumo para a sua vida mas ele não esperava que seu jeito habilidoso em servir e elite branca do país iria colocar-lo dentro da Casa Branca como mordomo de inúmeros presidentes dos Estados Unidos enquanto que o país passa ao longo do século XX as conturbadas e polêmicas segregações raciais como a existência de escolas só para negros, bebedouros só para negros e bancos reservados só para negros nos restaurantes.

Esse filme não é só uma história baseada na vida de Eugene Allen, um antigo mordomo que de fato serviu na Casa Branca. Mas é também um filme que vai traçar toda a história conflituosa entre racistas e negros em um país onde o ódio, a segregação racial e o preconceito eram ainda mais presentes do que a justiça.

A cronologia desta história é muito interessante de ser acompanhada. Enquanto vemos a evolução da história dos EUA com Cecil sendo mordomo de vários presidentes do país e tendo que lidar com sua vida familiar conturbada pelas divergências com seu filho, a gente enxerga também a construção de um movimento antirracista liderado pelo famoso Martin Luther King.

O figurino é a peça-chave do filme pois vemos como que o visual da época, principalmente dos negros do país, foi se adaptando para a liberdade conforme o passar do tempo. Por exemplo, vemos durante muito tempo as mulheres negras usando cabelos alisados sem deixarem seus cabelos crespos soltos de forma natural. Com o avanço da cultura negra com The Jackson 5 como exemplo, vemos a transformação das roupas usadas pelas pessoas negras e como elas cada vez mais estão se inserindo na sociedade emponderando suas raízes, sua verdadeira estética e não se adaptando condicionalmente a um padrão estético dos brancos. Daí que surge o black power como estilo de corte aderido tanto por homens como por mulheres.

É muito interessante também acompanhar a trajetória que assistimos dos inúmeros presidentes que aparecem. Vemos personalidades diferentes, comportamentos diferentes e atenções aos negros de forma diferentes. Mas é interessante compreendermos que de um modo geral os presidentes que assumiram nos EUA dedicaram-se a romper com o racismo no país. E para aqueles que curtem estudar história, é uma excelente opção para observar como foi a cronologia e a progressão da segregação nos EUA.

Esse filme é impecável e merece que todos possam assistir. Podemos ver a história de um país, onde sempre prometeu liberdade, pela ótica daquele que foi marginalizado. Isto é, os negros. Nada mais importa quando nós temos a oportunidade de assistirmos uma história contada por aqueles que foram durante muito tempo massacrados por serem o que eles são.

O MORDOMO DA CASA BRANCA

Diretor: Lee Daniels

Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, David Oyelowo.

Ano de lançamento: 2013

Cecil viveu a dureza da escravidão. Depois, trabalhou como mordomo na Casa Branca e testemunhou acontecimentos que mudaram o rumo da nação durante oito mandatos presidenciais. Enquanto isso, precisava ser marido e pai em uma sociedade turbulenta.

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