A Devolvida é da escritora Donatella Di Pietrantonio. Ele foi lançado em 2019 pela Faro Editorial.

Sobre o livro

Em uma pequena cidade da Itália, em 1975, uma jovem de apenas 13 anos é devolvida para a sua família biológica. Após ser criada por todo esse tempo em um ambiente acolhedor e confortável, ela descobrirá que quem ela pensava ser seus pais são, na verdade, seus tios. Esse choque poderá trazer muito mais que tristeza e confusão para ela.

O seu novo ambiente é completamente diferente do que ela estava acostumada. Se antes ela era filha única, agora ela descobre ter vários irmãos. Se os pais eram amorosos e presentes, ela descobre que os verdadeiros são distantes e indiferentes. E o luxo que ela tinha acaba ao descobrir a pobreza.

“Desde que fui devolvida a ela, a palavra mãe aninhou-se em minha garganta como um sapo que dali nunca saiu.”

Ela precisará se adaptar a um lugar que não tem certeza se pertence, aprenderá a dureza de passar trabalho e o quanto é vista apenas como A Devolvida por todos a sua volta. Mas, a grande questão é, por que ela voltou para a sua família verdadeira? Por que eles lhe deram? Por que a pessoa tão amorosa que ela acreditava ser sua mãe sumiu? É em busca dessas perguntas que ela irá, enquanto tenta se adaptar ao seu novo mundo.


Minha opinião

Sabe aquelas histórias onde o único defeito é não ser infinita? Pois é. Esse livro vibra com emoção, com sentimento e sensibilidade. A autora nos apresenta muito mais que apenas uma história, ela nos faz viver essa história. Sentimos na pele cada um dos sentimentos da nossa protagonista, a qual nunca saberemos o nome. Durante a sua narrativa descobriremos o que está escondido em cada camada desses segredos. Sofreremos com ela, nos emocionaremos e buscaremos respostas para cada uma das suas dúvidas.

A nossa protagonista não nos dá um nome. Sabemos apenas que é uma jovem, muito educada, inteligente e que até o momento do início do livro, levava uma vida feliz junto com a sua família. A reviravolta chega quando ela menos esperava. Ela é jogada em um lugar completamente diferente do que ela conhecia e com pessoas que dizem ser sua família. Ela tentará criar laços e se perguntará por qual motivo a quiseram de volta. Afinal, a família é grande e o dinheiro é curto. Ela é apenas mais uma boca para alimentar e não ganha nenhuma palavra de incentivo ou gesto de afeto daqueles que dizem ser seus pais biológicos.

Nos irmãos que ela encontrará algum conforto. Principalmente em Adriana e Vincenzo. Os dois ensinarão o pouco que sabem para ela. Enquanto os pais ignoram sua existência e a tratam como um fardo, ela seguirá procurando aprender a como se virar nessa nova vida e buscando formas de desvendar os mistérios que cercam a sua devolução. A negligência dos pais é um ponto complicado nessa trama. Ao mesmo tempo em que nos choca, nos lembra as diversas crianças que passam pelo mesmo, muitas vezes até pior perto da gente e nem sonhamos. Esse é um livro que nos faz pensar e sair da nossa zona de conforto.

“Eu era a Devolvida. Não conhecia quase ninguém ainda, mas eles já sabiam bastante a meu respeito. Tinham escutado as conversas dos adultos.”

Sua irmã Adriana, mais nova que ela, acaba sendo o seu refúgio. Munida de uma irreverência e sem papas na língua para a sua idade, essa pequena lhe apresentará uma vida mais simples e sofrida, mas onde ainda é possível amar e se divertir. Com ela, essa jovem devolvida encontrará um espaço, mesmo que pequeno, nessa família tão desestruturada.

A adaptação não será fácil. É impossível não derramar algumas lágrimas com as dificuldades que ela enfrentará. Ela conhecerá a maldade, a pobreza e como é não se sentir pertencente a nenhum lugar. E o pior de tudo para ela é esse silêncio de quem ela imaginou ser sua mãe durante todos esses anos. E a sua busca será incansável pelas respostas que essa mulher tão enigmática guarda.

“Repetia devagar a palavra ‘mãe’ umas cem vezes, até perder todo o sentido e se tornas apenas um movimento dos lábios.”

O final, já adianto, é incrível. Os motivos são devastadores e sentiremos cada sensação juntamente com ela. Com pouco mais de 150 páginas, se prepare para encontrar uma história tocante, com um fluxo intenso de sentimentos e que te deixará querendo mais. Eu poderia me perder, facilmente, em mais centenas de páginas que contassem a sua história de tanto que me afeiçoei a essa personagem que não me deu nem seu nome. A verdade, a pureza e toda a inocência perdida por essa jovem que se torna mulher tão cedo. Queria poder saber o que aconteceu no seu futuro e como ela lidou com tudo isso. Era quase como estar ouvindo a história de uma pessoa próxima a mim. Com certeza será daqueles livros que são indicação certa pra todos os meus amigos. Não deixe de ler!

 

A DEVOLVIDA

Autor: Donatella Di Pietrantonio

Tradução: Mario Bresighello

Editora: Faro Editorial

Ano de publicação: 2019

Considerado um dos grandes romances da Itália, onde vendeu mais de 250 mil exemplares, com direitos negociados para mais de 25 países, e adaptações no teatro e no cinema, a autora Donatella Di Pietrantonio traz uma história sensível e emocionante. Aos 13 anos, uma garota é levada do lar abastado onde vive para uma casa estranha e com
pessoas que dizem ser seus pais e irmãos. Na pequena cidade italiana todos conhecem sua história: ela é a criança que os pais naturais, pobres e de família numerosa, “deram” a um parente que não podia ter filhos e que este a devolveu quando a menina frequentava o ensino médio, não por maldade, mas
porque a vida pode ser mais complexa do que imaginamos e nos força a fazer escolhas dolorosas. Ela era a devolvida. Sentia-se como uma estrangeira na nova casa e, desde então, a palavra “mãe” travara em sua garganta. Privada até de um adeus por aqueles que sempre acreditou serem seus pais, ela se vê incrédula ao enfrentar o sofrimento de ser abandonada novamente de forma repentina. “Minha vida anterior me distinguiu, me isolou na nova família. Quando voltei, falava outra língua e não sabia mais a quem pertencia”. Forçada a crescer para reintegrar-se ao seu núcleo original, ela vive uma sensação de subtração, de gente esvaziada de significado, e nos ensina em meio à dor como encontrar sentido quando tudo parece desmoronar.

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