Carmilla, a Vampira de Karnstein é uma novela gótica, escrita por Sheridan Le Fanu e publicada originalmente em formato de folhetim, entre os anos de 1871 e 1872. Esta edição foi publicada pela Editora Hedra em 2013.

SOBRE O LIVRO

Uma das histórias clássicas de vampiro, e a primeira a ser protagonizada por uma vampira, ela é tida como uma das principais inspirações para o Drácula de Bram Stoker, a única história de vampiros que recebeu mais adaptações para o cinema e TV que Carmilla.
“Ela se recusava a revelar o nome da família, o brasão, o nome da propriedade em que residiam, e até o nome do país que habitavam.”
Carmilla é uma jovem de passado misterioso que acaba indo parar em circunstâncias estranha diante de um pequeno vilarejo da Estíria, estado da Áustria. Ela recusa-se logo a revelar muito de seu passado e de sua família, porém, por seu estado frágil e doente, acaba encontrando abrigo assim mesmo e quanto mais tempo passamos em sua companhia mais suspeita e misteriosa se torna sua presença.

MINHA OPINIÃO

O clima da novela, típico de um romance gótico, é um dos pontos fortes da história. Pois mesmo o subtítulo entregando de cara o que poderia ser um de seus maiores mistérios, o fato de Carmilla ser uma vampira, permanece uma aura que nos instiga a descobrir todos os detalhes dessa história. Até porque encontraremos aqui uma interpretação do que é ser uma vampira bem distinta da que chegou até nós contemporaneamente.
“A jovem me acariciou, deitou-se ao meu lado, e puxou-me para perto dela, sorrindo; acalmei-me deliciosa e prontamente, e voltei a dormir”.
Outra especificidade que chama muito atenção nessa obra é que os interesses de Carmilla são sempre homoeróticas, isto é, são jovens mulheres, e não homens, como certas pessoas poderiam supor. E a forma como a relação entre ela e Laura se desenvolve é tão sutil e bem construído que ficamos, como leitores, absolutamente encantados com as duas e até mesmo torcendo, um pouco, pela Carmilla. Senti, entretanto, que o livro deixa a desejar um pouco em termos de ritmo, pois tem um final muito apressado, principalmente se comparado com o longo desenvolvimento da relação das personagens. Ele nem precisaria ser muito mais longo; bastaria que o momento da revelação da natureza da personagem fosse um pouco antes e que esse confronto das personagens com quem Carmilla realmente é fosse antecipado (e melhor trabalhado).
“O leitor pode imaginar, também, como me senti enquanto ouvia o general detalhar manias e esquisitices que, deveras, correspondiam àquelas da nossa bela hóspede, Carmilla!”
Mesmo assim, ainda achei uma obra bem impressionante. A narrativa de Le Fanu é boa de ler, a mitologia por trás é uma mistura de diversas lendas e tradições e nos vemos diante de personagens interessantes. Tem seus limites de formato, claro, mas agradar os fãs de novelas góticas de terror, onde a trama gira mais em torno de uma certa aura sombria que em terno de sustos fáceis e passagens feitas para deixar o leitor com medo. Recomendo muito essa edição, em especial, pois além de uma tradução excelente pelas mãos de José Roberto O’Shea, conta com notas e introdução de Alexander M. da Silva que complementam muito bem a leitura. Além disso, mesmo tendo folha branca e um formato pocket, a leitura é muito agradável.

CARMILLA, A VAMPIRA DE KARNSTEIN

Autor: Sheridan Le Fans

Editora: Hedra

Ano de publicação: Ano

Primeira tradução integral e anotada de uma das mais célebres histórias de vampiro da língua inglesa. Publicada em 1872 e primeira a ser protagonizada por uma vampira, apresenta uma densa atmosfera gótica e um erotismo subjacente que marcaram época e inspiraram Bram Stoker a escrever Drácula . Alicerçada na rica tradição folclórica do leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla foi uma das novelas góticas mais populares do século XIX e, desde a filmagem, em 1932, de O vampiro , de Carl Dreyer, é objeto frequente de adaptações para o cinema, superada apenas por Drácula em número de filmes.

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