Este clássico russo teve edição de luxo publicado pela Martin Claret em 2019.

Sobre o Livro

Como é a alma daquele que se vicia nos jogos? Alexei ao conhecer os cassinos questionou a veracidade destes ambientes. Cauteloso com os jogos, mantinha a calma e não ousava fazer sua primeira aposta. Talvez ele já soubesse que uma vez dentro do jogo, não mais sairá dos vícios dele.

“(…) Por mais ridículas que se apresentem as minhas expectativas em relação à roleta, parece-me mais ridícula a rotineira e por todos reconhecida opinião de que é estúpido e absurdo a gente esperar algo do jogo. Será o jogo pior do que qualquer outro modo de ganhar dinheiro, por exemplo, o comércio?”

Mas eis que uma jovem moça na qual Alexei se vê atraído, pede que o rapaz jogue por ela. Os motivos não eram claros e ele resolveu mesmo assim fazê-lo.

Dostóievski parte sua história neste princípio. De forma curta e rápida ele traça a tragetória de um jovem rapaz que se vê cada vez mais intrigado e interessado pelos jogos. Seja por que são divertidos, viciantes e até empolgantes. Seja também pelo fato de que poderá ganhar muito dinheiro. Mas em contrapartida poderá perder mais ainda. É a partir daí que se começa o ciclo vicioso.

Minha Opinião

Este livro foi meu primeiro contato com a literatura russa. Há muita influência da literatura francesa nos autores russos como o próprio Dostoiévski. Essa influência vem desde os grandes clássicos como Os Miseráveis, Os Três Mosqueteiros… E isso fez me interessar em se aprofundar nas obras de Fiódor.

“- (…) Só sei que preciso ganhar, que esta é a minha única saída. Por isso mesmo, talvez, é que me parece que devo ganhar infalivelmente.”

Para aqueles que estão querendo conhecer este grande autor como eu, pode optar por um livro mais curto como este. Há muitas semelhanças que encontro entre os livros de Victor Hugo e Alexandre Dumas, por exemplo, com este de Dostoiévski. Isto por que estes livros possuem características únicas: a de criar uma história com um bom embasamento crítico da sociedade (no caso o vício em jogos) e a existência de personagens carismáticos. Para quem já leu o livro sabe de quem eu estou falando: a “avó”. Me diverti muito ao conhecer quem é a “avó” e seu jeito único e engraçado de conduzir as coisas. Isso sempre me atraiu nos livros clássicos desta época.

Mesmo assim, apesar da boa crítica que o autor faz e dos personagens presentes, senti que a história poderia trazer mais e desenvolver mais. Esperava algo mais intenso em relação aos sentimentos do personagem Alexei que narra a história. Mas os momentos chaves que esperamos da história, que são as idas de Alexei ao cassino da cidade alemã onde ocorre a história, encontramos, na verdade, um punhado de curtas cenas. O restante da história se concentra no diálogo entre os conhecidos de Alexei. Mesmo depois de lido o livro ainda não entendi muito bem a relação dele com estas pessoas, incluíndo Polina. Isso acontece por que ele não da muitos detalhes sobre a família de Alexei e o por quê ele está na Alemanha e não na Rússia. O autor deixa um vácuo sobre a história do personagem-narrador e tenta se focalizar nos momentos vividos no cassino local.

Fiquei chocado com algumas coisas ditas por Alexei em relação a Polina. É um sentimento um tanto peculiar que não mencionarei aqui. Mas acredito que quem já tenha lido sabe o que digo sobre isso.

Por mais que há alguns parágrafos muito longos de narrativa e diálogo eu confesso que esperava que o livro fosse denso nos detalhes. Mas na verdade não foi! Os longos parágrafos pode lhe assustar mas admito que a leitura foi muito gostosa e pouco descritiva. Isso por que realmente Dostoiévski não escolheu detalhar os lugares em que ia e sim detalhar as ações que os personagens faziam e enriquecer os diálogos entre eles. Para mim essa é a melhor coisa que um clássico pode ter e isso mostra mais ainda uma semelhança com os clássicos franceses (apesar de Victor Hugo às vezes extrapolar as descrições dos lugares da história).

“(…) Há algo peculiar na sensação que surge quando, sozinho, no estrangeiro, longe da pátria, dos amigos e sem saber o que vais comer hoje, tu apostas o último florim, o restante, o derradeiro dos derradeiros!”

Sem dúvida é um bom primeiro passo para conhecermos este autor. Já estou animado para ler os outros livros dele até por que penso que este livro não foi escrito com uma grande dedicação profunda do autor. No prefácio à obra encontramos uma informação interessante: Dostoiévski foi ameaçado a perder seus direitos autorais se não entregasse um novo romance dentro de um prazo muito curto. Daí este livro surgiu. E eu acredito profundamente que nunca se deve forçar um artista a produzir sua obra pois nunca sairá da forma como poderia sair dentro do seu devido tempo.

O JOGADOR

Autor: Fiódor Dostoiévski

Tradução: Oleg Almeida

Editora: Martin Claret

Ano de publicação: 2019

“O jogador”, de Fiódor Dostoiévski é um primoroso romance cujo teor psicológico ultrapassa os estreitos limites do gênero recreativo. Baseado num profundo conhecimento das práticas e rotinas do cassino, ele evidencia a sinistra degradação de um jovem culto e talentoso que sacrifica o melhor de si à doentia paixão pelos jogos de azar, a qual lhe subjuga e destrói, aos poucos, a alma. O protagonista, em que se percebem diversos traços do próprio autor, vê toda a sua riqueza espiritual – dignidade, força de caráter e honra cavalheiresca – levada pela estonteante rotação da roleta. Mesmo o amor, a única fonte de alegrias e esperanças que ele possui, acaba sorvido por esse redemoinho… Os vícios humanos, sejam relacionados ao jogo, como no livro de Dostoiévski, ou às drogas, como em nossa realidade cotidiana, ainda estão longe de ser extirpados, tornando O jogador tão interessante para os leitores de hoje.

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