Lançado em maio de 2021, A Biblioteca da Meia-Noite é um romance contemporâneo escrito pelo autor Matt Haig que é publicado no Brasil pelo Grupo Editorial Record

Sobre o Livro

A Biblioteca da Meia-Noite acompanha a desregular e infeliz vida de Nora Seed, uma mulher de 35 anos que acumula uma série de sonhos e relações emocionais frustradas, seja no âmbito amoroso, familiar ou social. 

Dando aulas particulares de piano e trabalhando numa loja de instrumentos musicais da pequena cidadezinha na qual morou desde criança, Nora tem um rompante catártico quando no mesmo dia perde seu animal de estimação para um acidente e é logo em seguida demitida de seu emprego. 

“Vinte e sete horas antes de decidir morrer, Nora Seed estava sentada em seu sofá velho e rasgado, rolando o feed e acompanhando a vida feliz de outras pessoas, esperando que algo acontecesse. E, então, do nada, algo de fato aconteceu.”

Desesperada diante do sentimento de fracasso e solitária por conta das brigas que a separaram do irmão e da melhor amiga, Nora tem uma crise depressiva e decide tirar a própria vida. Contudo, ao invés de morrer, ela é transportada para a biblioteca da meia noite, um espaço místico localizado além do tempo que serve como um último portal de chances para Nora: na Biblioteca, ao escolher um livro novo, Nora pode viver uma vida diferente com base nos arrependimentos que acumulou e na chance de viver as escolhas de vida não tomadas. 

Seria essa a segunda chance ideal para alguém que já havia tido tantas decepções? Uma nova vida que consertasse os arrependimentos do passado é mesmo a resposta para tudo que Nora precisa? Qual o preço a se pagar pelos caminhos não tomados que deixamos escorrer? São essas algumas perguntas que Nora precisa fazer a si mesma enquanto busca a segunda vida perfeita que a salvará da morte e da frustração que a levaram ao suicídio na sua existência original. Nora irá conseguir encontrar a vida perfeita? Ou vai descobrir que cada decisão tem seu conjunto de consequências positivas e negativas não importa qual direção ela tome? 


Minha Opinião

Quando comecei a ler “A Biblioteca da Meia-Noite” percebi o quanto minhas expectativas em torno da promessa da sinopse e o que encontrei ao entrar em contato com as palavras do livro não estavam alinhadas. Histórias de viagem no tempo e de segundas chances em outras vidas são algumas das minhas tramas de ficção especulativa favoritas, mas o que A Biblioteca da Meia-Noite oferece é uma narração marcada por obviedades e um desenvolvimento que desperdiça o potencial narrativo singular que a Biblioteca oferece.

Nora é uma protagonista que possui muitos arrependimentos e cada nova vida que ela abre em um livro oferece um mar de possibilidades de reflexão e desenvolvimento que o livro subaproveita. Os primeiros capítulos são extremamente corridos, todo o impacto emocional das dúvidas e medos de Nora não são bem apresentados em termos de escrita e narrativa e há uma pressa desnecessária em fazer a personagem pular de uma vida para outra que tira o peso emocional das lições que Nora vai vivendo em cada situação nova. 

Acredito que, no meio da trama, essa questão do ritmo picotado melhora e temos alguns capítulos muito interessantes que exploraram micro arrependimentos da personagem de forma mais tranquila, dando tempo para que cada reflexão seja apresentada ao leitor e assim firmando suficientes bases de discussão que tornam a história interessante. Mas a quantidade de vezes em que isso acontece não bate com a quantidade ainda maior de capítulos em que esse desenvolvimento não é aproveitado da forma que poderia. 

“Entre a vida e a morte, há uma biblioteca – disse ela – E, dentro dessa biblioteca, as prateleiras não tem fim. Cada livro oferece uma oportunidade de experimentar outra vida que você poderia ter vivido. De ver como as coisas seriam se tivesse feito outras escolhas… Você teria feito algo diferente, se houvesse a chance de desfazer tudo de que se arrepende?” 

Os personagens secundários que aparecem nas memórias e nas vidas de Nora também são muito pouco explorados, todos estão ali para passar para a protagonista uma lição, porém, sem ter acesso ao desenvolvimento narrativo deles de forma clara e bem feita, essas lições soam como discursos de auto ajuda vazios, não ganham substância e acabam tornando a leitura até mesmo repetitiva, depois de alguns capítulos a fórmula fica óbvia: Nora entra em uma vida nova, descobre que nem tudo são flores, recebe uma lição, vai para a seguinte.

A dinâmica engessada complica até mesmo final do livro, que em parte foi a maior decepção de toda a execução narrativa: por não ter desenvolvido com a devida calma os medos de Nora e as lições de amadurecimento que ela, em tese, recebeu, o final é vazio e quase irreal de se acreditar. É tudo idealizado demais para uma história que estava tão concentrada em expor as dificuldades diárias da existência humana. 

Por conta disso, o tom do livro é extremamente instável e as discussões são muito pouco rentáveis ou críveis. A protagonista não ganha o leitor e nem cresce de verdade, a sensação ao final é que andamos com Nora por vários capítulos repetitivos em vidas novas para chegar ao final e ela mudar um único detalhe da sua percepção de mundo sem ter nenhuma justificativa plausível para tal mudança. É uma pena que essa tenha sido a execução da história, uma vez que o conceito da sinopse e do elemento da Biblioteca mística recheada de segundas chances eram realmente elementos ficcionais com grande potencial. Se há um bom ponto a ser mencionado sobre o livro, é que, de fato, a leitura dele é rápida, justamente pela pressa a que os fatos narrativos são submetidos. No mais, é uma leitura pouco impactante. 

A BIBLIOTECA DA MEIA-NOITE

Autor: Matt Haig

Tradução: Adriana Fidalgo

Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2021

A Biblioteca da Meia-Noite é um romance incrível que fala dos infinitos rumos que a vida pode tomar e da busca incessante pelo rumo certo. Nesta edição limitada, você ganha outro exemplar do livro embalado para presente. Aos 35 anos, Nora Seed é uma mulher cheia de talentos e poucas conquistas. Arrependida das escolhas que fez no passado, ela vive se perguntando o que poderia ter acontecido caso tivesse vivido de maneira diferente. Após ser demitida e seu gato ser atropelado, Nora vê pouco sentido em sua existência e decide colocar um ponto final em tudo. Porém, quando se vê na Biblioteca da Meia-Noite, Nora ganha uma oportunidade única de viver todas as vidas que poderia ter vivido. Neste lugar entre a vida e a morte, e graças à ajuda de uma velha amiga, Nora pode, finalmente, se mudar para a Austrália, reatar relacionamentos antigos – ou começar outros –, ser uma estrela do rock, uma glaciologista, uma nadadora olímpica… enfim, as opções são infinitas. Mas será que alguma dessas outras vidas é realmente melhor do que a que ela já tem? Em A Biblioteca da Meia-Noite, Nora Seed se vê exatamente na situação pela qual todos gostaríamos de poder passar: voltar no tempo e desfazer algo de que nos arrependemos. Diante dessa possibilidade, Nora faz um mergulho interior viajando pelos livros da Biblioteca da Meia-Noite até entender o que é verdadeiramente importante na vida e o que faz, de fato, com que ela valha a pena ser vivida.

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