As Outras Pessoas é o livro 019 do clube intrínsecos da Editora Intrínseca, da autora C.J. Tudor, lançado em 2020 aqui no Brasil e chegarando nas livrarias em maio deste ano.

Sobre o Livro

Gabe estava voltando do seu trabalho e o engarrafamento o obrigou a passar longos minutos esperando e desejando estar em casa, com sua esposa e filha. Mas, de repente, ele olha para o carro na sua frente e vê sua filha, Izzy, no banco de atrás, sorrindo para ele e chamando “papai”.

“Todos somos capazes de praticar o bem e o mal. Poucos mostramos nossa verdadeira face para o mundo. Por medo de que o mundo a veja e comece a gritar.”

Desesperado, Gabe liga para casa e uma detetive atende. A partir de então, toda a história da vida de Gabe muda drasticamente.


 Minha Opinião

Esse foi meu primeiro contato com a escritora, não tinha lido ainda suas outras obras já publicadas no Brasil, mesmo sabendo do grande sucesso que foi O homem de giz. Então, estava com muitas expectativas para realizar essa leitura.

No início os capítulos bem curtos facilitaram, e até lá pela página 60 cada final de capítulo encerra com uma frase que deixa o leitor ansioso para ler o próximo. Mas, acredito que começa aqui a minha grande decepção com esse livro. Todo começo de história deixa o leitor um pouco perdido, afinal estamos sendo introduzidos em uma nova narrativa. O início da história parece muito interessante, mas antes de chegar na metade do livro, senti que o ritmo caiu, e muitas coisas acontecem, mas a sensação é que a história não chegou a lugar algum, e já bem avançada na leitura, eu ainda não entendia absolutamente nada do que estava acontecendo, apenas compreendia a história de Gabe, mas ele é apenas um dos tantos personagens que a autora apresenta.

“Gabe tinha certeza de que em algum momento Robbie Williams declararia seu amor por anjos. O que era um tanto irônico numa playlist obviamente vinda do inferno.”

A autora apresenta vários núcleos de personagens, onde Gabe e sua família seria um núcleo, depois Fran e sua família, Katie e seus filhos, Harry e a esposa, e ainda a menina pálida no quarto branco. Cada capítulo é narrado em terceira pessoa e intercala os núcleos, mas parece que deu a sensação de que mesmo falando bastante sobre os personagens, não conseguimos criar simpatia por eles.

O suposto assassinato da esposa e da filha de Gabe é o grande mistério do livro, então as outras personagens vão se encaixando aos poucos na história, e a autora ainda joga um elemento sobrenatural no meio disso. Entretanto, senti realmente que a parte sobrenatural da história não fez sentido algum.

Em certos pontos, a história se torna cansativa porque há muitos “buracos” no decorrer da narrativa e o leitor não consegue entender como eles vão se encaixar. E chegando pelo final do livro, parece que já entendemos um pouco do que vai acontecer, mesmo com todos esses contrapontos da obra, e isso me pareceu como se a autora tivesse escrito pensando em um roteiro para uma possível adaptação,  onde o enredo todo é desenvolvido apenas para confundir o espectador e deixando pontas soltas.

Mesmo expondo todos os pontos negativos, também há os positivos. A escrita da autora é muito fácil de acompanhar, além de que vários momentos ela tenta trazer referências atuais e falas irônicas, que se tornam engraçadas, das personagens.

Também senti como se a escritora tentasse falar um pouquinho aqui sobre o luto, sobre o sofrimento quando entes queridos são nos tomados tão rapidamente e como simplesmente temos que seguir a vida, e acho que exatamente por isso a história de Gabe é a única entre todos os personagens que temos vontade de acompanhar até o fim.

“Porque a vida não é justa. Porque temos que escolher, e às vezes essas escolhas são difíceis. Às vezes nem temos escolha. Nem tudo pode ser consertado com agulha e linha e cola, e nem todos nós vamos terminar nossos dias numa varanda ensolarada.”

Infelizmente minha experiência com o livro não foi tão boa, achei vários pontos desnecessários e cansativos. No geral, achei uma história para passar o tempo, e que não me marcou muito.

AS OUTRAS PESSOAS

Autor: C.J. Tudor

Tradução: Giu Alonso

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2020

Uma menina pálida em um quarto branco. Mãe e filha em fuga, numa corrida desenfreada e sem destino. Uma garçonete de beira de estrada aprisionada na monotonia dos seus dias. E um pai que perde esposa e filha de maneira brutal e sem explicação. As histórias que se entrelaçam em “As outras pessoas” são peças de mais um quebra-cabeça sombrio e cheio de mistérios criado pela escritora C. J. Tudor. Gabe é o pai desesperado que, consumido por uma esperança doentia, conduz a trama do livro enquanto guia seu carro pelas estradas em busca da filha. Ela, assim como a mãe, foi dada como morta num crime não solucionado. Mas ele tem certeza de que não foi bem assim. Apesar de todas as provas que o contrariam, o homem que fez da angústia sua melhor amiga jura ter visto a filha viva em um carro desconhecido, parado à sua frente num engarrafamento logo antes de voltar para casa na noite em que perdeu sua família. Três anos depois, Gabe não tem rumo. Continua dirigindo obsessivamente pelas rodovias, tentando encontrar um caminho que o leve à solução do mistério. Mas é longe da estrada, nos cantos mais obscuros e doentios da internet. que ele acaba encontrando as pistas que tanto procura. Quem navega pela deep web sabe dos riscos, mas ele não se importa. Quem não tem nada na vida não tem nada a perder. Assim como uma encruzilhada depois da curva, as várias histórias dessa trama se sobrepõem quando menos se espera e de forma surpreendente. Porque mesmo uma garçonete desencantada e entediada pode guardar informações que ninguém imagina. As figuras mais isoladas e enigmáticas podem um dia se converter em grandes aliados. Os personagens à margem da sua vida podem ser mais relevantes do que parecem. E os limites que separam o bem e o mal podem ser apenas pontos de vista diferentes. Enquanto isso, uma nota de piano soa no quarto branco de uma menina pálida…

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