Medo Imortal é um livro que reúne contos brasileiros de terror. Foi organizado por Romeu Martins e publicado pela Darkside Books em 2019.

Sobre o Livro

Reunindo 13 autores principais que compõem a literatura brasileira clássica entre os séculos XIX e XX, a Darkside junto com Romeu Martins traz uma reunião dos principais contos góticos, sobrenaturais, paranormais e peculiares.

A coletânea conta com: Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Bernado Guimarães, Fagundes Varela, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Afonso Celso, Inglês de Souza, Medeiros e Albuquerque, Afonso Arinos, João do Rio, Humberto de Campos, e uma participação especial de Júlia Lopes de Almeida, homenageando esta grande escritora que ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras mas não pôde participar na época por ser mulher.

Sim!, sim, minha esposa e minha sombra querida, se tua alma impaciente não esperou por minha alma, teu corpo será na morte o companheiro inseparável do meu corpo! Meus braços não te deixarão nunca mais! nunca mais! Aqui, neste peito, onde repousas agora o teu formoso rosto já sem vida, tens tu o teu túmulo! Meus últimos pensamentos e meus últimos beijos serão as flores de tua sepultura!”

Além de contos, há uma reunião de poemas um tanto peculiares e macabros que poderão mexer com o lírico dos leitores. Muitos não sabem que os principais mestres brasileiros da pena e da máquina de escrever não só eram grandes romancistas e dramaturgos como também verdadeiros escritores do horror brasileiro.


Minha Opinião

A importância da literatura brasileira pode ser comprovada com esta coletânea. Nossa forma de narrar o gótico e os elementos do horror são extremamente diferentes dos conhecidos, na época, como em Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft ou Bram Stoker. Os contos são construídos através de três elementos: a morte, as lendas e a ficção. Diferente dos autores internacionais que adquirem monstros, os nacionais acrescentam os sentimentos, a ciência, o romance e o folclore brasileiro. Nunca tive tanta oportunidade de conhecer um lado diferente dos já conhecidos autores que participam desta coletânea.

Bernado Guimarães, por exemplo, utiliza o seu conto A Dança dos Ossos com elementos de transformar o sobrenatural e o horror, que é foco da história, em uma grande lenda temida pelos moradores da divisa de Goiás e Minas Gerais. Coelho Neto em seu conto A Sombra, critica um ponto que é tema de debate até hoje: a pessoa é louca ao descobrir coisas que a ciência ainda não descobriu e que não foi comprovado? Ele não só põe em questão este questionamento como também insere o sobrenatural na sua narrativa.

Nada se compara, no meu ponto de vista, a Machado de Assis com seu conto A Igreja do Diabo que para mim ganhou total destaque para esta coletânea. Ao introduzir dois personagens na história, Deus e o Diabo, o autor faz uma critica muito importante sobre a raça humana. Ainda é possível introduzir esta crítica para os dias de hoje em âmbito político e social.

– Quem eu sou? na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, a cada instante mudando de nome e de vida. […] Quem eu sou? Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta; sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta.”

Alguns contos nos deixam a desejar por serem simplórios ou entediantes para uma sociedade moderna como a nossa. Porém, não deixam de ser importantes. Um trabalho positivo para esta obra é ter introduzido a única mulher entre os 13 autores. E afirmo que Júlia Lopes foi capaz de me surpreender tanto com sua narrativa macabra que conseguiu me chamar mais atenção do que quaisquer autores homens. Sua peculiaridade é única e incalculável.

Por fim, não pode deixar de comentar o conto Os Olhos que Comiam Carne de Humberto de Campos que não só seu título chama atenção como também sua história rápida e direta. Acompanhamos um homem que no dia seguinte acordou cego. E o que acontece com ele depois não seria uma coisa natural de se falar.

Apesar de os contos tratarem de canibalismo, folclore brasileiro (indígena e da região norte), romance e morte, assassinato e ficção, é uma experiência totalmente diferente para quem já leu os clássicos internacionais da literatura de terror ou até os atuais como Stephen King. A leitura de alguns contos como A Igreja do Diabo, certamente são mais difíceis e complexos, tornando cansativo e maçante. Mas há contos que surpreendem pela facilidade em conectar o leitor com a história. O livro é acompanhado com inúmeras ilustrações únicas de autoria de Lula Palomanes.

– […] Por que me olhas assim? Julgas-me louco, com certeza. Não, meu amigo. O que te digo é a pura verdade. […] Certas verdades quando ultrapassam os limites do conhecimento são chamadas loucuras. Portas de evasão da inteligência humana.”

O organizador traz introduções curtas e breves de cada autor com base em artigos acadêmicos de especialistas de todo o Brasil. O resultado desta edição é sem precedentes e imensurável. É uma edição com propósito de todo leitor brasileiro ter em sua estante. Um livro que nos faz se orgulhar por quem nós somos, enriquecidos por uma cultura ainda a ser explorada por sua complexidade. E assim como toda nação, nós não só possuímos uma cultura única como também uma literatura.

MEDO IMORTAL

Autor: Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães & outros.

Editora: Darkside

Ano de publicação: 2019

Mais ao sul do continente americano, no Brasil, naquele marcante ano de 1897, quarenta intelectuais se reúnem para fundar a Academia Brasileira de Letras (abl), inspirados em um modelo de agremiação de escritores já existente na França desde 1635. Cada um daqueles fundadores escolhe um patrono para nomear a cadeira que vai ocupar, e eles passam a chamar a si mesmos de imortais. A antologia Medo Imortal, mais nova integrante da coleção Medo Clássico da Darkside® Books, vem a público para mostrar que existe mais em comum entre os fatos dos dois parágrafos anteriores do que pode aparentar à primeira vista. Liderados por nosso maior escritor, Machado de Assis, aqueles intelectuais brasileiros são pessoas de seu tempo, conectados com o que estava sendo produzido nos grandes centros culturais do mundo em sua época. Nas páginas de Medo Imortal estão reunidos, além de poesias, 32 exemplares da prosa de escritores diretamente ligados à nossa principal instituição dedicada à literatura. São contos que evocam o sobrenatural, apresentam monstros, descrevem atos de psicopatas, dão o testemunho de todo tipo imaginável de atrocidades concebidas pela mente humana. Produzidos entre a segunda metade do século xix e a primeira metade do século xx, tais textos representam o que de melhor se escreveu nos primeiros cem anos de produção do terror em nosso país. Organizado pelo jornalista Romeu Martins, com ilustrações de Lula Palomanes, a lista de autores para o livro contou com a colaboração de estudos realizados pelos maiores pesquisadores do terror e do insólito das principais universidades brasileiras. São ao todo treze autores, escolhidos entre os patronos, os fundadores e os primeiros eleitos para ocupar os salões da Academia Brasileira de Letras. Entre eles, a Darkside® Books aproveitou a oportunidade de reparar uma injustiça histórica cometida naquele ano de 1897 e traz também contos da escritora Júlia Lopes de Almeida, importante nome de nossa literatura que participou das reuniões para a fundação da Academia mas que na última hora acabou sendo barrada por ser mulher em uma instituição que em seus primeiros oitenta anos só aceitou a presença de homens.

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