Milagre nos Andes: 72 Dias na Montanha e Minha Longa Volta para Casa é o livro de relatos de Nando Parrado escrito em cooperação com o jornalista Vince Rause, publicado pela editora Objetiva em 2006.

Sobre o livro

O livro conta a história do desastre aéreo que acometeu o Fairchild F-227 da Força Aérea Uruguaia 571 que transportava, entre outros passageiros, o time de rugby para um amistoso no Chile, em 1972.

A história é narrada por Nando Parrado, um dos sobreviventes e idealizador do plano que possibilitou a sobrevivência e resgate dos sobreviventes, foi ele que convenceu os sobreviventes a mandar uma equipe para buscar ajuda – em princípio composto por ele e mais dois amigos –, após ouvirem no rádio que as equipes de resgate tinham desistido de procurá-los.

Nando e os outros sobreviventes ficaram 72 dias nas montanhas suportando o frio extremo, com pouquíssimo alimento ou medicamentos para tratar os feridos. Sofreram por conta dos ferimentos, fome, avalanches e outras doenças. Em determinado ponto recorreram ao canibalismo para não morrerem de inanição.


Minha opinião

Fiquei muito interessada em ler sobre o ocorrido, após assistir ao filme Vivos (1993) com Ethan Hawke, Josh Lucas, Josh Hamilton, Vincent Spano e direção de Frank Marshall. Embora o filme seja uma adaptação do livro Alive: The Story of the Andes Survivors de Piers Paul Read, a edição brasileira está esgotada, o que me levou a escolher Milagre Nos Andes.

Li despretensiosamente, sem nenhuma expectativa e para minha surpresa fui seduzida pela escrita, pela história, pelos personagens, pelo amor, sacrifícios e a sede de viver constante nas páginas do livro.

Milagre nos Andes não é apenas um relato, mas uma homenagem aos amigos e a família – tanto os que sobreviveram como os que pereceram – é a prova que podemos superar limites inimagináveis. Como explicar a força de jovens que superaram o frio, medo, a morte, o luto, cansaço, fome e seus ideais religiosos.

A História é narrada pela ótica de Nando, um dos sobreviventes, é sabido que livros em primeira pessoa – ficcionais ou não – não são muito confiáveis e é completamente compreensível que ele tenha atenuado pontos mais impactantes, principalmente, por conta da carga trágica do acidente e da prática alimentar adotada. Ainda assim, a posição diplomática do narrador em não apontar vilões ou culpados, apesar de se perceber certa amargura em relação aos pilotos, é louvável.       

Nando e seus companheiros de time estudaram no Colégio Stella Maris (colégio católico para meninos entre 09 e 16 anos) que tinha um programa de rúgbi, segundo os padres o jogo desenvolveria a personalidade dos jogadores sob os valores do cristianismo. Surpreendentemente, O jogo se tornou uma paixão que extrapolou o ambiente escolar, sendo criado o Old Christians Rugby Club, um time particular formado em 1965, pelos ex-alunos do programa de rúgbi do Colégio Stella Maris.

Assobiamos e zombamos dos pilotos quando os vimos no aeroporto. Começamos a provocá-los e a questionar a sua competência. (…). É impossível saber se nosso comportamento influenciou ou não a decisão deles – sem dúvida, pareceu deixá-los apreensivos – (…).

Os rapazes estavam em polvorosa por causa do amistoso contra o Chile, após todos os arranjos para a partida, fretaram o Fairchild F-227 e embarcaram em uma viagem que duraria cerca de 3 horas, todavia notícias de mau tempo forçaram os pilotos a pousarem em Mendoza e os passageiros tiveram que pernoitar, atrasando a viagem. O mau tempo persistia, mas os pilotos optaram por seguir viagem, após serem hostilizados pela tripulação.

O avião caiu na cordilheira dos Andes e das 45 pessoas que embarcaram, entre passageiros e tripulantes, apenas 16 voltaram para casa. Para sobreviverem ao frio tiveram que tirar as capas das poltronas, empilhar objetos para bloquear as rajadas de vento e dormir aglomerados. A comida era escassa e apesar de racionarem acabou rapidamente. Sem nenhum outro meio de subsistência os sobreviventes tiveram que se alimentar dos mortos. Uma decisão muito difícil que foi tomada em conjunto. Alguns amigos, inclusive, consentiram na violação de seus corpos, caso falecessem, pelo bem dos demais. Uma das partes mais interessantes foi a tomada dessa decisão, o medo da punição divina entre outras teses para defender ou rejeitar a ingestão de carne humana.

A queda não foi a única desgraça que acometeu os sobreviventes dos 45 passageiros, 29 sobreviveram a queda, mas apenas 16 foram resgatados. Muitos pereceram devido aos ferimentos, enfermidades, inanição, fraqueza e avalanches.

Após alguns dias, as buscas foram encerradas e os sobreviventes entraram em conflito. Parecia impossível sair daquela situação sem ajuda externa, mas se não fizessem algo todos morreriam. Após elaborarem um plano, escolherem a equipe e a data mais provável para se obter êxito, três jovens saíram para buscar socorro por conta própria. Com roupas improvisadas, nenhum equipamento ou calçado próprio para neve e pouquíssima comida, conseguiram percorrer um longo caminho nas montanhas até o Chile.

É incrível como uma única pessoa,  que se recusava a morrer nas montanhas e causar maior dor ao pai, conseguir convencer todos os demais a se unirem em prol de um objetivo que parecia risível. Parece surreal que ele tenha conseguido animar seus pares, preservando a esperança dos companheiros. O livro é fantástico, uma lição de vida, de amor, liderança e resiliência. Deveria ser leitura obrigatória!

A história foi tão marcante que existe um Museu dos Andes, em Montevidéu, com informações sobre o acidente, registros pessoais, cartas, maquetes, fotos, fragmentos do avião e teorias sobre a causa do acidente, como não havia caixa preta, não foi possível esclarecer o motivo da queda.

Segue uma lista de livros e filmes inspirados na tragédia:

Livros:

Alive: The Story of the Andes Survivors de Piers Paul Read, publicado por Open Road Media.

Sociedade da Neve de Pablo Vierci (2010) publicado pela Companhia das letras.

Tenía que sobrevivir de Roberto Canessa e Pablo Vierci, publicado pela Editorial Alrevés.

Filmes:

Os Sobreviventes dos Andes (1976) filme mexicano inspirado na tragédia.

Vivos (1993) adaptação norte-americana de Os sobreviventes dos Andes de 1976.

Alive: 20 Years Later (1993) documentário com relatos dos sobreviventes e making of do filme Vivos.

A Sociedade da Neve (2008)

I Am Alive: Surviving the Andes Plane Crash (2010) é documentário produzido pelo The History Channel.

MILAGRE NOS ANDES: 72 DIAS NA MONTANHA E MINHA LONGA VOLTA PARA CASA

Autor: Nando Parrado e Vince Rause

Tradução: Janaína Senna

Editora: Objetiva

Ano de publicação: 2006

A história completa do famoso desastre aéreo ocorrido nos Andes em 1972 contada pelo sobrevivente que salvou a vida dos outros 15 passageiros Outubro de 1972. O avião Fairchild F-227 da Forças Aéreas Uruguaia, que levava um time uruguaio de rugby acompanhado de familiares e amigos para um amistoso no Chile, cai em algum lugar nas profundezas dos Andes. Dos 45 cinco passageiros a bordo, 29 sobreviveram à queda e apenas 16 são resgatados com vida naquele que ficou conhecido com um dos mais célebres desastres aéreos da História. Em “Milagre nos Andes”, o uruguaio Nando Parrado – principal responsável pelo resgate de seus amigos nas montanhas após 72 dias de agonia – é o primeiro dos sobreviventes a contar, com extraordinária franqueza e sensibilidade, a sua própria versão do acidente. O resultado supera o simples relato de uma aventura real: é um olhar revelador sobre a vida à beira da morte. Escrito em parceria com o escritor americano Vince Rause, Milagre nos Andes é o exemplo perfeito de quando a realidade supera, e muito, o mais criativo dos enredos ficcionais.

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