O Pior dos Crimes foi escrito pelo jornalista Rogério Pagnan e publicado em 2018 pela editora Record.

SOBRE O LIVRO

O livro relata um dos casos de maior clamor público nas últimas décadas: uma criança de cinco anos foi arremessada da janela do 6º andar de um prédio e os principais suspeitos são o pai e a madrasta da menina, Isabella Nardoni.

Construído em ritmo de thriller policial/psicológico o autor busca apontar alguns dos pontos principais que permearam o caso: falhas policiais (e periciais), verdades, mentiras e convicções criadas pela grande divulgação do caso pela mídia. Entrando de fato na “história” do livro, este é o relato de um crime ocorrido no dia 29 de março de 2008 quando a garotinha foi atirada ainda com vida pela janela do apartamento do pai Alexandre Nardoni e da madrasta Ana Carolina Jatobá na zona norte da capital paulista e falecendo pouco tempo depois de dar entrada no hospital.

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.” – Friedrich Nietzsche

Sendo um livro reportagem, após várias pesquisas e acompanhamento pessoal do caso, Rogério Pagnan o escreve de forma a confrontar o caso sob um olhar crítico e cheio de questionamentos como por exemplo: as pistas mal perseguidas no caso, os depoimentos de suspeitos com “pegadinhas”, a realização de pressões indevidas buscando obter confissão por parte dos acusados, perícias criminais descuidadas e a sede do Ministério Público pelos holofotes. A grande proposta é fazer com que o leitor se questione se o caso foi um erro judicial ou se existem elementos suficientes para a condenação.


MINHA OPINIÃO

É importante considerar que aqueles que se sintam sensíveis a relatos de agressões físicas, verbais e detalhes da investigação devem ponderar a leitura.

Inicialmente é preciso dizer que a frase do filósofo Friedrich Nietzsche, utilizada para abertura do livro, foi inserida ali propositalmente a fim de preparar o leitor para ser questionado a todo tempo, não só pelos fatos narrados, mas por si mesmo e pelo autor que em alguns momentos, de forma direta.  Um exemplo claro disto está na distribuição dos capítulos que por vezes apresentam títulos em forma de perguntas, afirmações “duvidosas” e um prefácio arrebatador.

Quanto a este último, é sem dúvida o que contribui para que a narrativa tenha um clima de suspense e thriller policial, como se a história narrada fosse algo muito distante do leitor, como por exemplo: o caso de uma família australiana que perde a filha para um animal selvagem e acaba sendo condenada por assassinato. Estranho? Nem tanto…

O autor utiliza do caso para apontar alguns elementos chave em uma investigação e criar uma conexão entre o crime brasileiro e o incidente ocorrido do outro lado do mundo, sendo eles o fato de que a população acometida pela emoção e clamor social declara as versões dos acusados como inverossímeis e fazem das mulheres envolvidas as principais culpadas; as condenações baseadas em provas periciais passíveis de erros metódicos e afirmações frágeis feitas por peritos envolvidos em polêmicas; a Promotoria julga a versão dos suspeitos como fantasiosa e por fim, o fato de que nos dois casos, os casais se declaram inocentes durante todo o processo.

“Pelo amor de Deus, Filha. Rua Santa Leocádia, 138. Tem ladrão no prédio, jogaram uma criança la em cima, pelo amor de Deus….”

Para construir a obra o autor se vale de testemunhos como este, do “Sr. Lúcio” um dos moradores do prédio e o primeiro a entrar em contato com a soldada Roseli Martines pelo telefone após se dar conta do terrível acontecido. A emoção dos “personagens” dessa trágica história, misturada aos relatos jornalísticos adquiridos através de pesquisas e acompanhamento pessoal do caso fazem deste um livro arrebatador em seus piores sentidos…

Sendo estudante de Direito e tendo algumas lembranças sobre a época do caso confesso que em alguns momentos me senti contrariada, por assim dizer, ou irritada por parecer que a narrativa traria um ponto de vista que defendesse os réus, mas na verdade, a ideia é embasar os fatos antes de chegar a conclusões, o que é feito com maestria por Rogério ao utilizar explicações simples e simbólicas e linguagem acessível a todos os perfis de leitores que se interessam por casos como este:  O que ocorre dentro de cada ser humano, o que a psique utiliza como justificativa que leve um ser humano a tirar a vida de outro?

Apesar de ser uma leitura à qual já iniciamos conhecendo o desfecho, a experiência de cada um é única diante dos fatos apontados, e longe da apresentação de pontos que reforcem a tese vencedora (Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá foram considerados culpados pelo crime) mas sim apontando falhas e questionamentos sobre a investigação realizada no país e principalmente quanto ao judiciário e no que este embasa suas decisões e condenações, realizando uma critica a certo ponto, construtiva.


Para os curiosos:

Quanto ao caso narrado no prefácio, sendo uma história real protagonizada pelo casal  Lindy e Michael Chamberlain. Foi imortalizado quando ganhou um longa metragem intitulado “Um grito no escuro” – 1988 e também em um livro de mesmo nome. O filme é encontrado na íntegra no Youtube.

Já em relação ao caso propriamente narrado no livro de Rogério Pagnan existem diversos documentários disponíveis assim como livros….

O PIOR DOS CRIMES

Autor: Rogério Pagnan

Editora: Editora Record

Ano de publicação: 2018

A história completa do assassinato que chocou o Brasil Construído em ritmo de thriller, O pior dos crimes esmiúça o trágico caso que conseguiu estarrecer a opinião pública de um país rotineiramente violento. Em 29 de março de 2008, Isabella, de 5 anos, foi atirada ainda com vida pela janela do sexto andar do apartamento do pai, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte da capital paulista, e morreu pouco depois de chegar ao hospital. O que se seguiu foi uma investigação e um processo repletos de pistas mal perseguidas, depoimentos de suspeitos com “pegadinhas”, uso de informações falsas, pressões indevidas para a obtenção de confissões, perícias criminais deficientes e um Ministério Público empolgado com os holofotes. Se o caso Nardoni representou ou não um erro judicial, se houve elementos suficientes para uma condenação “acima de qualquer dúvida razoável”, o leitor será capaz de dizer a partir da leitura deste instigante livro-reportagem.

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