Lançado no Brasil em 2019, O Verão Que Mudou Minha Vida é escrito por Jenny Han e foi publicado pela editora Intrínseca.

Sobre o Livro

O Verão Que Mudou Minha Vida acompanha a vida de Isabel, uma adolescente de 16 anos que em todos os verões vai com a mãe e o irmão para a casa de Susannah, melhor amiga de anos de sua mãe. Lá, ela também encontra Conrad e Jeremiah, filhos de Susannah, melhores amigos de seu irmão e cuja vida inteira encararam ela como uma irmã postiça mais nova. Belly, agora mais velha e diferente do que eles lembrariam do verão anterior, sempre foi apaixonada por Conrad, mas nunca conseguiu que ele a visse como qualquer coisa além de uma criança.

“Eu ficava sentada perto do aquecedor nas aulas de história imaginando o que eles estariam fazendo, se também estariam esquentando os pés em outro lugar. E contava os dias para o verão começar. Para mim, era quase como se o inverno nem existisse; só o verão realmente importava. Minha vida era contada em verões. Como se eu não vivesse de verdade até junho, até estar naquela praia, naquela casa.”

Cansada de ser excluída por ser sempre a única menina e ainda a mais nova do grupo, nesse verão ela está determinada a se divertir. Na companhia de pessoas com quem ela vai se envolver nessa jornada e buscando ignorar seus problemas familiares, Belly vai precisar lidar com a resolução de que aquele verão talvez seja o último em que ela estará na companhia de todas as pessoas que construíram sua infância.


Minha Opinião

Conheci a narrativa de Jenny Han graças ao “Para todos os garotos que já amei”, livro que foi bastante divertido de acompanhar e rendeu uma das histórias mais fofinhas que li há um tempo. Pensando nesse histórico, quando fui ler “O Verão que mudou minha vida”, tinha alguma boa quantidade de expectativas que talvez tenham feito com que a leitura não fosse tudo aquilo que eu imaginei que seria. Apesar da trama leve, fluente e divertida, o livro demorou para engatar e custou uma boa dose de força de vontade para ser terminado.

Acredito que parte disso decorra da narração da protagonista. Aos 16 anos, é compreensível que diversas atitudes de Belly sejam impensadas, confusas ou infantis, mas em determinados momentos tais comportamentos extrapolavam o limite do que poderia ser divertido e viravam algo irritante de se manter lendo. Não ajudava que os interesses amorosos da personagem também não fossem bem construídos como em outros livros da autora, aqui, Conrad, Cam e mesmo Jeremiah parecem ecos vazios de personalidade com os quais a protagonista, as vezes, parece brincar. E, aquele por quem ela tem a paixonite desde criança, Conrad, em nenhum momento é mais do que o clichê do personagem “bad boy”, o que torna incompreensível as razões que levam Belly a dedicar-se tanto a obter a atenção dele.

“Quando eu nadava sozinha, à noite, tudo ficava muito mais nítido. Ouvir minha respiração enquanto levantava e afundava a cabeça me acalmava e fazia com que eu me sentisse forte e tranquila. Como se eu pudesse nadar para sempre.”

Os plots mais interessantes da história acabam caindo nos personagens secundários. Susannah e a mãe de Belly tem uma amizade muito bonita, contada em pequenos momentos pela narradora e a jornada de Susannah contra o câncer poderia render momentos mais íntimos de troca familiar entre Belly e a mãe, mas não chega a acontecer nenhuma interação desse tipo. Outros enredos, como a presença de Cam, um pouco mais bem desenvolvido do que os outros dois meninos presentes, também foram bons momentos na trama e que teriam tornado a leitura mais especial se tivessem durado mais tempo.

O livro parece desperdiçar o potencial que tinha em trazer discussões sobre como fica uma família quando uma figura tão importante quanto a mãe descobre uma doença grave como um câncer avançado, além da questão da separação dos pais de Belly ter modificado a dinâmica familiar dela e afetado sua relação com o irmão e a mãe. Bem como a introdução do tema da raiva contida de Conrad em relação ao que a mãe estava passando.

Tais temas aparecem, mas somem em meio as descrições superficiais da protagonista, que não consegue decidir-se sobre o que sente e ao invés de fazer disso uma alavanca na narrativa, acaba tornando a jornada bem enfadonha. Acredito que isso acabe acontecendo por esse ser um livro que a autora produziu bem antes em sua carreira, o que por um lado é positivo ao vermos o quanto ela evoluiu em “Para todos os garotos que já amei” que apresenta temáticas importantes e personagens bem mais construídos.

De todo modo, o livro ainda pode agradar quem não tem problema com esses desvios narrativos e queira se divertir com uma história levinha, simples e direta, sem grandes momentos e que é fácil de ser lida em um fim de semana.

O VERÃO QUE MUDOU MINHA VIDA

Autor: Jenny Han

Tradução: Mariana Rimoli

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2019

Da mesma autora da série Para todos os garotos que já amei A vida de Isabel Conklin é marcada pelas férias de verão. As outras estações do ano são como um intervalo, dias que passam lentamente enquanto ela espera que o sol lhe traga de volta o que mais ama: o mar, descanso, diversão e, principalmente, Conrad e Jeremiah Fisher. Os garotos da família Fisher sempre estiveram ao lado de Belly em suas aventuras. Conrad é ousado, sombrio, inteligente. Já Jeremiah, é confiável, engraçado, espontâneo. Mesmo sendo tão diferentes, os três constroem uma amizade que parece inabalável. Apenas parece. Tudo muda quando, em uma dessas férias, Conrad demonstra sentir algo por ela. O problema é que Jeremiah faz o mesmo. À medida que os anos passam, Belly sabe que precisará escolher entre os dois e encarar o inevitável: ela vai partir o coração de um deles. Na trilogia Verão, acompanhamos Belly dos 15 aos 24 anos. Em meio a descobertas e mudanças, ela se apaixona, se envolve em um triângulo amoroso, entra na universidade e descobre que amadurecer também significa tomar decisões difíceis. Primeiros romances jovens de Jenny Han, os três livros são agora relançados pela Intrínseca, com novas capas e traduções inéditas.

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