Os Pergaminhos Vermelhos da Magia é o primeiro livro da trilogia As Maldições Ancestrais, da escritora norte-americana Cassandra Clare em parceria com o autor chinês Wesley Chu, publicado em 2019 pelo Grupo Editorial Record.

Sobre o Livro

Passando-se durante o período entre Cidade de Vidro e Cidade dos Anjos Caídos, Os Pergaminhos Vermelhos da Magia acompanha as férias românticas de Magnus Bane e Alec Lightwood, dois dos personagens mais famosos da série Os Instrumentos Mortais e provavelmente o casal mais conhecido já criado dentro do universo das sombras de Cassandra Clare.

Magnus e Alec decidem curtir um momento de tranquilidade após os eventos finalizados em Cidade de Vidro e, decididos a investir em seu relacionamento, os dois partem para uma viagem por Paris na busca de conhecerem melhor um ao outro. Acontece que, quando um feiticeiro e um caçador de sombras assumem seu relacionamento para o mundo, uma porção de segredos e inseguranças pessoais assolam em volta deles para atrapalhar o que seriam as férias românticas perfeitas.

Um guerreiro escolhido pelos anjos e o filho bem-vestido de um demônio, apaixonados e a fim de uma aventura pela Europa. O que poderia dar errado?”

Magnus tem segredos que talvez não queira contar a Alec e Alec sente medo de estragar tudo. Magnus nunca precisou ser protegido, mas Alec protege todo mundo que ama. Em meio ao início de um namoro novo para ambos, os dois vão ter que lutar contra os atos perversos de um culto misterioso que dizem que foi Magnus quem fundou. Mas o feiticeiro não lembra de ter feito isso, e Alec precisa decidir se confia no namorado ao ponto de desafiar as leis da Clave.

Enquanto percorrem as grandes cidades da Europa, Magnus e Alec buscam descobrir o que está por trás do culto obscuro que está matando fadas e ameaçando invocar um demônio maior enquanto caminham pelo passo a passo de um relacionamento que é importante para ambos, mas que é ameaçado por todos os lados, inclusive por eles mesmos.


Minha Opinião

A primeira coisa necessária de se dizer é que, infelizmente, esse livro funciona melhor para quem já tenha lido pelo menos os três primeiros livros de Os Instrumentos Mortais. Há uma boa quantidade de spoilers sobre o destino dos personagens após Cidade de Vidro, além de todo o início da interação entre Magnus e Alec que ocorre na primeira parte da trilogia.

Considero isso uma pena, pois, apesar de tudo, Os Pergaminhos Vermelhos da Magia é um livro divertido, romântico e acalentador, seria gratificante ver Magnus Bane e Alec Lightwood conquistando um público novo que fosse independente da primeira trilogia.

Dito isso, afirmo que é difícil falar racionalmente sobre um livro que foi tão aguardado por anos. Magnus e Alec foram os personagens mais queridos do universo das sombras e desde os primeiros livros de Os Instrumentos Mortais era pedido que os dois tivessem a chance de brilhar por si mesmos.

Aos poucos, a Cassandra Clare foi dando espaço para que eles crescessem, afinal, ela nunca escondeu que Magnus Bane era seu personagem favorito. Uma das explicações para eles terem ficado tanto tempo longe de ter uma trilogia própria é que, no começo de sua carreira como escritora, Cassandra Clare viu seu livro ser censurado em bibliotecas e pela própria editora por ter “conteúdo sexual” na relação entre Magnus e Alec.

“Alec sempre acreditara na Lei, mas se a Lei não protegia Magnus, a Lei deveria mudar”

Acontece que os dois sequer chegam a se beijar nos dois primeiros livros de Os Instrumentos Mortais, mas simples declarações de amor entre eles já foram o bastante para que o livro fosse tirado das prateleiras de alguns países.

A pressão da editora para diminuir ao máximo a interação entre eles fez com que até mesmo a cena do primeiro beijo dos dois fosse liberada como um extra, fora do livro principal, enquanto que os demais casais com relações heterossexuais da saga tinham cenas de interação e romance muito mais explícitas e não incomodaram ninguém.

Certa de que precisaria de espaço e poder para finalmente conseguir colocar Magnus e Alec no papel que eles mereciam, Cassandra Clare já contou em seu Tumblr que foi um alívio ver que os próprios leitores pediam mais.

Queriam ver os dois juntos, ver como eles cresciam e graças ao apoio dos fãs, Magnus e Alec tornaram-se personagens centrais da saga principal, figurando como presença essencial para o desenvolvimento da trama e a resolução dos problemas que a saga inicial tinha apresentado.

Depois disso, eles aparecem protagonizando contos em livros extras produzidos pela autora, e tudo isso solidificou o espaço para o que temos agora: o primeiro livro da trilogia protagonizada por “Malec – o nome que os fãs deram ao casal.

Porém, como um livro publicado anos depois do encerramento de vários arcos passados em trilogias publicadas anteriormente, Os Pergaminhos Vermelhos da Magia perde por mostrar algo que os leitores já tinham presumido. A leitura passa muito mais uma sensação de “leitura extra” do que realmente a ideia de ser “o primeiro livro de uma trilogia nova”.

Talvez uma história que mostrasse o futuro deles para além dos problemas das trilogias principais soasse mais condizente com o momento em que os dois estão dentro do cânone temporal. Contudo, apesar da história parecer deslocada, a afeição de um leitor que já conhece esse universo e esses personagens permite que a história seja apreciada apesar dos pesares.

Um dos toques mais marcantes da escrita da Cassandra Clare é o quanto ela é boa em descrever os pensamentos de seus personagens, tornando o contato entre o leitor e eles algo fácil de ocorrer.

Em poucas páginas, dá para se envolver com o que o personagem passa e isso é feito na dosagem suficiente para que o leitor siga até o final do livro sem pestanejar. Há falhas, como a mencionada acima, mas também há carinho por dois personagens tão queridos para quem acompanha eles desde muito tempo.

Acompanhar o começo do que foi o relacionamento deles dois é estranho, mas fofo e traz aspectos novos que vão reverberar em contos que se passam anos no futuro da linha temporal.

Quase como se fossem ester eggs, a autora sabe colocar aquilo que vai fazer os fãs mais assíduos exclamaram um “Ah, foi aqui que começou aquilo!” e faz os não tão presentes dizerem “own, isso é realmente fofo”.

É fácil gostar de Magnus e Alec, principalmente quando a escrita da Cassandra Clare permite que eles sejam ainda mais abertos do que jamais foram em Os Instrumentos Mortais.

“- Magnus, eu sou um Caçador de Sombras. Destruir demônios e seus adoradores é parte do meu trabalho. É a maior parte do trabalho. E mais importante ainda, alguém tem que cuidar de você. Você não vai me largar aqui.”

Contudo, há um elemento novo aqui: a escrita de Wesley Chu. Como co-autor de um livro que é tão fortemente marcado por personagens tão conhecidos, é difícil diferenciar o que é Wesley Chu do que é Cassandra Clare no início. Só aos poucos, diferenças de escrita entre ambos começam a ser apresentadas. A narração de Alec funciona de um jeito, a de Magnus de outro.

É nessa dicotomia que entendemos onde está a voz de cada um e também o momento em que essas vozes se unem em uma narração só. Seria interessante descobrir quais partes foram escritas por quem, mas também é uma tarefa divertida tentar pensar nisso por si durante a leitura.

Pensando que esse é o primeiro livro de uma trilogia, os outros dois talvez deixem mais marcado a escrita de ambos, então é algo interessante de observar para os próximos livros.

Uma das problemáticas mais presentes do livro é o quanto Magnus e Alec estão sendo constantemente julgados pelos demais personagens. Alec vem de uma cultura extremamente conservadora e rígida que até pouco tempo atrás matava os integrantes do submundo sem dó.

Se Magnus, só por ser feiticeiro, já não seria bem visto ao lado de Alec, essa visão negativa triplica quando ele é um homem feiticeiro ao lado de um homem caçador de sombras.

“A lei é dura, mas é a lei”, o lema dos caçadores de sombras, cerca o mundo dos dois e implica uma série de decisões que Alec precisa tomar para si. Seguir a cultura dos seus pais é deixar Magnus ser soterrado por eles. Não seguir é assumir para si o desafio de ter sua voz ouvida até o ponto de mudar as leis. A relação disso com o mundo real é bem clara.  

“Caçadores de Sombras respeitáveis não devem levar gente da minha laia para conhecer o papai e a mamãe. Eu tenho um passado. Eu tenho um monte de passados. Além disso, bons meninos Caçadores de Sombras não devem levar seus namorados para casa. Só que Alec tinha feito isso.”

Há também uma dinâmica de interação com traumas do passado que cercam o personagem de Magnus Bane, apresentando as questões sobre família abusiva e crianças que são abandonadas por serem diferentes.

Magnus Bane guarda muitos segredos, um deles é o trauma que sua infância lhe causou e tratar disso no livro mostra uma discussão interessante sobre o mal que uma infância ruim pode proporcionar durante toda a vida de uma pessoa.

De um modo geral, Os Pergaminhos Vermelhos da Magia é um livro feito para o coração dos fãs. É preciso amar esses personagens para deixar que a sensação de deslocamento passe e que apenas a trama e o momento presente deles na narrativa permaneçam.

Um fã assíduo vai se encantar com os momentos de troca de confidências entre Magnus e Alec, vai ficar feliz ao reconhecer personagens que só aparecem pontualmente em outros livros da Cassandra Clare e vai adorar poder conhecer esse casal tão bem quanto conheceu os outros casais de Os Instrumentos Mortais.

Se você gosta do universo de Os Instrumentos Mortais, certamente vai gostar dessa experiência de leitura, que é divertida, cheia de amor e que ainda apresenta explicações importantes para detalhes que ficaram pendentes nos livros e contos anteriores.

O segundo livro da trilogia – intitulado The Lost Book of the White – está com previsão de lançamento para 1 de setembro de 2020 nos EUA.

OS PERGAMINHOS VERMELHOS DA MAGIA

Autor: Cassandra Clare e Wesley Chu

Tradução: Ana Resende

Editora: Grupo editorial record

Ano de publicação: 2019

Tudo o que Magnus Bane queria era aproveitar suas férias pela Europa com Alec Lightwood, o Caçador de Sombras que, contra todas as probabilidades, finalmente é seu namorado. Mas assim que os dois se instalam em Paris, uma velha amiga chega com notícias sobre um culto de adoração a demônios chamado A Mão Escarlate, que está empenhado em causar o caos em todo o mundo – um culto que, aparentemente, foi fundado pelo próprio Magnus, anos atrás. Agora, Magnus e Alec vão percorrer o continente europeu para rastrear A Mão Escarlate e seu novo e ilusório líder antes que o culto cause ainda mais danos. Como se não fosse suficientemente ruim que suas férias românticas tivessem sido desviadas do trajeto original, os demônios agora estão perseguindo todos os seus passos, e está se tornando cada vez mais difícil distinguir amigos de inimigos. À medida que sua busca por respostas se torna cada vez mais complexa, Magnus e Alec precisarão confiar um no outro mais do que nunca – mesmo que isso signifique revelar os segredos que ambos mantêm.

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