Stranger Things: Raízes do Mal é o primeiro livro oficial da série Stranger Things e foi escrito por Gwenda Bond. É um lançamento de 2019 pela editora Intrínseca.

SOBRE O LIVRO

No final dos anos 60, os EUA travava um enorme conflito na guerra do Vietnã, sendo duramente criticado por muitos cidadãos. Buscando novas formas de vencer a guerra, o governo instala na pacata cidade de Hawkings um laboratório secreto e confidencial para conduzir diversos experimentos com cobaias humanas. A frente do projeto estava o Dr. Martin Brenner, um homem cujo passado era tão obscuro quanto os experimentos que realizaria ali.

“‘Por que’ é um questionamento que sempre impulsiona a ciência.”

Thereza “Terry” Ives, uma mulher no auge de sua juventude, sente que poderia ser algo a mais na vida. Enquanto muitas pessoas defendiam a guerra no Vietnã, ela pensa que também deveria ajudar o país de alguma forma. Assim que ela fica sabendo da seleção de voluntários para o laboratório, ela sente que esse seria o seu momento se mostrar útil. E assim ela se junta a Gloria, Ken e Alice. Ela não sabe nada sobre o que são os experimentos, mas quer fazer parte.

O começo é tudo muito tranquilo, mas conforme os experimentos vão ficando rotineiros, ela e seus amigos percebem que o Dr. Brenner não fala toda a verdade sobre o que fazem ali e por qual razão, nem mesmo quais consequências podem ter por serem submetidos aos testes. Quando Terry encontra a garotinha conhecida como Eight, ela então percebe que participar do projeto foi um terrível erro, mas que agora não tem mais como fugir. Só resta a ela tentar descobrir a razão de tudo isso e, se possível, sair viva.

MINHA OPINIÃO

Que Stranger Things deixou sua marca entre os seriados, isso não é dúvida. Não apenas por saber trabalhar de forma ótima a relação entre as crianças e os adultos, mas também por nos jogar em um lugar cheio de mistérios e belezas, no ápice dos anos 80, uma das épocas mais amadas das recentes gerações. Mas outro ponto muito interessante também é que ela é ambientada com um pé na verdade. Não, o Demogorgon nunca existiu. Sim, o projeto MKULTRA existiu. E é isso que o livro Raízes do Mal busca explorar: o início desse projeto ilícito, clandestino e cruel.

No livro somos apresentados a alguns jovens que foram selecionados na universidade para participar de um programa conduzido pelo governo no então Laboratório Nacional de Hawkings, uma cidadezinha pacata do interior dos Estados Unidos. Entre os voluntários, está Terry Ives, a mãe de Eleven (mas muito antes de ela ser mãe). Terry é uma jovem com senso de ética, proativa e muito interessada em ajudar os amigos. É ela quem busca participar do projeto, tramando para ser selecionada no lugar de uma amiga que havia desistido do programa. É ela também que tenta ajudar os demais amigos a fugir dos perigos, quando então ela de fato nota a enrascada em que se meteram.

“O coordernador da faculdade acha que não tenho o direito de fazer as mesmas pesquisas que os homens. Ele acha que a universidade não deveria deixar alguém como eu se formar.”

A personalidade de Terry muda ao longo da narrativa. As experiências as quais ela é submetida vão moldando sua mente, tornando-a mais desconfiada, confiante e, ao mesmo tempo, temerosa. Estar nas mãos do Dr. Martin Brenner é algo extremamente perigoso, e ela melhor do que ninguém sabe disso. Afinal, os experimentos dão a ela acesso à habilidades até então saídos de quadrinhos de ficção científica, e Brenner está disposto a usá-la até o limite para entender essas habilidades e como usar isso a favor das guerras.

Já o Dr. Brenner, este se mantém misterioso tal como a série nos apresentou. Não sabemos muita coisa sobre ele, apenas que está mais do que confiante que os experimentos com as cobaias humanas atingirá o objetivo: desenvolver habilidades psiônicas, estudar elas e entender como usar elas em um momento de necessidade. Ele não se importa muito se as vítimas correrão riscos, ou mesmo se isso é certo ou nao de ser feito. Ele apenas quer encontrar as respostas. O progresso pela ciência, como ele mesmo diz.

“Será que a experiência de Terry tinha sido tão diferente assim para ela confiar cegamente nas palavras dele? Alice achava que sim.”

Mesmo tendo acesso aos dois lados da moeda na história, a autora Gwenda não conseguiu desenvolver as personalidades dos personagens de forma efetiva, o que fica transparente quando facilmente questionamos as motivações dos personagens. Por que os demais se juntaram ao projeto? Já que eles não estão presos ao Laboratório, porque não fogem, ou param de ir até lá participar dos experimentos? Para mim, senti falta de um aprofundamento neles, conhecer seus ideais e vontades mais a fundo.

Também senti falta do elemento principal da trama: o projeto MKULTRA. Em poucas passagens o Dr. Brenner comenta sobre o projeto, sua necessidade e quem o o que o financia., Apenas o que sabemos é que ele está à frente das pesquisas e que elas são financiadas pelo governo. Fora isso, qualquer outra informação do programa que enriqueceria a trama carece de uma pesquisa externa. Sendo assim, para elucidar um pouco a respeito, segue um rápido resumo.

No final dos anos 60, os Estados Unidos estavam levando o ser humano à Lua, uma disputa espacial para se tornar uma nação poderosa, já que concorria com a Rússia nesse sentido. Ao mesmo tempo, os EUA estavam participando da Guerra do Vietnã, onde milhares de cidadãos eram mortos aos montes. Como forma de buscar alternativas de vencer os conflitos, a CIA, de forma secreta, financiou um programa de pesquisa científica para obter o controle da mente. A razão disso? Caso eles conseguissem acessar informações na mente do inimigo ou até mesmo conseguir controlar ela, eles poderiam vencer a guerra fácil fácil.

Para algumas pessoas, a cor de sua pele fazia dela a candidata ideal para estudos, mas também a tornava descartável.

Mas para isso, eram necessárias cobaias humanas, tortura física e psicológica e abuso no uso de drogas como LSD. Tudo isso para estimular o cérebro a atingir o seu potencial. Claro que depois de muitos anos de pesquisa, o programa foi interrompido, mas as sequelas deixadas nas “cobaias” foram irreparáveis.

Ainda que essa parte sobre o programa não tenha sido tão explorada no livro, a autora soube aproveitar o momento para inserir algumas críticas sociais, tais como preconceito racial, discriminação e misoginia. Também aproveita para explorar os laços afetivos e demonstrar como ter amigos e confiança neles é importante.

Poderia ter sido uma história melhor? Sim, poderia. Mas convenhamos, o objetivo do livro é incrementar o universo da série, não funcionar como um spin-off dela. Logo, as tramas desenvolvidas são complementares e que podem ser reforçadas ao assistir a série. Por isso, não recomendo o livro para quem ainda não viu a série, mas fica a sugestão para quem já assistiu e quer um gostinho a mais sobre o passado da Eleven.

 

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Raízes do Mal – Stranger Things

Autor: Gwenda Bond

Tradutor: Stephanie Fernandes

Editora: Intrínseca

Ano de publicação: 2019

Uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos, Stranger Things surpreendeu espectadores de todas as idades. Agora, a poucos meses da estreia da aguardada terceira temporada, a Intrínseca lança o primeiro livro oficial da série, que explora o passado de dois dos personagens mais enigmáticos da produção: Terry Ives, a mãe de Eleven, e o dr. Martin Brenner, o homem que separou as duas. Em plena década de 1960, os Estados Unidos estão passando por profundas mudanças políticas e sociais, e Terry Ives, estudante de uma cidadezinha em Indiana, se vê à parte dos acontecimentos. Cansada de ser uma mera espectadora das mudanças à sua volta, ela enxerga sua grande chance de entrar para a história ao se voluntariar para participar de um projeto ultrassecreto do governo chamado MKULTRA, realizado no laboratório de Hawkins. É lá que ela conhece o dr. Martin Brenner, um homem cruel capaz das maiores atrocidades para alcançar seus objetivos. Terry logo se vê presa em uma trama repleta de manipulações e perigos, travando com Brenner uma guerra em que a mente humana é o campo de batalha. E sua única chance de vitória reside em uma menininha com poderes sobre-humanos e um número no lugar do nome.

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