A Redoma de Vidro, primeiro e único romance escrito por Sylvia Plath, publicado originalmente em 1963 e republicado em 2019 pela editora Biblioteca Azul.

Sobre o livro

Esther sempre foi uma garota brilhante em seus estudos. Colheu como frutos de sua dedicação à saída dos subúrbios de Boston em direção a Nova York, onde ganhou uma bolsa de estudos e um estágio em uma renomada revista de moda.

Vivendo na cidade que tinha de tudo para ser a mãe de sua promissora carreira, rodeada de pessoas influentes mas também das más companhias, uma série de revelações de sentimentos pós fatos nos mostra o quanto uma vida dos sonhos pode tornar-se um pesadelo rapidamente.

“Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. (Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.)”

Esther é uma garota extremamente intelectual e introspectiva, e isso conflitava com a rotina da carreira que estava buscando. Não se sentia bem de ver os outros achando que ela era estudiosa demais, mas agradecia por ser diferente de todas as cabeças fúteis que a cercavam, mesmo embora seguisse agindo da mesma forma de propósito.

A Redoma de Vidro nos faz assistir uma jovem brilhante que tinha tudo para estar feliz, mas não estava.


Minha opinião

As pessoas não estão erradas quando dizem que este é um livro absurdamente pesado, especialmente se você fizer o link com a vida da escritora, que se suicidou no mesmo ano do lançamento. A Redoma de Vidro é, sim, uma ficção biográfica contada em primeira pessoa numa narrativa em fluxo de consciência, o combo perfeito para que se adentre no âmago da vida e sofrimento da personagem.

Esther representa aquela pessoa que aos olhos dos outros deveria estar entusiasmada, devido ao tanto de coisas boas acontecendo em sua vida, assim como as outras pessoas que estavam vivendo as mesmas coisas que ela, mas ela não conseguia se comover com absolutamente nada. Se sentia vazia, estagnada.

Esse início de depressão é possível de ser percebido logo no início do livro, e daí por diante vamos vendo a personagem cada vez conquistando mais coisas e cada vez entrando mais num poço que se mostrava impossível de sair.

Nós, leitores, nos sentimos impotentes ao acompanhar o dia a dia dessa menina que, em muitos aspectos, nos identificamos. É quase como se nos colocássemos em seu lugar e estivéssemos tentando nos salvar também, pensando nas N possibilidades de fazer as coisas diferentes do que a personagem estava ali fazendo. O que poderíamos fazer para que a vida tomasse um curso diferente? O que poderíamos fazer para gerar um alívio naquele cotidiano esmagador? O que poderíamos fazer para nos encaixar em um mundo que parece não ter sido feito para nós?

A Redoma de Vidro causa sensações e reflexões que batem lá no nosso íntimo, nos fazendo enxergar com sentimentos que até então eram desconhecidos, quase como se a gente se fechasse junto com Esther e vivesse junto com ela todas aquelas inúmeras angústias tentando, desesperadamente, se livrar da redoma para poder respirar e se sentir livre e vivo novamente.

“Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.”

O livro tem uma narrativa fluída, mas devido a temática ser pesada, não é aquela leitura que em uma sentada você termina. Precisa-se de tempo para digerir os acontecimentos dessa obra, principalmente quando você lembra que nessas páginas estão Sylvia Plath.

 

A REDOMA DE VIDRO

Autor: Sylvia Plath

Tradução: Chico Mattoso

Editora: Biblioteca Azul

Ano de publicação: 2019

Talentosa e promissora, Esther Greenwood sai do subúrbio de Boston para trabalhar em uma prestigiosa revista de moda em Nova York. No momento de transição para uma vida cheia de responsabilidades e novos desafios, Esther entra em colapso. Em “A Redoma de Vidro”, livro publicado semanas antes de seu suicídio, Sylvia Plath apresenta mais do que um relato sobre depressão; é também um retrato do amadurecimento, da descoberta sexual e do papel da mulher na sociedade.

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