Com direção e roteiro de Greta Gerwig, aclamada por seu trabalho em Lady Bird, a obra de Louisa May Alcott, Mulherzinhas de 1868, chegou aos cinemas em janeiro de 2020 como uma nova visão da obra clássica da literatura.

A obra já havia sido adaptada várias vezes antes, com sua última tentativa nos cinemas em 1994 com Winona Ryder no papel de Jo March, Christian Bale, Claire Danes e Kirsten Dunst. Desta vez, quem toma a frente no filme é Saoirse Ronan (também protagonista de Lady Bird), Emma Watson, Florence Pugh, Eliza Scanlen, Laura Dern, Maryl Streep e Timotheé Chalamet, formando um time de peso que entrega interpretações distintas e cativantes.

Com uma montagem dinâmica que pula do presente para o passado a fim de situar o espectador sobre toda a jornada da família March, conhecemos a história dessas quatro irmãs: Jo, Meg, Amy e Beth; que junto com a mãe tem as batalhas diárias de sobreviver com pouco dinheiro, tentando ajudar ao próximo, esperando pela volta do pai da guerra e tentando encontrar o seu papel no mundo.

Uma das coisas que mais chama atenção na relação delas são suas personalidades distintas e suas visões de mundo. Jo quer ser independente, trilhar seu próprio caminho, ganhar seu próprio dinheiro vendendo suas histórias; Meg não se importa de ter uma vida mais simples apesar de gostar de atuar e pensar sobre isso; Amy é colocada pela avó como a “salvação da família”, aquela que tem a possibilidade de casar bem e poder sustentar a todos; enquanto Beth é a mais tímida mas brilha através da música.

Porém, como personagem central, é Jo com quem vamos passar mais tempo e desbravar mais de seus anseios. Ela quer se tornar uma grande escritora e luta com isso diariamente, principalmente quando se aventura em vender suas peças. Pois quase nunca o tom que ela dá pra história, que é o que quer que sua própria vida tenha é aquele que os editores esperam. E é através dela também que temos os momentos mais marcantes da trama em suas interações com a mãe, as irmãs e o vizinho e amigo Laurie.

E enquanto Saoirse Ronan dá a intensidade necessária para uma protagonista sonhadora porém também pé no chão, Timotheé Chalamet vive um galã que, ao meu ver, poderia ser um pouco menos “garotão” e ter apresentando a maturidade trabalhada ao fim do filme mais cedo na trama. Com essa demora ele acaba por não parecer a altura da personagem em suas interações e nem sempre convence.

Meryl Streep faz aparições pontuais, mas ajuda a incitar o lado cômico que se faz presente em balanço com o drama natural da narrativa. Ela é a “tia” tradicional e rica que quer as filhas do irmão buscando um futuro mais seguro e próximo do dela, enquanto se desvia das perguntas e críticas pois é “rica” e, portanto, pode fazer o que quiser.

Laura Dern, como a mãe e Chris Cooper como Mr. Laurence trazem o papel materno e paterno a trama de formas muito diferentes e nem sempre com a seriedade que seria esperada. Aliás, esse balanço existente na história foi uma das coisas que mais me cativou: você pode sair de uma cena super triste e dramática e cair em outra onde o roteiro dá um tom super leve e que vai te levar a sorrir.

A trilha sonora de Alexandre Desplat (A forma da água) e a fotografia do filme harmonizam ainda mais a trama e ajudam a também dar o tom nos momentos mais importantes. A música em si, acaba sendo um fator importantíssimo por causa de Beth, mas também acompanha óperas, bailes e as performances teatrais que as jovens encenam em sua casa.

Com críticas sociais à época e ao papel da mulher na sociedade, bem como as diferentes formas de uma jovem encarar os caminhos que tem a frente, a obra de Alcott ganha uma nova vida, sob um olhar mais atual e moderno e tende a conquistar novos públicos que poderiam não vir a se interessar pelas adaptações mais antigas. As convenções e tradições da época são abordadas de forma direta e com bom humor, o que dá leveza a narrativa.

Eu, que como boa leitora, gosto de ler as obras antes de conferir as adaptações, fiz o processo inverso aqui e sai do cinema desesperada para ler a obra original e descobrir todos os detalhes possíveis sobre a construção da autora. O clima do filme, suas mensagens e as belíssimas cenas e atuações me emocionaram e motivaram, enquanto quando fui assistir ao filme, de forma bastante despretensiosa, sequer havia assistido ao trailer e não sabia nada sobre a história.

E, vale ressaltar que mesmo com uma temática principal que parece muito feminina, o elenco masculino é equivalente e a obra pode e deve ser apreciada por ambos os sexos, pois suas reflexões são atuais e presentes ainda em nossa sociedade, além de ser um daqueles filmes gostosinhos de assistir!

Então, fica aqui a minha recomendação para conferir a adaptação de Mulherzinhas, Adoráveis Mulheres , uma olha delicada, emocionantes, empolgante e vivás .E, se empolgar, também dar uma chance ao livro, pois é sempre uma forma de saber mais detalhes sobre a história!

ADORÁVEIS MULHERES

Diretor: Greta Gerwig

Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh e mais

Ano de lançamento: 2020

As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.

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