Publicado originalmente em 1909, Anne de Avonlea é a continuação do livro Anne de Green Gables escrita pela canadense Lucy Maud Montgomery e que tem uma de suas edições publicadas em 2020 pela editora Ciranda Cultural.

Sobre o Livro

Dando continuidade a jornada de formação da agora adolescente Anne Shirley, Anne de Avonlea acompanha a atuação de Anne enquanto professora da escola local e sua relação com os demais moradores da cidade após sua estadia no Queen’s e a morte de Matthew. Com a casa ocupada apenas por ela e Marilia, Anne divide seu tempo entre reencontrar seus sonhos após não ter ido para a faculdade, enquanto estabelece novas relações com aqueles que cruzam seu caminho.

Não mais uma criança, Anne já começa a perceber o quanto o tom das conversas e das exigências ao seu redor já demandam dela uma atenção e dedicação muito maior do que qualquer coisa que ela já tinha feito antes. Conhecendo novas pessoas, como seu ranzinza vizinho, o Sr. Harrison ou a excêntrica Sra. Lavendar, Anne vai fazer novas lições, acumular algumas decepções e também ter uma boa dose de surpresa enquanto aproveita a vida pacata que Avonlea lhe concede.

“Só estou cansada de tudo… Até mesmo dos ecos. Não há mais nada em minha vida além de ecos… Ecos de esperanças perdidas, sonhos e alegrias.”

Com a chegada dos gêmeos órfãos e a sua integração com os alunos estrangeiros que chegam na escola, a menina vai precisar se reconhecer enquanto alguém que já não tem mais a mesma liberdade da infância, mas que conserva em si a boa dose de imaginação que sempre a guiou até ali. Em meio a problemas, alegrias e muito trabalho pessoal e coletivo, Anne vai passar pelo processo de deixar de ser uma jovem para tornar-se uma mulher adulta e em meio a esse crescimento confuso e por vezes doloroso, a menina terá de descobrir quais os melhores caminhos a se escolher quando o destino dá uma volta em seu mundo e te tira do rumo que você sempre deu como certo.


Minha Opinião

A primeira experiência que tive com qualquer história protagonizada por Anne Shirley foi por meio da série de TV distribuída pela Netflix, na qual as primeiras temporadas me deixaram encantada com a trama, principalmente por seguir um tipo de narrativa mais centrado no cotidiano e quase ser um romance de formação para o púbico infanto-juvenil. Curiosa para descobrir como a dinâmica da série funcionava nos livros, ao decidir ler Anne de Green Gables não esperava encontrar uma narrativa tão gostosa e leve, daquelas que desanuvia a cabeça quando precisamos relaxar e que proporciona uma sensação de volta a infância a cada passo que o livro toma. Anne de Avonlea não foi uma experiência diferente: cotidiano em sua proposta e agradável em sua execução, o livro é daqueles que podemos ler quando precisamos sentir que há coisas boas e alegres no mundo e isso o torna uma leitura muito especial.

A personagem de Anne tem um carisma e uma posição que faz com que seja possível simpatizar com ela com facilidade. Se no primeiro livro sua ingenuidade e romantismo serviam para torna-la uma criança divertida, aqui, já adolescente, seus sentimentos intensos e suas decisões que a guiam por um caminho de crescimento por vezes mais dramático do que precisaria, fazem com que a gente sinta compaixão e um pouco de pena dela por sentir tantas emoções em um mundo que não retribuiria do mesmo modo. Um dos detalhes mais especiais de Anne é também o quanto a jornada dela não é trilhada em uma linha linear, sem oscilações. Como um livro infanto-juvenil, é comum que o gênero tenha coleções de lições de moral e um caráter didático bem marcado que ensine as crianças a se comportarem e as sucessivas vezes que Anne erra e aprende cumprem com esse propósito, mas também a humanizam. Transformada em uma jovem normal, que aprende com seus erros, mas as vezes ainda os comete de novo, Anne aproxima-se do leitor e garante que sua narrativa centrada em locais domésticos ou escolares ainda seja divertida e permeada por distintas emoções.

Os tons de moralismo didático presente no livro permanecem garantidos também para as crianças, principalmente para Davy, um dos gêmeos órfãos adotados por Marilia que passa a viver em Green Gables. Responsável por cuidar do menino travesso, Anne e Davy por vezes encenam diálogos engraçados e bastante curiosos, com o menino questionando o porquê de dever seguir determinado comportamento sem nenhuma explicação lógica e também se acostumando as tradições religiosas. Davy rende diversas risadas e é garantia de ser um personagem que vai trazer aquele sopro de diversão a medida que a leitura avança.

“Talvez, afinal, o romance não chegasse na vida de alguém com toda a pompa e alarido, como um alegre cavaleiro andante. Talvez chegasse silenciosamente ao nosso lado como um velho amigo.”

As histórias paralelas as de Anne também garantem um entretenimento a mais dada a capacidade de envolvimento que a menina possui com a situação, como os casos da Senhora Lavendar e sua história de amor mal finalizada, bem como todas as interações entre Anne e seu aluno, Paul, cuja a imaginação fértil e viva lembram Anne dela própria quando criança, o que a faz incentivar o menino a seguir perseguindo seus sonhos independente do que sua avó diga sobre ele.

Com uma escrita direta, simples e diálogos repletos de reflexões metafóricas agradáveis, Anne de Avonlea é um livro com poucos acontecimentos grandiosos de trama, dado ao caráter de vida provinciana e amenidade cotidiana que toda a narrativa tem, mas cuja experiência de leitura rende envolvimento, aprendizado e uma sensação divertida de tranquilidade à medida que as páginas avançam. Assim, o livro torna-se uma ótima pedida para aqueles que já conheciam a série e tem vontade de descobrir quais adaptações foram feitas ou desfeitas, bem como seguir acompanhando Anne até o final de sua jornada que não teve como ser contada na integra nas temporadas da produção seriada. Além disso, o livro é uma ótima pedida para quem gosta de narrativas de formação estilo “Pollyanna” ou “Mulherzinhas”, cujo tom infanto-juvenil mescla-se com o caráter mais didático e leve da trama, proporcionando uma história confortável, agradável e tranquila para qualquer experiência.

ANNE DE AVONLEA

Autor: Lucy Maud Montgomery

Tradução: Rafael Bonaldi

Editora: Ciranda Cultural

Ano de publicação: 2020

Agora com 16 anos, sentindo-se quase adulta, Anne está prestes a começar a lecionar na escola de Avonlea, a realidade de seu trabalho torna-se um teste para seu caráter, surgindo várias dúvidas quanto ao seu futuro. Ela conquistou o amor do povoado e se tornou uma ativa participante de uma associação para melhorias em Avonlea. Enfim, Anne decide deixar tudo para ir atrás de seu grande sonho.

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