Lançado em 2014, As Crônicas de Bane foi a primeira coletânea de contos sobre o universo de fantasia escrito por Cassandra Clare em parceria com Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson. Foi lançada no Brasil pela editora Galera Record.

Sobre o Livro

Apresentando 10 contos que acompanham o passado e o presente do personagem Magnus Bane, o alto feiticeiro presente em papel regular dentro das demais séries do universo ficcional criado por Cassandra Clare, As Crônicas de Bane retrata a construção do personagem enquanto sua jornada para tornar-se o feiticeiro já conhecido das demais sagas e também revela suas principais conexões de amizade, aliança e amor, trabalhando suas interações em diferentes períodos de tempo.

“Magnus tinha aprendido a ser cuidadoso em relação a entregar sua história com seu coração. Quando as pessoas morriam, parecia que todos os pedaços que você entregou para ela iam junto. Demorava muito para se reconstruir e ser novamente inteiro, e jamais conseguia voltar a ser o mesmo.”

Com a presença de personagens como James Herondale e Jocelyn Fairchild, o livro introduz contos em que Magnus provoca diversas situações hilárias e perigosas em uma viagem ao Peru, interage com personagens históricos que possuem referentes na vida real, apresenta sua visão de situações ficcionais que interferem na trama das sagas principais e demonstra seus sentimentos acerca de seu par romântico nos livros. Quais segredos a vida de um feiticeiro imortal, vivo há tantos séculos, pode esconder por trás de sua máscara de sarcasmo e bom humor? Quais sentimentos esconde alguém que já amou e perdeu tantas pessoas para a mortalidade, enquanto ele permanecia imutável?


Minha Opinião

De longe um dos melhores personagens escritos por Cassandra Clare, Magnus Bane era o elemento certo para dar início a primeira coletânea de contos dentro desse universo. Reler os contos quase oito anos depois de seu lançamento permitiu que eu observasse com mais atenção como o personagem é extremamente bem construído e esse é o trunfo mais divertido do livro. Como um personagem imortal, Magnus certamente tem muitas histórias em sua vida, contudo, nenhuma delas seria transmitida de forma tão encantadora se o personagem em si não fosse muito bem modelado pela autora. Magnus é divertido, sarcástico na medida certa, empático e muito humano para um feiticeiro, fazendo com que seus contos sejam engraçados, fofos, bonitos e muito rápidos de fisgar qualquer leitor que abra suas páginas.

Com um personagem tão bom e aproveitável de diferentes formas, é uma pena que As Crônicas de Bane dependa da leitura de, pelo menos, os cinco primeiros livros de Os Instrumentos Mortais para quem não quiser correr risco de pegar algum spoiler da trama. De todo modo, para aqueles que leram a primeira série, a coletânea traz tudo de empolgante e divertido que um fã dos livros pode esperar: não apenas Magnus interage com personagens históricos – certas rainhas, por exemplo – mas como também encontra o pai de Will Herondale, vê James Herondale em seus momentos anteriores ao ponto em que o personagem se encontra na trilogia As Últimas Horas, observa com mais detalhes a deliciosa amizade entre Magnus, Ragnor Fell e Catarina Loss e também vê os momentos doces do início do romance entre Magnus e Alec.

A coletânea também trabalha a questão do preconceito de forma bem sútil, mas muito presente devido ao desenrolar da rixa entre os seres do submundo e os caçadores de sombras. O desprezo com que os caçadores tratam seres do submundo é nítido não apenas no tratamento que observamos Magnus sofrer – chamado não pelo nome, mas apenas por “feiticeiro” e visto só como um instrumento que deveria ajudar os caçadores – mas também no modo reativo como pessoas do submundo estão sempre desconfiadas dos caçadores. O conto “Os rumos do amor verdadeiro (e os primeiros encontros)”, para muito além de ser uma história que sedimenta o relacionamento entre Alec Ligthwood e Magnus Bane, é também uma narrativa que apresenta em Alec aquilo que os caçadores de sombras realmente deveriam ser: justos e protetores. Observar como Magnus vê em Alec tudo o que nunca viu na Clave é um modo muito especial de construir o próprio personagem. Sabendo o futuro dos dois e os caminhos que Alec Lightwood toma no futuro, já dá para sentir desde esses contos a construção evolutiva do personagem.

“Já tinha aprendido tantas vezes que esperança era tolice, mas não conseguia evitar, imprudente como uma criança perto de uma fogueira, se recusando a aprender com a experiência. Talvez agora fosse diferente – talvez esse amor fosse diferente.”

Inclusive, os dois contos que giram em torno do relacionamento dos dois são especiais em tantas maneiras que não tinham como ser meus favoritos. Hoje, o casal conseguiu protagonizar sua própria trilogia – com “Os Pergaminhos Vermelhos da Magia” -, mas na época que a coletânea tinha sido lançada o casal ainda tinha um espaço mais secundário devido ao receio da indústria em abrir espaço para o protagonismo LGBTQ+ e, com os contos presentes aqui, fica nítido que o espaço de secundarismo narrativo jamais foi feito para esses dois.

Certamente um dos melhores casais da saga, “Malec” – como é chamado o casal pelos fãs – tem tanto carisma, doçura e encantamento nesses dois contos que só fazem somar motivos pelos quais ambos mereciam protagonismo há muito tempo. Os contos dos dois abordam o início da aceitação de Alec consigo mesmo, bem como seu medo de revelar aos pais seu relacionamento com Magnus, e também retratam as inseguranças de ambos enquanto duas pessoas que temem ser vulneráveis demais. Genuínos e verdadeiros, os rumos da construção do amor dos dois perpassam de forma natural pelos contos e solidificam o casal ao público de forma exemplar.

Outra das melhores dinâmicas do livro é a interação entre Magnus e seus amigos. Seja Ragnor Fell ou Catarina Loss, Magnus possui nos dois amigos, também feiticeiros imortais, pilares de estabilidade e compaixão que são muito especiais de ver num livro, principalmente em momentos que precisamos de histórias leves e confortáveis. Outro relacionamento muito especial de ver ser formado é a aliança entre Magnus e Raphael Santiago. Discutindo inclusive religiosidade, a interação dos dois apresenta a origem do vampiro que aparece também em “Os Instrumentos Mortais” e seu dilema ao se tornar um ser do submundo que é “maldito” por natureza, quebrando sua conexão com a fé na qual foi criado em casa. Também vemos pelos olhos de Magnus o passado de Jocelyn e Clary Fray, tendo assim acesso ao passado de personagens de TMI que nos livros da série só ouvimos falar por cima.

De um modo geral, a coletânea foi uma ótima pedida para iniciar a publicação dos spin-offs da série. Aproveitando-se do trunfo de ter um personagem tão carismático quanto Magnus, As Crônicas de Bane é um livro divertido, rápido e encantador ao apresentar histórias sobre amor, amizade e crescimento, sendo uma ótima recomendação para leitores fãs da primeira saga dos caçadores de sombras.

AS CRÔNICAS DE BANE

Autor: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson

Tradução: Rita Sussekind

Editora: Galera Record

Ano de publicação: 2014

Spin off das séries Os instrumentos mortais e As peças infernais, que já venderam mais de 1 milhão de exemplares no Brasil. Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamadas séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

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