BTK: meu pai é um livro de Kerri Rawson. Ele foi lançado pela DarkSide Books em 2021.

Sobre o livro

Kerri Rawson, uma professora do ensino fundamental, teve sua vida virada de pernas para o ar em 25 de fevereiro de 2005. Se para muitos essa data não quer dizer nada, para ela foi o dia que descobriu que seu pai Dennis Rader, quem ela tinha uma relação muito próxima e considerava um herói, era o temido BTK ou “Estrangulador BTK”. Entre 1974 e 1991, ele apavorou a cidade de Wichita e Park City, no estado do Kansas. Ele é responsável por assassinar dez pessoas, incluindo duas crianças.

“Meu pai nos nos ensinava o tempo todo a ter medo de estranhos, a não abrir portas para quem não conhecíamos, a sermos extremamente cautelosos.”

Este é um livro de memórias que narra eventos passados na infância de seu pai, passando pela sua própria infância, até a chegada da vida adulta e a terrível notícia que ninguém espera ouvir: você é filha de um serial killer. Com relatos emocionantes e muitas passagens que nos fazem questionar como uma pessoa pode ter tantas facetas diferentes para cada pessoa.


Minha opinião

Sempre fiquei intrigada pela história do BTK sigla para bind, torture e kill (traduzindo: amarrar, torturar, matar), nome que o próprio assassino se deu quando enviou cartas à polícia e jornais descrevendo seus crimes e despertando o terror em diversas pessoas. Ele aterrorizou a cidade de Wichita, no Kansas, por três décadas. Quando todos achavam que ele poderia estar morto ou preso, ele retornou e teve finalmente o desfecho e o fim da sua jornada.

Quando descobri que existia um livro da filha dele, fiquei muito curiosa para saber mais. Sempre me questionei como a família nunca desconfiou que um sádico estava entre eles; mas, ao ler os relatos de Kerri, além de outras pessoas que conheciam Rader, descobri que é possível esconder diversas personalidades dentro de uma única pessoa. Por incrível pareça, BTK conseguia esconder tudo muito bem de todos à sua volta. Ele fazia o clássico papel de marido, pai de família, cristão e membro ativo da comunidade. O que poucos sabiam é que essa pessoa era capaz de matar de maneira cruel. Não era apenas uma questão de ceifar vidas, mas a brutalidade e a forma como ele finalizava o seu trabalho.

“Meu pai não decidiu de um dia para o outro cometer assassinatos. A decisão foi se formando dentro dele, crescendo ao longo de seus 29 anos de vida. Depois de ser preso, papai falou de comportamentos desviantes ocultos que datavam de tenra idade: espionagem, perseguição, invasão, roubo, tortura de animais.”

O livro é impactante e extremamente sincero. Kerri não deixou de contar a sua visão do pai, de alguém que a protegeu e amou. Alguém que esteve sempre presente. Isso me fez questionar: e se fosse comigo? Como saber o que se passa na cabeça de quem está ao nosso lado? No caso dela, desde que ela nasceu? Enquanto lia, senti uma quantidade de sentimentos diferentes ao mesmo tempo. Aqui, esquecemos do BTK e conhecemos apenas Dennis Rader. Um pai preocupado, presente e amoroso. Alguém que tinha uma relação próxima com a filha, que dançava com ela ao som de músicas animadas e que praticava longas caminhadas em meio à natureza.

No entanto, ele também era alguém que tinha momentos ruins. Alguém que mudava quando ficava muito bravo ou quando algo não saia como o esperado. Alguém que ficava com muito tempo livre para pensar no mal quando estava desempregado. O que percebi, conforme avançava a leitura, foi o quanto Kerri e sua família também foram vítimas de toda a situação. Como tudo gira em torno das vítimas, esquecemos de analisar o quanto essa revelação afetou a vida dos seus familiares mais próximos, como tudo mudou da noite para o dia quando eles menos esperavam.

“Eu cresci ouvindo essas histórias: como meus pais tinham se conhecido, se casado e passado uma vida feliz juntos. Essas histórias se tornaram cânones na minha vida – o terreno sólido onde eu ancoraria minhas crenças no mundo. Eu gostaria de poder continuar contando apenas essas histórias, até o fim. Era o que eu esperava; era com isso que eu contava.”

Temos aqui um pouco da infância de Rader, seus primeiros anos e algumas especulações sobre momentos da sua vida. Ele idolatrava outros assassinos, era fã de violência, bondage e sadismo, além disso, era muito inteligente e usava disso para fazer o mal. Quando estava na faculdade, usava essa desculpa para caçar suas vítimas e planejar seus próximos passos. Os seus primeiros assassinatos ocorreram em 1974, quanto mais o tempo passava e ele colecionava vítimas sem ser pego, mais ousado ele ficava. Sendo capaz de matar uma vizinha, sair de um acampamento com o filho para realizar um assassinato e invadir a igreja que fazia parte para tirar fotos de uma vítima.

É estranho quando paramos para pensar e percebemos que estamos lendo relatos de um monstro levando uma vida normal como qualquer um de nós. Em alguns pontos, temos até as próprias cartas que ele enviou para a filha. Algo que me deixou chocada nos relatos foi o quanto ele era preocupado com a própria segurança da família. Parece que ele sempre soube que existiam outros como ele por ali. Além disso, temos os relatos de Kerri sobre como foi passar pela descoberta e prisão do pai, quais problemas ela enfrentou e como fez para vencer essa época tão difícil até finalmente perdoar o pai.

 

BTK: MEU PAI

Autor: Kerri Rawson

Tradução: Monique D’Orazio

Editora: DarkSide Books

Ano de publicação: 2021

Uma família como muitas outras, repleta de irmãos, tios, tias, avôs e avós. Uma infância emoldurada por brincadeiras, acampamentos, pescarias, almoços, aniversários e comemorações felizes e inesquecíveis. Mas tudo muda em um dia quando Kerri Rawson, uma jovem professora de ensino fundamental, recebe a visita de um homem de terno que se apresenta como “agente do FBI” e descobre que uma das pessoas que mais ama em sua vida é também um dos mais cruéis serial killers da história. Vamos mergulhar juntos em um relato de vida assustador, conduzidos pela própria filha de um homem que foi capaz de esconder de todos quem ele era. Kerri Rawson compartilha todos os detalhes de sua chocante descoberta e a verdadeira dor em admitir que ela não era mais a filhinha de Dennis Rader e, sim, a filha do sádico assassino em série BTK.

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