Loki é a terceira série original do universo Marvel lançada no Disney+ entre junho e julho de 2021. Estrelada por Tom Hiddleston e tendo no elenco nomes como Sophia Di Martino, Owen Wilson e Gugu Mbatha-Raw, a série tem roteiro assinado por Bisha K. Ali, Elissa Karasik, Eric Martin, Michael Waldron e Tom Kauffman, bem como na produção estão Kevin Feige, Kate Herron, Kevin R. Wright, Michael Waldron, Stephen Broussard e o próprio Tom Hiddleston.

Com seis episódios distribuídos semanalmente no streaming da Disney, Loki acompanha o personagem de Tom Hiddleston logo após um determinado evento na linha do tempo de Vingadores – Ultimato: quando os vingadores precisam recuperar uma das joias que estava no passado da batalha de Nova Iorque, acabam sem querer permitindo que o Loki daquela linha do tempo escapasse, o que provoca um evento fora do que a linha do tempo sagrada permite acontecer, de modo que esse Loki que escapou é preso imediatamente pela TVA, uma secreta e burocrática empresa que vigia e organiza a linha do tempo para que nenhum evento fora das prerrogativas sagradas seja o causador de um colapso do universo.

Preso, Loki é inicialmente condenado a total extinção, mas Mobius, um dos agentes da TVA, decide fazer um acordo para que Loki ajude a TVA a caçar uma de suas variantes que está causando problemas para a empresa. Entre mentiras, viagens no tempo e a caça a essa variante, acompanhamos um dos mais clássicos vilões do quadrinho tentar compreender seu lugar na linha narrativa do destino, bem como a perceber que talvez a linha “sagrada” que a TVA tanto defende talvez não a ser o que parece.


Trazendo um dos personagens mais queridos do universo Marvel dos cinemas, “Loki” era uma das séries originais mais aguardadas dos fãs e trouxe consigo uma trama que aborda viagens no tempo de forma ainda inédita para o mundo cinematográfico dos heróis da marca. Já começando com temáticas sobre livre arbítrio e qual papel um vilão tem a desempenhar no roteiro da vida de alguém, Loki é um personagem que já conhecemos sendo confrontado pelo tempo sobre que tipo de propósito ele deseja para si. Dominar o mundo é uma meta. Mas o que viria depois? Quem Loki deseja realmente ser? Ao condensar as viagens temporais com essas reflexões a série já começou de forma empolgante e os primeiros episódios ainda encerram sempre com um gancho bem curioso para instigar os espectadores a esperar pelo próximo.

Lançada no esquema semanal, parte da expectativa para os episódios seguintes permitiu que a história ficasse mais concretada e a cada nova surpresa, personagens inéditos e plot twists, a série ficava ainda mais empolgante. Impossível falar de Loki sem falar de Sylvie, a personagem nova do universo da Marvel que trouxe consigo a excelente atuação de Sophia Di Martino e que expande conceitos sobre multiverso e leva o Loki de Tom Hiddleston a questionar a TVA e a suposta missão burocrática de manter a linha do tempo sagrada tal como está. Sylvie é uma personagem tão machucada quanto Loki, tendo sua vida destruída na infância justamente por causa da “linha sagrada do tempo”. Desejando vingança, ela trabalhou por anos para conseguir implodir a empresa e destruir os guardiões do tempo que comandam o lugar e seu temperamento raivoso e passional é mesclado com sua essência solitária e que não leva muito jeito para lidar com as pessoas, justamente por ter passado tanto tempo fugindo dos exterminadores da TVA.

Junto de Loki, Sylvie protagoniza um arco de construção de personagem muito bem feito. Os dois abrem os olhos um do outro para aquilo que ainda não tinham se permitido ver. Loki vê em Sylvie uma versão de si mesmo que merecia ser amada – coisa que ele nunca havia atribuído diretamente a si, justamente por traumas da sua criação passada e sua insegurança escondida por uma máscara de vilania e raiva – e Sylvie vê em Loki alguém que ela finalmente pode depositar confiança se um dia a sua vida se tornar mais calma. Contudo, os dois claramente estão em uma corrida contra o tempo e a luta contra a TVA acaba virando uma pauta em comum de ambos. Quando os dois personagens se juntam ao núcleo de Mobius e da caçadora B-15 temos outro embate temático que levanta discussões bem interessantes: Mobius e B-15 acreditam que a missão de suas vidas está na TVA e duvidar daquilo que sempre deram como certo não é um trabalho simples, o que leva Mobius a não acreditar em Loki.

Em rebote, Mobius joga para Loki a perspectiva de que ele estava se apaixonando por uma versão variante de si próprio e o questiona sobre a natureza narcisista desse amor, o que também leva o espectador a refletir sobre o quanto realmente era narcisismo da parte do personagem ou simplesmente uma expressão de emoções que ele nunca tinha sentido até então, possuindo uma natureza mais genuína de sentimentos.

Dirigindo-se aos embates finais, Loki rende ainda um grato penúltimo episódio com participações especiais bem divertidas e uma última reflexão sobre propósito que mostram que o Loki vilão do começo da série está no rumo para se tornar novamente um anti-herói. O final da série foi um tanto inesperado, mas ainda apresentou um dos novos personagens da “fase quadro” da Marvel que promete mover bastante as estruturar desse universo e temos ainda um gancho enorme para uma próxima temporada já anunciada.

Particularmente, gostei bastante das dinâmicas de viagem no tempo, bem como a química da atuação em grupo dos personagens também foi um trunfo muito especial. Apesar da divisão entre os espectadores acerca do casal romântico que tem seus primeiros passos dados nessa temporada, acabei gostando deles dois e vendo um potencial bem interessante e especial para essa relação. Além disso, a abertura de possibilidades deixadas pela série sobre múltiplas versões de um mesmo personagem foi sensacional. Acho que algumas das minhas impressões negativas se concentram nas cenas de luta, algumas pareciam muito artificiais e também acredito que uma divisão melhor dos plots por episódios teria deixado a dinâmica final mais fluida.

Contudo, as excelentes atuações, debates interessantes e momentos divertidos que são uma graça de acompanhar, Loki ainda traz uma primeira temporada muito empolgante e que deixa o gostinho de quero mais para a próxima. É uma recomendação perfeita para quem já é familiarizado com o universo Marvel e para quem tem interesse em ver o futuro desses filmes no cinema, é uma daquelas séries chaves que ninguém pode perder.

LOKI

Diretor: Kate Herron

Elenco: Tom Hiddleston, Sophia Di Martino, Owen Wilson, Gugu Mbatha-Raw

Ano de lançamento: 2021

Baseada no famoso vilão do Universo Cinematográfico Marvel, Loki é uma série original do Disney+ que se passa após os eventos narrados em Vingadores: Ultimato. O spin-off segue os passos de Loki (Tom Hiddleston), mais conhecido como Deus da Trapaça, que conseguiu roubar o tesserato dos Vingadores durante a missão de recuperar as Joias do Infinito. Com o poder da gema do espaço, o Asgardiano começa a pular no tempo com a intenção de chegar a Midgard. Ao longo de sua jornada, ele acaba interferindo em momentos importantes da história da humanidade – seja para cumprir seus próprios objetivos, seja para se divertir um pouco. O que ele não sabe é que sua intervenção pode gerar uma catástrofe nas linhas do tempo e, assim, colocar em risco todo o universo.

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