Não há segunda chance é um livro do escritor Harlan Coben. Ele foi lançado em 2020 pela editora Arqueiro.

Sobre o livro

Marc Seidman é um médico que vive com a esposa Monica e a filha, de apenas 6 meses, Tara. Eles levam uma vida normal até o dia em que um terrível evento acontece. Alguém entrou na casa, matou a esposa, feriu gravemente o doutor e levou a pequena criança dali. E o pior: não deixou nenhum vestígio.

“Na juventude, zombávamos dos nossos pais, do materialismo deles, dos valores aparentemente sem sentido. Agora somos os nossos pais.”

Após alguns dias em coma, Marc acorda e se depara com essa terrível notícia. Ele nem imagina que seu mundo está prestes a mudar completamente. Afinal, agora eles receberam um bilhete solicitando o resgate da criança, mas deixando claro que não devem envolver a polícia nisso.

Com esse difícil dilema em mãos, tudo acaba tomando um rumo inesperado e, quando ele menos espera, a polícia passa a suspeitar dele. Nesse momento, ele precisa correr contra o tempo para provar sua inocência, encontrar a filha e mostrar quem são os verdadeiros culpados.


Minha opinião

O escritor Harlan Coben sempre foi alguém que dividiu a minha opinião. Quando mais jovem, li seu primeiro livro, Não Conte a Ninguém, e fiquei completamente envolvida com a história, sendo um dos meus favoritos por muitos anos. Por isso, com o decorrer do tempo, acabei consumindo diversas outras obras dele. Se você acompanha este blog, já deve ter se deparado com diversas outras resenhas sobre livros dele que eu fiz. Para mim, ele sempre foi uma caixinha de surpresas: ou gostava do livro ou ficava completamente decepcionada.

Para minha imensa tristeza, este livro foi uma leitura que não foi prazerosa. Eu só esperava chegar logo ao final. Não consegui me conectar com a trama e passei por um dos piores medos dos leitores: um protagonista intragável. Para piorar, Marc é o nosso narrador e ter noção dos seus pensamentos é algo que me fez pegar ainda mais antipatia por ele. Embora veja que ele veio de uma família que passa por diversos problemas e que tem seus próprios fardos para carregar, fica impossível ter alguma empatia por alguém tão frio, tão distante, tão sem sentimentos. É esperado que, para ter o mínimo de conexão com o protagonista da história, seja apresentado uma pessoa que amamos ou que ainda não formamos um veredito. Aqui, foi muito difícil ler tudo isso, tendo ele como personagem principal.

“Quanto mais o tempo passava, mais as autoridades se voltavam a olhar para o único suspeito à disposição. O papai aqui.”

Outra coisa que estragou a minha experiência com o livro, foram os personagens rasos, mal explicados, minimamente explorados e que eram jogados de qualquer jeito em uma infinidade de diálogos que não levavam a nada. De uma hora para a outra, o livro dá um salto para nos introduzir em outro lado da trama, mas que apresenta uma ligação com o enredo principal. Ali, temos algo muito inverossímil e exagerado. Talvez existisse outra forma de apresentar o antagonista. Podia seguir explorando a motivação e maldade, mas a pessoa que tentaram criar foi um pouco fantasioso, para uma história desse tipo.

Além disso, o final foi o que mais me incomodou. Reviravoltas e mais reviravoltas que não tinham nenhum resultado efetivo. Sabe aquela reunião que poderia ser um e-mail? Na trama, os problemas poderiam ser facilmente resolvidos se duas pessoas importantes na história sentassem e conversassem abertamente. O final foi feito para “chocar” e dizer “você não espera por isso, né?”. Eu realmente não esperava e preferia não esperar, pois criou um final morno, sem graça e sem uma boa justificativa, embora o autor tenha tentado enfiar respostas para justificar um final que não agregou nada ao que já estava ruim.

“Como a tristeza, a esperança se esconde, golpeia, provoca e nunca vai embora. Não tenho certeza de qual das duas é mais cruel.”

Algo que gostei, foi que acordamos com o Marc no hospital sem saber de nada, assim como ele. Vamos desvendo aos poucos o que aconteceu, principalmente as circunstâncias estranhas desse ataque e que o colocam como principal suspeito. Gosto muito dessa técnica, pois ela acaba revelando as surpresas e os segredos juntamente com o leitor – mesmo que aqui as revelações não tenham causado tanto impacto positivo.

Outro ponto que me agrada é que antes da página 100, tudo parecia muito resolvido e se encaminhando para o final, por isso, vi que tinha algo a mais para entregar e que os rumos tomados seriam outros. Fora isso, é uma leitura lenta, que mesmo nas partes de ação passa de forma arrastada e que não agradou, pelo menos a mim, com os plots. No entanto, quem gosta de uma mistura de suspense com ação, pode encontrar aqui uma boa leitura. Sempre gosto de lembrar que os livros que não funcionaram comigo, podem ser os favoritos de alguém e isso é normal. Portanto, se quiser, dê uma chance ao livro.

 

NÃO HÁ SEGUNDA CHANCE

Autor: Harlan Coben

Tradução: Beatriz Medina

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2020

Após ser gravemente ferido numa invasão à sua casa, o Dr. Marc Seidman desperta de um coma de quase duas semanas e descobre que sua vida foi destruída. A esposa foi assassinada. A filha, Tara, de 6 meses, desapareceu. Depois de tanto tempo, parece impossível descobrir onde a bebê está, mas de repente Marc tem um alento ao receber um pedido de resgate. Só que o bilhete faz uma clara advertência: se ele falar com a polícia, nunca mais verá a filha. Não haverá segunda chance. Sem ter a quem recorrer, Marc fica dividido entre a agonia e a esperança. E quando os investigadores passam a considerá-lo o principal suspeito dos crimes, ele precisa se lançar numa busca desesperada pela verdade não apenas para recuperar Tara, mas também para salvar a própria vida.

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