Eu Devia Estar Sonhando é do escritor Michel Bussi. Ele foi lançado em 2021 pela editora Arqueiro.

Sobre o livro

Nathalie é uma comissária de bordo, mãe e esposa. Há 20 anos ela conheceu alguém que mudou sua vida. Em 1999, quando estava no auge da sua carreira, casada e com uma filha pequena em casa, sua vida sofreu uma mudança quando conheceu o aspirante a músico Ylian. Eles viveram um romance intenso e cheio de culpa, mas que sobreviveu durante todos esses anos na mente dela.

“Há mulheres que preenchem e mulheres que são preenchidas.”

Os dois viveram dias gloriosos em diversas cidades que ficaram marcadas para sempre nas memórias deles. Agora, em 2019, ela se vê revivendo tudo que passou naquela época com uma série de coincidências: o mesmo voo para Montreal, Los Angeles e Jacarta; contando com a mesma equipe que estava presente no dia que ela conheceu seu amado e diversos outros acasos que nos fazem questionar como o universo pode interferir tanto na vida de uma pessoa.

Ela passa a vivenciar e relembrar locais, momentos, situações e emoções. Ela revive tudo aquilo que jurou esquecer e deixar para traz. No entanto, uma dúvida sempre surge: por que isso está acontecendo? Seria possível existir tantas coincidências assim sem ter um toque sobrenatural? É isso que você descobrirá nessa trama.


Minha opinião

O meu primeiro contato com o escritor Michel Bussi foi com o livro Ninfeias Negras, que também tem resenha aqui no blog, e que está entre os meus livros favoritos da vida. Eu, que já estou acostumada com plots, investigações e descobertas, fui completamente surpreendida pelas revelações presentes no Ninfeias. Foi a proposta mais ousada e diferente que já havia visto. Por isso, quando vim conhecer o novo livro do autor, esperava algo do mesmo nível. Entretanto, isso não aconteceu.

A premissa parece muito interessante: uma mulher apaixonada que viveu um grande amor e estranhas coincidências que parecem estar levando os dois ao encontro depois de tantos anos. Porém, alguns pontos acabam pesando e fazendo a história perder a graça, como a protagonista extremamente egoísta e sem empatia e a revelação para explicar o porquê de estar acontecendo tudo isso. A tentativa de entregar algo original e diferente é atingida, mas parece algo apenas para “fugir dos padrões”, sem fazer muito sentido ou ter de fato um impacto positivo. Parece que o autor apenas quis chocar por ser um ponto fora da curva, mas fora isso, a plot final não entrega tudo isso.

“Contar seria confessar. Confessar o medonho. Confessar a maldição. A que escondi durante todos esses anos.”

Começando pela protagonista. Nathy é uma mulher com mais de 50 anos que não valoriza nada do que tem. Ela vive nos seus sonhos, imaginando tudo aquilo que não viveu com o seu amante. Ela não repara nas pessoas que estão ao seu redor, não é grata pela vida que tem e nem pelas pessoas maravilhosas que fazem parte da sua família. Apenas o que ela pensa e deseja importam. Há muito tempo não encontrava uma protagonista, que tentam me entregar como mocinha, que fosse tão egoísta e ingrata. Nada está bom para ela e tudo precisa seguir o que ela deseja, caso contrário ela não se interessa. Ela é uma péssima amiga, uma esposa infiel e uma mãe ausente. Como já comentei outras vezes, para mim é muito difícil terminar uma leitura que tem um personagem principal tão difícil.

Outro ponto negativo da história foi a sucessão de coincidências descabidas, e muitas vezes não explicadas, que ocorriam. Eram tantas coisas acontecendo que comecei a ficar preocupada com os rumos que a história tomaria. Por isso, quando a revelação final aconteceu, foi muito difícil aceitar as explicações incongruentes e sem sentido. Reforço que os livros do escritor são muito bons, mas acredito que ele errou a mão nesse e entregou algo muito fantasioso e mal amarrado para os leitores. Ao chegar na página 100, cheguei à conclusão que ele me devia muitas e boas respostas – o que não aconteceu.

Além disso, algo que me incomodou muito foram os pensamentos e ideias da Nathalie. Os pensamentos que ela tem sobre ouras pessoas, principalmente mulheres, são muito maldosos, desrespeitosos, mesquinhos e cheios de muita inveja. Parece que por ela não estar satisfeita com a sua própria vida, precisa invejar e diminuir a vida das outras – mesmo que não deseje a vida delas para si. Talvez a história até pudesse ser uma bela e forte demonstração de amor, se não fosse a protagonista tenebrosa que existe.

“Amaldiçoo sua covardia ao mesmo tempo que agradeço por ela.”

O livro acabou sendo repetitivo, arrastado, se perdia no que queria entregar e foi uma péssima e tortuosa leitura. Talvez outras pessoas que não tenham esse primeiro contato com o autor e não entrem na história esperando algo muito elaborado, possam gostar do que tem aqui. Os fãs de conspirações e romances com certeza ficarão curiosos para saber como tudo isso termina.

 

EU DEVIA ESTAR SONHANDO

Autor: Michel Bussi

Tradução: Carolina Selvatici

Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2021

Vinte anos atrás, em um voo para Montreal, a comissária de bordo Nathalie encontrou a chance de viver um grande amor que abalou sua vida tranquila como esposa e mãe. Um amor cujo desfecho ela até hoje não ousa confessar.Agora, estranhos sinais sem causa aparente vêm se acumulando. Ela é escalada para os mesmos três voos de vinte anos antes. Na mesma ordem: Montreal, Los Angeles, Jacarta. Com a mesma equipe, coisa rara de acontecer. Uma música no rádio, pequenos elementos que se repetem, um passageiro cantando versos que só ela poderia conhecer. Quem – ou que força misteriosa – estará por trás dessas supostas coincidências?

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