Meninas é um documentário produzido e dirigido por Sandra Werneck, marcando seu retorno ao gênero documentário, após 11 anos se dedicando a outros projetos.

Produtora, Diretora e Roteirista com aproximadamente 35 anos de carreira, seus trabalhos mais conhecidos são Cazuza – O Tempo Não Para e Sonhos Roubados.

Em Meninas, somos apresentados a Evelin (13 anos) grávida do namorado que acaba de sair do tráfico de drogas, Luana (15 anos) que reside com a mãe e as irmãs, Edilene (14 anos) e Joice (15 anos) grávidas do mesmo rapaz. Acompanhamos a gestação dessas quatro adolescentes com idades entre 13 e 15 anos, durante 12 meses. Todas moradoras de comunidades do Rio de Janeiro.

O documentário objetiva mostrar como as jovens lidam com os desafios de uma gestação precoce, as mudanças fisiológicas, a relação com as famílias, namorados, os desafios da maternidade, os estudos e as esperanças para o futuro.

Inicialmente, a equipe entrevistou cerca de 110 candidatas de diversas regiões do Brasil, mas optou-se por restringir o documentário ao Estado do Rio de Janeiro em razão da praticidade de registrar o cotidiano das meninas dentro de um espaço mais reduzido.

O documentário é muito interessante justamente por não interferir nas situações, os participantes se sentem tão confortáveis com a presença da equipe que em alguns pontos os depoimentos parecem desabafos, temos ainda muitos pontos de vista o que permite vermos as possíveis causas do amadurecimento precoce da sexualidade e a consequente gravidez.

Embora as idades sejam aproximadas, as adolescentes possuem personalidades singulares e reagem as situações de maneira diferente. O jeito que se relacionam com a família é algo bem pontuado e o que mais me agradou. A carência que percebemos nas garotas nos leva a crer que buscavam no parceiro alguém que preenchesse um vazio, talvez a ausência de um pai, a falta de atenção dos genitores, a responsabilidade de cuidar da casa e das irmãs menores entre outras situações.

É nítido como elas demoram a entender a seriedade da situação, da responsabilidade contraída ao gerarem uma nova vida. Acreditam que pouca coisa mudará, que será igual a cuidar das irmãs, mas, ao final, já com os bebês nos braços, percebem que a nova realidade é diferente e muito mais difícil que o previsto.

Sandra teve o cuidado de dar voz aos familiares das gestantes, inclusive, colhendo depoimentos para sabermos mais sobre os medos e preocupações que os assolam. A decepção, tristeza e o sentimento de culpa que alguns carregam por causa da gravidez das filhas é comovente. Conscientes das dificuldades que elas enfrentarão: do julgo da sociedade e da pouca perspectiva para o futuro. E, embora não tenham muitos recursos, tentam dar o suporte necessário na medida de suas possibilidades.

Outro ponto perceptível é o ciclo da perpétua pobreza vivido pelas famílias que, em razão das responsabilidades assumidas precocemente, acabam se evadindo das escolas e, consequentemente, não conquistam boas colocações no mercado de trabalho.

Importante destacar que os namorados costumam ser mais velhos que as meninas, alguns rapazes, inclusive, já atingiram a maioridade civil. Porém, com pouca maturidade, seguem a vida como se nada houvesse mudado, com exceção de um. As famílias da maioria deles também não dão o amparo devido, deixando nas costas das famílias das gestantes toda a responsabilidade, fomentando a cultura do machismo.

Sandra fez um ótimo trabalho ao apresentar a realidade dessas adolescentes, sem interferência ou julgamentos. Cabe a nós refletir sobre o que pode ser feito para evitar essa situação e sermos mais atentos e prestativo com as pessoas ao nosso redor.

Fica a dica para quem gosta de assistir produções com viés social que tratam da realidade do nosso país ou caso queiram entender mais sobre o fenômeno da gravidez na adolescência, que ainda persiste nos dias de hoje.

Vale ressaltar que o documentário pode ser encontrado integralmente no YouTube. Aproveite!

MENINAS

Diretor: Sandra Werneck

Ano de lançamento: 2006

No dia em que completa 13 anos, Evelin descobre que está grávida de seu namorado, um rapaz de 22 anos que acaba de se desligar do tráfico de drogas para o qual trabalhava na Rocinha, Rio de Janeiro, onde vivem. A gravidez não a impede de continuar sendo a garota de sempre. A possibilidade de um aborto nem passou pela cabeça de Luana, 15 anos, quando ela descobriu que estava grávida. Órfã de pai, Luana vive com quatro irmãs e a mãe em uma casa onde só há mulheres. Desde cedo ajuda a mãe a criar as irmãs mais novas, e há meses vinha alimentando a idéia de ter um filho “só para ela”. Edilene não planejou nem evitou sua gravidez. Tampouco o fez sua mãe. Agora, mãe e filha estão grávidas. Edilene espera um filho de Alex, por quem é apaixonada. Alex engravidou ao mesmo tempo sua vizinha, Joice, de 15 anos. Edilene, aos 14 anos e grávida, já vai viver o drama de um triângulo amoroso..

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