O Touro Ferdinando (2018) | Crítica

Do diretor brasileiro Carlos Saldanha (das sagas Rio e A Era do Gelo), a animação é baseada no livro infantil mais famoso do escritor americano Munro Leaf, Ferdinando, o Touro. A adaptação deste clássico conta a história de Ferdinando, um touro gentil, que não gosta de brigas e ama o cheiro das flores. Conhecemos o personagem quando ainda é um bezerro, sendo criado em uma fazenda que treina esses animais para participar das touradas na cidade de Madri, Espanha. Ele acaba fugindo do local e conhecendo Nina, uma menina que se encanta por ele e começa a tratá-lo como se fosse um bicho de estimação. Os dois se tornam muito amigos e Ferdinando cresce, tornando-se um touro forte, mas que ainda mantém seu jeito pacífico e tranquilo de ser.

Eis que um dia, sem querer, ele acaba causando uma grande confusão na cidade, é preso e devolvido a sua fazenda de origem, onde sofria preconceito por parte dos outros touros por não querer lutar. Nesse ponto, a história se torna muito interessante ao abordar duas questões que, mesmo quando crianças, nós podemos perceber e sentir. A primeira é que Ferdinando é diferente, ele não é como os outros touros que sonham em ir para a arena e lutar contra o toureiro.

Na sua percepção, há muito mais na vida do que isso. Existe gentileza, amizade, solidariedade e a liberdade de correr pelo campo sem precisar machucar ninguém. E dizer isso aos homens, mesmo na infância, que tudo bem se você não quiser brigar, que pode chorar e ficar triste, na nossa sociedade, é muito difícil. Porque se você não for um exemplo de força bruta, então você não é homem. É muito bom ver o filme transformar essa ideia, essa percepção de mundo, e dizer que está tudo bem se você for diferente do que é considerado o padrão. Você pode e deve se sentir livre para ser quem você é. E mais, as pessoas precisam respeitar isso. É uma mensagem importante tanto para os adultos, quanto para as crianças.

O segundo ponto interessante sobre a história é a visão que é dada as tão famosas touradas. Muito já se discutiu sobre essa prática que para uns é sinônimo de violência e maus-tratos aos animais e, para outros, pura diversão e tradição, especialmente na Espanha, onde se passa o filme. Como o nosso protagonista é um touro gentil, ele não entende porque precisa atacar um humano ou mesmo a razão de o toureiro lhe apontar uma espada. Enquanto os outros touros se acostumaram com a ideia de lutar, mesmo que sintam medo, e aprenderam a treinar e a sonhar em vencer o toureiro (afinal eles são touros, é isso que fazem), Ferdinando se pergunta se realmente precisa ser assim.

Não teria como a plateia da arena admirá-lo e aclamá-lo sem que ele precise machucar alguém? Será que as pessoas aprenderam a temer os touros porque eles são mesmo brabos ou será que esse animais tem fama de violentos porque são estimulados a reagir assim quando atacados? Isso nos faz pensar não só sobre a forma como os seres humanos tratam os animais, mas também sobre ser violento com outras pessoas sem necessidade. Machucar física ou psicologicamente alguém apenas pelo prazer de fazê-lo ou por não aceitar que o outro seja diferente.

No final das contas, O Touro Ferdinando é uma história que trata sobre coragem, respeito e pluralidade, mas sem perder o bom humor (com cenas que rendem ótimas risadas tanto para os adultos, quanto para as crianças). É esteticamente bonito, colorido e muito bem desenhado. Tem uma trilha animada e divertida, com destaque para a música Freedom, do cantor Pitbull. Vale a pena assistir!

O TOURO FERDINANDO

Diretor: Carlos Saldanha

Elenco: John Cena, Kate McKinnon, David Tennant e mais

Ano de lançamento: 2018

Ferdinando é um touro com um temperamento calmo e tranquilo, que prefere sentar-se embaixo de uma árvore e relaxar ao invés de correr por aí bufando e batendo cabeça com os outros. A medida que vai crescendo, ele se torna forte e grande, mas com o mesmo pensamento. Quando cinco homens vão até sua fazenda para escolher o melhor animal para touradas em Madri, Ferdinando é selecionado acidentalmente.

Aspirante a Jornalista, catarinense com muito orgulho e apaixonada por literatura e cinema. Sonha em poder viajar pelo mundo um dia e conseguir viver daquilo que ama: falar sobre livros, filmes e séries.
  • julia campanha

    Aaaaaah que fofo! Quero muito assistir, que orgulho desse filme ser nacional!!! Quando se trata de animais eu sou tipo o Hagrid quando maior mais fofo.

  • Júlia Assis

    Parece ser uma animação muito fofinha e que ao mesmo tempo trata de assuntos importantes!! Amo assistir animações e sempre me emociono por mais ”bobinha” que ela seja :D

  • Daiane Araújo

    Oi, Caroline.

    Poxa, mesmo sendo um filme de animação, ele dá uma grande lição ao Homem, né? E traz reflexões sobre não precisar agir com violência!

  • Natália Costa

    Quero tanto ver este filme, faz tempo que não vejo uma animação!!! Bom saber que vale a pena assistir, que a história e a mensagem passada são boas, além da produção! Amei! ^^

  • rudynalvacorreiasoares

    Caroline!
    Além de toda animação ser bem feita, o que mais gostei foi de ver que um animal tão ‘bravo’, pode ser doce e sentimental, ingênuo mesmo e infelizmente, tiram a inocência dele de forma tão abrupta.
    Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

  • Pamela Liu

    Oi Carol.
    Essa animação parece ser muito amor. Além de passar lições importantes para adultos e crianças. Temos que ser mais gentil com as pessoas, respeitá-las e aceitá-las da forma que são. Ninguém é igual, todos temos as nossas excentricidades e é isso que nos torna único.
    Já quero ver!
    Bjs